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Porque literatura e cinema deixam a vida mais bela.

Kananda Magalhães Santos

Acadêmica de Direito, 22 anos, habitando fisicamente a ilha de São Luís, MA. Por dentro, meus mundos são vários. Dramática, sentimental e fazedora de tempestades em copo d'água, meus hobbies incluem bancar a escritora e ser a dona da verdade. Gente normal me dá sono e necessito de tratamento que combata o vício por filmes e séries coreanas. Acredito piamente que o mundo, pra ser melhor, só precisa de mais amor,gentileza, poesia e muito mais de Deus. Carpe diem! ;)

OKJA: a verdade que nenhum de nós quer engolir

Uma das mais recentes produções originais da Netflix tem despertado comentários a respeito das críticas que faz ao capitalismo e à industria alimentícia. Com um enredo capaz de fisgar qualquer coração, Okja merece os aplausos que tem recebido.


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Do cineasta e roteirista sul-coreano, Bong Joon-Ho, responsável por alguns sucessos como “O Expresso do Amanhã”, o novo filme original da Netflix merece aplausos. “Okja” realiza a proeza de, ao mesmo tempo, ser adorável e assustador. A Narrativa tem seu início quando Lucy Mirando (interpretada pela maravilhosa Tilda Swinton) anuncia que sua empresa de serviços alimentícios descobriu uma nova espécie de porco nomeada de “superporco”. Vinte e seis dessas espécies seriam distribuídas a fazendeiros ao redor do mundo para criá-las durante dez anos, e ao fim desse período, através de um concurso, o melhor “superporco” seria escolhido. Então somos apresentados a Okja, uma “superporca” criada nas montanhas da Coreia-do-Sul por um velho senhor e sua neta, Mikha (interpretada pela atriz sul-coreana Ahn Seo-Hyun). Mikha cresceu com Okja, existindo entre as duas uma relação extremamente forte e bela. Quando Okja é escolhida como melhor “superporco” e levada embora para Seul, Mikha não mede esforços para salvar a amiga e embarca em uma verdadeira epopeia para trazê-la de volta para casa.

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Talvez “Okja” não seja um filme dos mais surpreendentes, haja vista a previsibilidade do seu desfecho, porém, esse aspecto em nada diminui a maravilha desta produção da Netflix. Com presença garantida no Festival de Cannes de 2017, o filme despertou inúmeros comentários em razão da crítica ferrenha que faz ao capitalismo, em especial à indústria alimentícia que pouco se importa com a saúde de seus consumidores ou com o bem-estar dos animais, preocupando-se apenas com os lucros. Infelizmente, esta é uma verdade que poucos de nós aceitam engolir, talvez pelo horror que ela traduz ou por pensarmos que, se for assim, também seríamos cúmplices de enormes crueldades.

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É verdade que a indústria alimentícia, por vezes, se utiliza de meios bem pouco ortodoxos para vender o seu produto. E é verdade também que já fomos atingidos por notícias bastante chocantes e obscuras a respeito do que acontece por trás da produção de alimentos. Nesse ponto, Okja consegue nos tocar com muita profundidade e agressividade. É quase impossível não nos sentirmos temerosos e aflitos pelo possível (terrível) fim de Okja. Torcemos de todo o coração para que Okja não se torne apenas um pedaço de carne embalada nos corredores do supermercado.

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Acredito que uma das cenas mais fortes seja o momento em que centenas de superporcos emitem, ao mesmo tempo, um som assustadoramente triste. É um lamento que consegue exprimir toda a dor e sofrimento daqueles animais. Todos presos em sua própria morte e sem esperança alguma de salvação. Por óbvio que o filme não pretende que a população mundial torne-se vegetariana e pare de consumir alimentos de origem animal, nada disso. O que Okja nos traz é o alerta do quanto a sede por lucro, que jorra do capitalismo, pode ser prejudicial para a humanidade. E eu digo “humanidade” em todos os seus sentidos. Físico e espiritual.

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Okja, portanto, torna-se um filme encantador pela forma incisiva com que nos toca, com que nos faz refletir a respeito das crueldades que o sistema capitalista nos impulsiona a fazer. É, de fato, uma produção que merece a atenção que tem recebido, principalmente por levantar um debate que, nos dias atuais, é de tão grande importância.


Kananda Magalhães Santos

Acadêmica de Direito, 22 anos, habitando fisicamente a ilha de São Luís, MA. Por dentro, meus mundos são vários. Dramática, sentimental e fazedora de tempestades em copo d'água, meus hobbies incluem bancar a escritora e ser a dona da verdade. Gente normal me dá sono e necessito de tratamento que combata o vício por filmes e séries coreanas. Acredito piamente que o mundo, pra ser melhor, só precisa de mais amor,gentileza, poesia e muito mais de Deus. Carpe diem! ;) .
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