palavratela

Porque literatura e cinema deixam a vida mais bela.

Kananda Magalhães Santos

Acadêmica de Direito, 21 anos, habitando fisicamente a ilha de São Luís, MA (porque psicologicamente meus mundos são vários). Dramática, sentimental e fazedora de tempestades em copo d'água, adoro bancar a escritora e ser a dona da verdade. Gente normal me dá sono e sofro de um pequeno vício, um tanto grave, por filmes e séries. Acredito que o mundo, pra ser melhor, só precisa de mais amor,gentileza, poesia e muito mais de Deus.

Feito louco

Absolutamente sensível. Intenso por natureza. E profundamente real. Like Crazy é daquele tipo de filme que não se pode comparar. É feito de sentimento. Feito louco.


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Lançado em 2011, dirigido por Drake Doremus e protagonizado por Felicity Jones e Anton Yelchin, Like Crazy (Loucamente apaixonados, na tradução brasileira), é um filme que merece ser comentado. O enredo é extremamente simples e clichê. Uma moça britânica, Anna, e um rapaz americano, Jacob, se conhecem na faculdade, se apaixonam, porém essa história de amor é interrompida quando o visto de Anna vence e ela precisa retornar à Londres, sendo impedida de conseguir outro visto para entrar nos Estados Unidos. E assim, ambos precisam encarar os dramas de um relacionamento à distância. Ponto. Até aí parece que a história não rende grande coisa. Grave engano... Like Crazy é o triunfo da sensibilidade e da intensidade.

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Acredito que quem já viveu um relacionamento à distância é capaz de compreender com maior propriedade toda a turbulência que rege os 90 minutos deste filme. Porém, mesmo aqueles que jamais passaram por tal situação são colocados em um espaço-tempo em que são capazes de sentir na pele as angustias e as alegrias de viver um romance assim. Reza a lenda (leia-se uma declaração dada pelo próprio diretor) que grande parte dos diálogos entre os protagonistas foram improvisados pelos atores. Talvez esse toque de espontaneidade tenha contribuído para que a história fosse tão real e tão intensa. Os sentimentos surgiam na hora, no momento em que a câmera estava ligada, e os atores não podiam esperar por qualquer coisa que fosse.

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Embora a temática seja batida e o enredo tão simples, a verdade é que poucas obras cinematográficas conseguem mergulhar na profundidade dos sentimentos como Like Crazy faz – e o faz maravilhosamente bem –. O interessante é que o filme não é daquela classe verborrágica, com personagens emitindo longas e derramadas declarações de amor, como muitos romances são. Aqui as palavras são poucas, regradas, usadas apenas quando necessário. Os astros mesmo são os olhos dos protagonistas. O toque na pele um do outro. O sorriso triste que aparece quando se vêem. Os abraços apertados que dizem tudo que precisa ser dito. A saudade que resvala para além da tela, deixando o coração de quem assiste com aquele apertinho chato e insistente que anuncia que algo está faltando.

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Com muita sensibilidade e sinceridade, ambos os atores (aplausos a Felicity e Anton) nos levam a conhecer, e sentir em nossas próprias peles, as agruras de viver um amor em países diferentes. É possível observarmos a evolução do relacionamento dos dois, com um início tão explosivo e cheio de ânimo, até que as dificuldades rotineiras da vida, impiedosamente, vão enterrando a luz inicial, tão brilhante outrora, mas que acaba por esmaecer, relegando Anna e Jacob a uma dimensão paralela na qual tentam desesperadamente estar perto um do outro, porém, muito mais como algo que é necessário e natural do que por força de suas próprias vontades.

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O fato é que o filme é encantador. É feito para tocar a alma de quem é capaz de apreciar a sensibilidade e a sutileza às quais a obra se propõe. É feito de uma intensidade adocicada, na proporção correta, suficiente para demonstrar que a complexidade de um relacionamento vai muito além do que podemos ver. O amor pode ser a coisa mais brilhante e linda que existe no universo. Mas o amor se desgasta, se cansa. E às vezes pode não durar até que a morte se apresente. Delicado, sensível, intenso e real. Profundamente real. Like Crazy é daqueles filmes raros que gostamos de guardar como se fossem um presente especial que a vida nos deu.


Kananda Magalhães Santos

Acadêmica de Direito, 21 anos, habitando fisicamente a ilha de São Luís, MA (porque psicologicamente meus mundos são vários). Dramática, sentimental e fazedora de tempestades em copo d'água, adoro bancar a escritora e ser a dona da verdade. Gente normal me dá sono e sofro de um pequeno vício, um tanto grave, por filmes e séries. Acredito que o mundo, pra ser melhor, só precisa de mais amor,gentileza, poesia e muito mais de Deus..
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