palavratela

Porque literatura e cinema deixam a vida mais bela.

Kananda Magalhães Santos

Acadêmica de Direito, 22 anos, habitando fisicamente a ilha de São Luís, MA. Por dentro, meus mundos são vários. Dramática, sentimental e fazedora de tempestades em copo d'água, meus hobbies incluem bancar a escritora e ser a dona da verdade. Gente normal me dá sono e necessito de tratamento que combata o vício por filmes e séries coreanas. Acredito piamente que o mundo, pra ser melhor, só precisa de mais amor,gentileza, poesia e muito mais de Deus. Carpe diem! ;)

Apenas Uma Vez

Uma história que, embora ficcional, é carregada da mais profunda realidade. A história é a música. E a música denuncia tudo o que há na alma dos personagens. Impossível não ser profundamente tocado.


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Comecei a ver esse filme meio desconfiada, com o pé um passinho atrás, acreditando que, não, não ia ser grande coisa... Cheguei até a pensar em para a reprodução e começar a ver algo melhor... Mas em respeito à primeira cena do filme e à sensação que ela causou em mim, eu continuei. E não me arrependo. “Once”, ou “Apenas Uma Vez”, é um longa irlandês de 2006 escrito e dirigido por John Carney e estrelado pelos músicos Glen Hansard e Marketa Irglova. Dono de um roteiro absurdamente simples, o pequeno e independente filme, gravado nas ruas de Dublin, narra a o encontro de uma imigrante vendedora de flores e de um músico de rua tentando a sorte com seu violão e suas canções.

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Os laços entre eles (que não têm nomes) começam meio frouxos, e você chega a pensar que, talvez, ela não seja uma personagem tão importante. Mas no decorrer dos minutos você começa a ter a nítida sensação de que os laços estão, aos poucos e timidamente, sendo apertados. E o grande encanto desse filme, meus caros, está na música e no que ela representa. Porque aqui, a música não é apenas o plano de fundo ou um incremento a mais. A música é a história. Ela derrama a alma dos personagens nos nossos ouvidos, e nós podemos sentir suas dores, seus arrependimentos, seus sonhos e seus amores perdidos. É adorável observarmos como os dois protagonistas vão se envolvendo, vão compartilhando seus mundos e suas tragédias próprias e como, através da música, eles olham para dentro um do outro, e são capazes de completar o que faltava.

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Duas pessoas meio perdidas. Meio sem saber qual estrada pegar, e tentando desesperadamente encontrar um novo sentido. Algo que os faça levantar pela manhã. Que ponha a vida de volta nos trilhos. Um pouco sem querer, ambos acabam impulsionando um ao outro a se reerguer e caminhar, e o resultado dessa amizade gera resultados não menos do que maravilhosos. Por experiência própria, posso dizer que me emocionei em cada canção. E Em cada canção fui completamente arrebatada. Esqueci do mundo e do que existia fora daquilo tudo. Porque cada canção era tão absurdamente verdadeira e tão absurdamente tocante, que toda a realidade parava e apenas escutava. Mais uma vez tive a certeza de que são nas coisas simples que as grandes maravilhas habitam. Um cara com um violão e uma vendedora de flores em uma loja de instrumentos musicais qualquer, tão parecida com tantas que existem na minha cidade, foram capazes de despertar em mim sensações que as maiores produções nem de longe conseguiram.

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A primeira cena deste filme, mostra um cantor de rua, que, a princípio, parece apenas esperar que os passantes lhe depositem alguma moeda em agradecimento ao pequeno show. Mas quando a canção começa a crescer, o coração daquele homem começa a crescer junto com ela, e o sentimento que vive naquelas notas começa a escapar para você, e começa a envolver a sua alma, e quando você volta a si, descobre que esteve em outra dimensão e nem percebeu. Foi a música que levou você até lá.

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Apenas Uma Vez narra o encontro de duas vidas que precisavam que alguém lhes apontasse um novo norte. O título do longa demonstra bem a efemeridade da permanência de um na vida do outro. No entanto, foi o que bastou para que cada qual deixasse um rastro profundo na caminhada um do outro. As canções produzidas por esses dois corações foi o que sedimentou uma história tão cheia da dolorosa realidade, mas que pôde demonstrar, com sutileza e maestria, como essa mesma realidade pode ser bonita. E mágica.


Kananda Magalhães Santos

Acadêmica de Direito, 22 anos, habitando fisicamente a ilha de São Luís, MA. Por dentro, meus mundos são vários. Dramática, sentimental e fazedora de tempestades em copo d'água, meus hobbies incluem bancar a escritora e ser a dona da verdade. Gente normal me dá sono e necessito de tratamento que combata o vício por filmes e séries coreanas. Acredito piamente que o mundo, pra ser melhor, só precisa de mais amor,gentileza, poesia e muito mais de Deus. Carpe diem! ;) .
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