palavras na barriga

Verbalizo as emoções que me provoca o mundo!

Daniela Monteiro Torres

Apaixonada por viagens, acredita que:
"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." Fernando Pessoa

Nascemos empreendedores ou tornamo-nos?!

“Se não construíres os teus sonhos, alguém te vai contratar para que ajudes a construir os dele.”


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Via outro dia um programa em que diziam que um mesmo questionário tinha sido feito nos EUA e em Espanha, os resultados eram opostos. Perguntavam a estudantes universitários qual o seu projeto de vida quando acabassem a universidade. Em Espanha, 70% responderam que esperavam encontrar um trabalho numa empresa ou na função pública e tornar-se funcionários. Nos EUA, 70% disseram que se queriam juntar com alguns amigos e formar a sua própria empresa. Ter uma ideia genial e criar o seu posto de trabalho.

Há uma diferença abismal nestas respostas, uma diferença que molda a sociedade em que vivemos, mas principalmente uma diferença que mostra que há uma falta de iniciativa geral em alguns países deste lado do Atlântico. De maneira absolutamente nenhuma defendo a forma como a sociedade dos EUA está estruturada. Penso que é uma sociedade injusta e difícil de viver, onde a educação e a saúde não são públicas nem gratuitas e onde as desigualdades afastam as pessoas e criam guetos urbanos. Mas reconheço que este espirito empreendedor, é algo que está vincado no caracter dos estado-unidenses, e que os ajuda a ser uma das grandes potências mundiais.

Ser empreendedor pode ser algo que nasce connosco, mas é sem dúvida também, algo que se aprende; que se ensina na escola e em casa. É impreterível fomentar a necessidade de criar, de ter a iniciativa de fazer coisas, de estimular a imaginação e sonhar. A estrutura de ensino de grande parte das sociedades europeias, hoje em dia, já não se adequa a realidade atual. Os jovens, obrigados a escolher desde cedo uma área, perdem-se na imensidão de opções sem nunca terem provado nada realmente específico. Engolidos pelas universidades, são cuspidos para um mercado de trabalho saturado e mal pago, onde lhes dizem que devem estar agradecidos por ter um salário ao final do mês.

Se desde pequenas, as crianças tivessem a possibilidade de viver diferentes experiências, que as ajudasse a identificar as suas aptidões, poder-se-ia estimular as áreas corretas e direcioná-las para a atividade mais adequada. Uma educação rica em diversidade, mas especifica para cada aluno será seguramente mais efetiva num futuro próximo.

O porquê de muitos jovens preferirem ser funcionários do que empreendedores, pode-se justificar com questões histórico-culturais; nomeadamente a construção de uma Europa unida, baseada numa filosofia igualitária, que na verdade é uma demagogia camuflada pelos interesses económicos dos países mais fortes. Sociedades onde parece que tudo é mais fácil e acessível, tendem a construir juventudes com menos iniciativa. E só quando as desigualdades começam a ser escandalosamente evidentes, é que começam a surgir manifestações reivindicativas que inevitavelmente levam a iniciativas a nível individual.

Em breve encontrar-se-á um equilíbrio, já que cada vez mais jovens europeus estão a correr atrás dos seus sonhos e a lutarem pelos seus projetos; de forma consciente e empreendedora. Estes serão os futuros empresários que com uma nova visão de futuro e de consciência social, têm a possibilidade de mudar a visão capitalista do mundo e criar empresas num mundo laboral mais justo e acessível.


Daniela Monteiro Torres

Apaixonada por viagens, acredita que: "O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." Fernando Pessoa.
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