palavratela

Porque literatura e cinema deixam a vida mais bela.

Kananda Magalhães

Advogada em início de aventura, 23 anos, habitando fisicamente a ilha de São Luís, MA. Por dentro, meus mundos são vários. Dramática, sentimental e fazedora de tempestades em copo d'água, meus hobbies incluem bancar a escritora e ser a dona da verdade. Gente normal me dá sono e necessito de tratamento que combata o vício por filmes e séries coreanas. Acredito piamente que o mundo, pra ser melhor, só precisa de mais amor,gentileza, poesia e muito mais de Deus. Carpe diem! ;)

TOLERÂNCIA NOSSA DE CADA DIA OU DO INDUBITÁVEL CONTO DE FADAS DO MUNDO REAL

Será que a tolerância clamada aos quatro ventos é a tolerância verdadeira?


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Vivemos uma época em que as minorias têm tido mais espaço. É inegável. Por óbvio que ainda há um caminho muito longo a ser percorrido para que o respeito e a atenção às demandas dos desprivilegiados sejam efetivamente atendidas. Mas é fato que as vozes têm gritado mais alto, e mais ouvidos têm escutado.

Porém, em meio às pessoas coerentes e sensatas que sabem como brigar por seus direitos, sempre haverão os desconexos. Aqueles seres imaturos que desvirtuam o movimento e são prato cheio para que a mídia sensacionalize e subverta, aos olhos dos leigos, o conceito real da discussão.

Sim, porque é preciso ser leigo. A desinformação é que conduz ao pré-conceito errôneo e abusivo. É preciso entendermos de uma vez por todas que a mídia não pode ser a formadora de opinião suprema. É por isso que, como seres pensantes que somos (ou deveríamos ser), temos que duvidar, questionar, ir atrás da fonte ao invés de tomar por verdadeira qualquer informação jogada ao vento e captada por nossos sentidos por meio do filtro das redes sociais e da televisão.

Os debates são muitos, e muitas são as pessoas dispostas a exporem seus pontos de vista e colocarem-se no front da defesa de suas bandeiras. E não há problema algum em debater, afinal, é como diz aquela música, “se não faz sentido, discorde comigo, não é nada demais”. Porém, a grande tragédia que fere de morte a validade da boa discussão é a irracionalidade. Sabe aquela história de que futebol e religião não se discute? Pois é. Hoje caminhamos para um futuro em que talvez se dirá que nada se discute.

Uma vez em uma roda de debates sobre um dos temas polêmicos que assolam a sociedade, o vírus da irracionalidade pode se apoderar de alguns, e o que antes era uma conversa saudável e construtiva, pode se tornar um verdadeiro campo de guerra, no qual o único objetivo é aniquilar o inimigo e fazê-lo perecer em seus pobres e inverídicos argumentos, porque, claro, apenas os meus argumentos são absolutamente verdadeiros. E nesse campo de guerra nos falta a sensibilidade em perceber que a liberdade de ter seus próprios pontos de vista abençoa a todos. A chuva cai sobre bons e maus.

Direita, esquerda. Ateus, cristãos. Homens, mulheres. E et cetera, et cetera, et cetera. Todos têm as suas pautas, os seus pleitos, o seu discurso. E todos têm o direito de expô-los, senão não viveríamos em uma República democrática. Por certo que a natureza humana, temperamental como é, não consegue esquivar-se de suas paixões avassaladoras, e é normal elevar o tom de voz, salpicar a fala com um pouco de ironia ou sarcasmo, mas jamais poderá ser visto como normal anular a voz do outro, manchando o debate com ódio.

Infelizmente, a mancha do ódio é o que mais se vê nos discursos atuais. Todos são tão cheios de verdades absolutas, bradando, enraivecidos, sempre que alguém se põe do lado contrário. Não há ponderação, civilidade, respeito. Não existe mais o ouvir o outro para, então, rebater suas opiniões. Primeiro você grita. E então continua gritando cada vez mais alto, para que ninguém ouça a voz de quem contrariou você.

E é cômico o fato de que nunca antes se falou tanto em tolerância quanto agora. O mundo costuma se dividir em dois lados, seja qual for o debate, e ambos os lados imploram por tolerância. Mas o que acontece quando o lado A passa a acreditar que para ser tolerante, o lado B precisa desaparecer, e somente a sua verdade deve ser coroada? A resposta é uma só: ocorre o fenômeno da intolerância.

Então reflitamos juntos: se eu posso falar da minha verdade, e você tem que se calar perante ela, nós estamos sendo tolerantes, ou vivendo a era do conto de fadas do mundo real?

Eu acredito em um debate inteligente. Ainda que pareça ingenuidade a alguns. Acredito que o respeito e o ouvir o outro são possíveis. Muito mais do que um mundo dividido em dois, somos todos pertencentes à espécie humana, e dessa forma, cada qual pensa a seu modo, e é importante para a nossa sobrevivência que saibamos dar ao outro a oportunidade de se expressar. Caso contrário, morreremos entalados com a nossa própria soberba.

Vamos continuar torcendo para que a tão sonhada tolerância se aposse de todos nós, e não apenas de algumas parcas almas ajuizadas. Que lado A e lado B possam ter suas vozes ouvidas um pelo outro, com o respeito e a consideração que nos torna humanos.


Kananda Magalhães

Advogada em início de aventura, 23 anos, habitando fisicamente a ilha de São Luís, MA. Por dentro, meus mundos são vários. Dramática, sentimental e fazedora de tempestades em copo d'água, meus hobbies incluem bancar a escritora e ser a dona da verdade. Gente normal me dá sono e necessito de tratamento que combata o vício por filmes e séries coreanas. Acredito piamente que o mundo, pra ser melhor, só precisa de mais amor,gentileza, poesia e muito mais de Deus. Carpe diem! ;) .
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