Daniela Santos

Se sua mente parar de duvidar das verdades, parte de você já estará morta.

Um universo paralelo chamado FIQ

A chama da arte brasileira ainda sobrevive, apesar de não ser apreciada pela massa capitalista, aquecendo os sonhos e corações de crianças, jovens e adultos.


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Um convite aceito há dois meses me sugeriu imaginar várias pessoas tímidas, de óculos e com seus traços um tanto irregulares. Me fez imaginar um espaço quase vazio, com algumas crianças e talvez, claro, uma estátua da Mônica, do Mauricio de Sousa. Estou falando do FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos, realizado em Belo Horizonte - MG. Mas então chego, depois de quase nove horas de viagem, e já na entrada é quase impossível entrar sem ser esmagada por corpos de diversas formas, pessoas fantasiadas e mais adiante diversas mesas e stands pelos corredores, no qual o layout foi muito bem organizado. Um rápido pensamento me vem à mente: “Putz, eu sou a Penny” - Personagem do seriado americano The Big BangTheory, não era nerd e não entendia os diálogos dos seus quatro amigos Leonard (namorado), Sheldon, Rajesh e Howard. Com um pouco de jeito consigo chegar à mesa de uma amiga desenhista que foi a autora do convite citado no início do texto. Mas te digo, chegar à mesa era uma coisa e conseguir falar com ela era outra totalmente diferente. Espero mais um pouco e as pessoas que lá estavam para comprar suas obras se dispersam e então consigo cumprimentá-la e de quebra comprar meu exemplar, pois parecia que acabaria rápido. Resolvo andar pelo local pra ver como aquilo funcionava. Como assim tudo lotado? Cadê os nerds tímidos com traços irregulares? E um detalhe que preciso destacar,sabe lá em cima quando disse que havia imaginado que os traços deles eram irregulares, amadores? Pois é, quebrei feio a cara, seus desenhos são realistas, detalhados e não só os desenhos mas as histórias que os compõe. Mais uma surpresa ocorreu para mim ali,o público presente não era em sua maioria crianças, como eu esperava que fosse, mas sim homens e mulheres de todas as idades, de todos os estilos e de todos os lados do Brasil. Encontrei lá pessoas de Fortaleza- CE, Cuiabá - MS, Rio de Janeiro e muitas outras cidades de outros estados. Isso mostra como a arte no Brasil, apesar de serem por poucos, é procurada e adorada. Incrível ver os quadrinistas ou roteiristas expondo, conversando e compartilhando seus trabalhos com o orgulho de quem realmente ama o que faz. Ainda caminhando pelos corredores do espaçoso e bem estruturado patrimônio histórico de Belo Horizonte Grande Serraria, encontro mais alguns desenhos de vários artistas expostos em um tipo de parede distribuído em grande número.

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Desenhos esses que retratavam personagens da Turma do Xaxado, homenageando o quadrinistasAntônio Cedraz, falecido em 2014 aos 69 anos. Seus quadrinhos conhecidos pela retratação da vida nordestina expunham todo o universo, costumes e sotaques de tal parte do nosso país. Considero a homenagem válida e importante para o público em geral, digo isso por mim mesma que achava que só existia o Mauricio de Sousa no Brasil como melhor quadrinistas.

Imagen Thumbnail para 650x375_antonio-cedraz_1446746.jpg Cartunista brasileiro, Antônio Cedraz - 1945/2014. (Imagem retirada do site UOL)

Caminhando mais um pouco, “esbarro” em alguns amantes dos quadrinhos reproduzindo tais personagens em suas fantasias, os famosos cosplay e realmente eles levam isso asério também, todos idênticos aos personagens originais. Além de quadrinistas e roteiristas de todas as idades expondo suas obras, o tipo de trabalho deles é tão profissional e sério quanto significativos. E foi muito legal ter essa visão, de que quadrinhos, mangás e outros nomes oportunos, fazem com que as pessoas realmente comecem a pensar em suas ações. Falo isso porquenas entrelinhas, talvez não de todos, mas de sua maioria há uma critica, uma mensagem, há um pensamento que o autor quer passar ao leitor e fazê-lo pensar a respeito. O evento ocorre a cada dois anos, espero que até o próximo eu consiga me tornar um pouco mais parte desse outro “mundo”, que torna as coisas tão simples não só pelos desenhos e pelos escritos, mas também pela energia que os artistas nos transmitem. Agora me recolho no quarto, retirando todos os HQ que comprei, foram muitos, e alguns outros que ganhei da mochila para viver um pouco desse universo paralelo cheio de imaginação.

Gostaria de fazer um agradecimento especial para Chairim Arrais, quadrinista talentosíssima, gratidão por essa oportunidade inesquecível.


Daniela Santos

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