palavras na barriga

Verbalizo as emoções que me provoca o mundo!

Daniela Monteiro Torres

Apaixonada por viagens, acredita que:
"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." Fernando Pessoa

The GIFT - música para os ouvidos

Uma das maiores bandas Portuguesas, trazem ao mundo mais um extraordinário álbum, que alegra os dias de quem já o ouviu.


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Hoje escrevo sobre uma das minhas bandas portuguesas preferidas, os The Gift. Ser uma boa banda de música tem muito que se lhe diga, e não é fácil manter ao longo de mais de 20 anos um nível sempre alto, um estilo único e singular com uma exclusividade excecional.

Para fidelizar um público, há uma fórmula secreta, um encanto especial que só alguns dos grandes o têm, e os The Gift têm essa magia.

Esta banda portuguesa foi fundada em Alcobaça em 1994 e em 1998 publicaram “Vinyl”, o seu primeiro álbum. Lembro-me como se fosse hoje, de pôr o CD no “repeat” e o ouvir vezes sem conta.

De repente chegava a Portugal algo diferente, uma mistura preciosa de sonoridades que emocionavam e energizavam ao mesmo tempo. Algo que não era rock, não era totalmente eletrónico; talvez um pop-indie rejuvenescido dos 80’s, que fazia tirar os pés do chão, arrepiava os pelos dos braços; e a mim… fazia-me sorrir de alegria na flor dos meus 18 anos.

Este álbum chegou a disco de ouro em Portugal e revolucionou o conceito da música pop portuguesa, mostrou que se pode ser comercial sem ser vulgar e principalmente sem se vender a alma; sem se perder a identidade e conseguir manter aquela talentosa individualidade, característica da musica alternativa.

Os The Gift foram pioneiros ao lançar os seus álbuns através da sua própria editora, La Folie Records; criaram em Portugal o conceito (DIY) = Faz tu mesmo!

E se este conceito na vida em geral já é admirável, no mundo da música é meritório e formidável. Cortaram as amarras do sistema e estabeleceram uma conduta alternativa que se move paralelamente à tradicional e que funciona na perfeição.

Na verdade, o interessante desta banda é que mesmo não tendo vínculos, dentro de Portugal, a nenhuma das grandes editoras musicais; conseguiu ter uma das maiores projeções internacionais do país. Acredito que o facto de cantarem a maior parte das suas músicas em inglês, ajudou a conquistar o público lá fora, mas é a tal magia que não se explica, que seduz e apaixona quem os ouve.

A voz grave e melodiosa de Sónia Tavares é indispensável para que esta receita funcione, a vocalista tem uma presença grandiosa em palco e um estilo extraordinariamente belo e sensual.

Os The Gift lançaram este ano de 2017, o álbum “Altar”, que dizem ser o melhor de toda a sua carreira.

Sem dúvida uma coprodução genial com Brian Eno, que trabalhou com nomes míticos como David Bowie; este álbum foi misturado pelo habilidoso Flood, que já trabalhou com Depeche Mode, New Order ou U2.

Músicas como Clinic Hope e Love without Violins, ficarão seguramente para a história do indie eletrónico e “Altar” levanta a fasquia da futura produção de música alternativa em Portugal.

Ouvir este novo álbum é um deleite para os sentidos, a musicalidade é contagiante e o nosso corpo move-se harmoniosamente enquanto as faixas tocam. Parabéns aos The Gift, que há mais de 20 anos, nos levam fascinados por um caminho criativo cheio de êxito.


Daniela Monteiro Torres

Apaixonada por viagens, acredita que: "O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." Fernando Pessoa.
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