Daniela Santos

Se sua mente parar de duvidar das verdades, parte de você já estará morta.

O curto e imenso espaço chamado vida...

"Nós não temos todo o tempo do mundo
E esse mundo já faz muito tempo" - Pitty


Mario Sergio Cortella, grandiosíssimo filósofo e historiador brasileiro em sua entrevista ao Canal Livre, do qual o tema se tratava da Vida, Morte, Longevidade, me despertou uma reflexão a respeito de uma visão um tanto lúdica referente à linha de tempo das pessoas e os lugares que as mesmas frequentaram durante sua vida. Passado, presente e futuro misturados de uma forma um tanto sistemática. Peço-lhes que se imaginem em um labirinto, no qual este tem entradas diferentes para que você escolha e viva uma delas, e ao mesmo tempo imaginem paisagens variadas em cada uma dessas escolhas. Cortella, que em suas palestras ou entrevistas sempre me proporcionou o ato de refletir a respeito de diversos assuntos cotidianos, que nos passa despercebidos por causa da nossa rotina agitada, novamente me fez parar por um momento para divagar.

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Ao pedir que imaginemos nossos passos escolhendo racionalmente ou emocionalmente decisões da nossa vida, Cortella exemplifica sua mãe ao voltar depois de muitos anos ao local da sua infância, ao dizer isso o mesmo cita o armarinho da dona Arminda que de repente, após claro as mudanças e formas de pensar das pessoas, não está mais lá. “As coisas foram desaparecendo, gerando uma ideia de abandono no cotidiano”. (CORTELLA) Tal pensamento me fez imaginar como as coisas no nosso dia a dia se alteram rapidamente e ao mesmo tempo que vagarosamente. Cortella então me fez lembrar de um passado não muito distante, mas também não muito próximo do qual edificações e pessoas sofreram alterações no decorrer de tal linha do tempo. Indo um pouco além do proposto, imagine você no local onde passou toda a sua infância, se imagine lá ou até mesmo vá até esse bairro, se tiver oportunidade. Tente montar mentalmente e com os olhos fechados, momentos da sua infância, brincadeiras, vizinhos, entre outras lembranças. Consegue sentir a mesma sensação de antes? Talvez não, pois estamos mais velhos e alguns até um pouco mais maduro. Abra os olhos novamente, e verá como tudo mudou. Como a padaria da esquina desapareceu, o cachorro do vizinho que correu atrás de você já não está mais lá para fazê-lo novamente. Observe as casas, pintadas com outras cores, as plantações que haviam no terreno à frente se transformaram em um barracão e algumas casas.

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Tudo mudou, exatamente onde você passou um terço da sua vida, o tempo levou, outras vidas nasceram, sobraram as fotos, as lembranças em sua mente, mas o sentir daquilo tudo, passou. E diante disso o pensamento de qual é o valor da sua vida fica mais significativo, o que você está deixando nos lugares onde o tempo vai passar e levar? O que você está “plantando” no local de sua existência? Reflita, a vida é só uma, mas é possível viver várias durante ela.

Link de acesso à entrevista que motivou o artigo acima.

https://www.youtube.com/watch?v=elDaZhMDdMU


Daniela Santos

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