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Sou como sou. Saio de mim e vou procurar-me, ou procurar-TE, pelas palavras que me fluem dos dedos.

PAULA PEDRO

Escrevo a urgência do que me vai na alma. Dou cor às palavras. Danço com o imaginário, Crio! Vivo! Arte, música, letras... cultura, são os meus átomos.

CARTA DE UM AMOR AUSENTE: O NOSSO!

Meu amor, tenho que partir. Se continuar aqui, neste beco sem saída, à tua espera, muito em breve serei tolhida pelo frio, pelo sentimento de vazio de ti, e pelo vazio das horas do dia... à medida que a noite chega de mansinho.


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Assim de repente, poderá parecer-te inusitada esta forma de me expressar a ti, e logo por carta; eu, que sempre fui tão directa e lancinante nas palavras, desprezando quaisquer rodeios ou subterfúgios, quando o assunto em cima da mesa é a verdade, e, nada mais do que a verdade.

Inclusivamente, poderás interpretar este meu gesto como um acto de cobardia, por não me atrever dizer-te nos olhos que a nossa história termina aqui, que definitivamente desisti de nós, e, por isso mesmo, encontro-me na porta de saída da tua vida.

Mas sabes que mais? Tampouco me importa.

Sabes bem que nunca fui de choraminguices, de suplicar aquilo que supostamente deve vir de dentro, do fundo da alma, do coração, ou de lá onde quer que seja, que o amor habite.

Dei-te o melhor de mim, acredita! E tu? Deste-me o que te foi possível; certo? Quiçá por não teres mais para dar? Ou por teres outros interesses? Ou mesmo, eu não ser a tal?

Não! Não penses que te recrimino. Ninguém pode dar aquilo que não tem, não sente; a menos que viva a vida, como que num palco, representando.

É curioso… sempre tive a noção que jamais conseguirias amar-me, com a intensidade com que te amei. Descobri-o pelos pequenos nadas que aguardava expectante, de ti, e que tardavam em chegar, ou não chegavam de todo. Lutas inglórias, as minhas.

Se fui feliz contigo? Claro que fui! E tu? Acredito que vivemos bons momentos, mas só isso mesmo, faltando o necessário substrato para o nosso “gostar”, – quentinho e confortável – crescer.

Hoje sei que desistir é o melhor caminho para nós; a única saída deste labiríntico limbo em que nos acomodámos no tempo, fustigados pela rotina entediante.

Hoje sei, sinto que o melhor de mim está para chegar…

Adeus Paul.

(História ficcional)

Paulo Gonzo - Dei-te Quase Tudo [HQ+Letras]

© Paula Pedro

Fonte: Pamarepe


PAULA PEDRO

Escrevo a urgência do que me vai na alma. Dou cor às palavras. Danço com o imaginário, Crio! Vivo! Arte, música, letras... cultura, são os meus átomos..
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