palavras na barriga

Verbalizo as emoções que me provoca o mundo!

Daniela Monteiro Torres

Apaixonada por viagens, acredita que:
"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." Fernando Pessoa

Máquinas para que te quero!

No WhatsApp com os amigos ou a jogar candycrash sozinhos, podemos passar pelo amor da nossa vida sem nos darmos conta. Em que nos transformamos ao usar estas máquinas…


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Recordo-me quando entrava apressada no metro e aqueles dez minutos eram o momento em que podia desconectar do stress e tranquilamente esperar que chegasse a minha estação, para apressadamente sair e correr até ao destino.

Esses eram os dez minutos em que me conectava com o mundo, em que olhava para as pessoas à minha volta, imaginava as suas vidas e via emoções nos seus olhos. Às vezes eram olhares cúmplices, olhares cheios de sonolência matinal ou pesados de cansaço ao final da tarde. Havia olhares tristes, olhares radiantes e havia aqueles olhares trocados num milésimo de segundo, que nos faziam olhar outra vez. Encontrávamos aquele vizinho engraçado que tentávamos conhecer há semanas, ou um atraente desconhecido que poderia ser o nosso próximo namorado.

Quando andamos num transporte público há que estar atento, não só pela eventualidade de encontrar o amor da nossa vida, mas também para não nos perdermos nas nossas fantasias, deixarmos passar a estação de saída e termos que voltar para trás. Já para não dizer, que estar alerta, diminui bastante as possibilidades de sermos roubados.

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Recentemente entrei no metro, com tempo e com curiosidade e não encontrei nem um olhar. Estava cheio de pessoas mas ninguém se olhava, ninguém observava ninguém; estavam todos juntos na mesma carruagem, todos a ir na mesma direção, mas cada um metido na sua vida, ou na vida de outro qualquer.

Cegos pela comunicação virtual, as pessoas olhavam fixamente os seus telefones, não estavam sequer dispersas nos seus pensamentos; na realidade não pensavam em nada, em absolutamente nada. Hoje em dia encurta-se o trajeto para casa ou para o trabalho, agarrados a um telefone, a teclar com os amigos, a jogar, a fazer a lista de compras ou enganchado pelas redes sociais.

O telemóvel passou a ser a nova TV, mas com um potencial ilimitado. E assim como a televisão, também o telemóvel corta a comunicação entre as pessoas. Estar no metro com um telemóvel na mão, é como jantar em família com uma televisão conectada.

Antes se nos queríamos distrair no metro, liamos um livro; sonhávamos acordados ou fantasiávamos com a vida das pessoas à nossa volta. Agora, fechados cada vez mais no nosso umbigo virtual, partilhamos a nossa vida apenas com os que já dela fazem parte. O telemóvel com todas as suas infinitas características, produto do mundo moderno; contradiz os princípios básicos de viver numa sociedade globalizada e reprime a interação entre as pessoas. Estejam atentos na próxima vez que entrarem no metro!


Daniela Monteiro Torres

Apaixonada por viagens, acredita que: "O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." Fernando Pessoa.
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