palavras na barriga

Verbalizo as emoções que me provoca o mundo!

Daniela Monteiro Torres

Apaixonada por viagens, acredita que:
"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." Fernando Pessoa

L'Auberge espagnole - Na Barcelona do programa Erasmus

Um filme que nos prende ao sofá, rasga um sorriso cúmplice nos nossos lábios e faz-nos viajar pela irreverência e adrenalina, próprias de uma juventude cheia de sonhos.


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L'Auberge espagnole (2002): “A Residência Espanhola” (PT) / “O Albergue Espanhol”(BR); é uma comédia romântica franco-espanhola, escrita e realizada por Cédric Klapisch, considerada um filme leve e ameno, perfeito para uma tarde de domingo. Estou totalmente de acordo com esta descrição, mas devo acrescentar que está na lista dos 'filmes da minha vida', e considero-o um filme de culto para todos os estudantes que tiveram a oportunidade de fazer um intercâmbio na universidade.

É o primeiro filme de uma trilogia, (juntamente com Les poupées Russes e Casse-tête chinois) e recomendo-o a quem quiser ter uma leve ideia, de como é a experiência de viver e estudar noutro país. Para melhorar o enredo, a história passa-se em Barcelona, uma cidade apaixonante e cheia de vida que nos agarra de forma incompreensível, como se sempre a ela tivéssemos pertencido.

A personagem principal é Xavier (Romain Duris), um estudante francês, que viaja através do programa Erasmus; sem falar castelhano ou catalão e com todas as dúvidas e questões de um jovem adulto; prestes a terminar os estudos e completamente despreparado para a vida laboral. Depois de várias peripécias, acaba por alugar um quarto numa casa onde vivem 6 outros estudantes, cada um com uma nacionalidade, diferentes personalidades; e todos nas mesmas circunstancias: a viver a experiencia das suas vidas.

Este é um filme onde sete jovens de diferentes culturas aprendem a relacionar-se entre si, aprendem a relacionar-se consigo mesmos, a experimentar o amor, a sexualidade, e descobrem que o mundo é muito mais rico do que o pequeno universo onde tinham habitado até ao momento.

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A Residência Espanhola é um desses filmes impossiveis de esquecer, cheio de energia e com uma ação constante e inusitada. Foi gravado com uma camara digital, que permitiu uma maior flexibilidade no momento da montagem, captando cenas rotineiras que se enquadram perfeitamente na vida da cidade. São apresentadas ao espectador uma seleção de imagens que poderiam ter sido retiradas de um álbum de fotografias; obedecendo a uma ordem cronológica mas com variadíssimas regressões, comentários e pequenas notas. O movimento frenético do filme consegue-se com o uso do ‘split screen’; Cédric Klapisch divide o ecrã em várias partes, adaptando-o a diferentes situações com a mesma personagem; ou a diferentes personagens ao mesmo tempo, em diversos locais.

A banda sonora é tao eclética como maravilhosa, passando por Ali Farka Touré, Radiohead ou Mala Rodriguez; as músicas acompanham as aventuras das personagens, transportando-nos para o seu universo, carregado de humor, drama e muita adrenalina.

O melhor que Barcelona tem é mostrado na singular fotografia; com o lado turístico e majestoso dos monumentos de Gaudí, e os encantadores recantos da cidade, do mais pitoresco ao mais alternativo. Para quem não conhece a cidade condal, o filme causa uma vontade imensa de apanhar o próximo avião e visitá-la; para quem já conhece, permite relembrar o quão especial é Barcelona. E para quem, como eu, viveu a experiencia ’Erasmus’ há 10 anos atrás e vive atualmente em Barcelona, provoca-me um sorriso constante, identificando-me com cada situação do filme e sentindo que aquelas personagens também são um bocadinho o que já muitos de nós fomos um dia: jovens estudantes perdidos num mundo de adultos, à procura do nosso lugar num país que não é o nosso.


Daniela Monteiro Torres

Apaixonada por viagens, acredita que: "O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." Fernando Pessoa.
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