paradoxos

[...]O paradoxo deverá ser, penso eu, o espelho que a história usa para debochar de nós.

Fabiano Gomes (Fabs)

"Sou uma contradição que chega, em certos casos, a se opor às razões do pensamento humano ou nega o que a maioria tende a acreditar, sou um comediante, sou um paradoxo".

-Metalinguagem Lisérgica Mutante-

"No menor sinal de loucura, apenas entregue-se". Uma crônica lisérgica, inspirada nos efeitos musicais da Banda de rock Brasileiro dos anos 60, "Os Mutantes".


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Trovoa meu peito em esperanças, de que alguém apareça e me salve. Peço ajuda ao acaso, pois cansei de tentar conhecer quem já conhecia. Passo os dias escutando Os Mutantes, passo as tardes escutando Beatles, passo as noites escutando meus sonhos.

Ando sem saber para onde, em busca de algo que não sei o que é. Minhas pupilas trafegam pela vastidão do oceano de possibilidades, em busca de uma pira de sentimento que nunca senti. Perco meu tempo em aceitar que já vivi minha grande história de amor.

Perco meu tempo em achar que viverei uma grande história de amor.

Perco meu tempo em achar que viverei.

Perco meu tempo.

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A melancolia dissolve por entre meus dedos, chego até a criar escarnio do que protelo, me odeio tanto quanto as propagandas sem sentido que vejo. Na esquina, minha irmã, de sangue, escuta “O caminhante noturno” e lembra de mim. Em outro estado, de espirito ou de território, minha irmã, de vida, escuta “A day in the life”, e aos prantos dedica um abraço que não posso mais receber, seja pelo território ou pelo espirito.

Marquei três loucos em minha pele, para recordar a felicidade ensandecida que à mim foi reservado, assim como a filosofia barata que palestro, em festas juvenis de perdição. O vento me trás calafrios na espinha matinal, o trompete do tempo me faz regojizasse com sua melodia de caprichos, onde me forço a chorar, mas, lagrimas não existem, estamos na seca psicodélica do sertão, o mundo nunca mais será o mesmo.

Distorções do espaço tempo, clamo por um caos sem medidas, no meio dessa paz monótona, para que o caminho do louco seja direcionado, longe desse abismo. As guitarras destroem meus tímpanos, não reclamo, pois meu coração novamente pulsa. Em minha mente sinto orquestras de gritos, todos de uma lisergia incomparável, a vida se torna um moinho de vida e morte, uma roda da fortuna onde escrevo no mesmo ritmo que um pianista dedilha sua amada.

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Mesmo sentado na sala de minha avó, viajo por eras, na esperança de nunca mais voltar, no fronte vejo o caminhar da inocência, em um violino distorcido meu ombro dói, não tenho posição para rir, chorar ou gritar. Não tenho mais direitos de ficar maluco em meu próprio país, vejo armas em cinturas e hipocrisias nas mentes.

Não me perderei por ai, não agora, temos que ver melhor o que está vindo, devemos seguir sem pressa e destoar na maturidade da revolução. Poucos entenderão o que digo, muitos correrão os olhos e esquecerão. A mosca continuará a pousar, o caminhão continuará a passar, pessoas continuarão a morrer, amar, pensar, mentir, chorar…

Minha visão fica turva, volto a ter lucidez, meu celular me chama, as responsabilidades batem no hipotálamo, peço desculpas aos porcos e volto a razão, acabando com a metalinguagem lisérgica mutante… Por enquanto.

-Fabs

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Fabiano Gomes (Fabs)

"Sou uma contradição que chega, em certos casos, a se opor às razões do pensamento humano ou nega o que a maioria tende a acreditar, sou um comediante, sou um paradoxo"..
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