pari passu

Pensando o caminho.

Lucas Rocha

Professor, leitor e cinéfilo. Mineiridade à flor da pele.

VIAJAR NEM SEMPRE É A RESPOSTA

Pode ser que a procura pela "selfie perfeita" te instigue. Pode ser uma genuína vontade de trilhar o mundo e "sugar o tutano da vida", como diria Thoreau. Pode ser um pouco dos dois, como podem ser muitas outras coisas. Em todo caso, apenas viajar não é a resposta!


nns00.jpgChristopher McCandless

É bem verdade que sair por aí pode ser chave para muitas alegrias, descobertas e talvez um bronzeado novo. Mudar de ambiente é crucial para uma vida plena, do contrário, acabamos por nos confinar em um universo pequeno e insosso. Mas, viajar, apenas, não é a resposta para os seus problemas. Simplesmente arrumar as malas e reservar o melhor bangalô numa praia da Indonésia não vai mudar o fato de o trabalho/casamento/autoestima ir mal. Como bem lembrou o filósofo romano, Sêneca em Aprendendo a viver:

"Deves mudar o ânimo, não o céu. Mesmo que atravesses o vasto mar, mesmo que, como diz o poeta Virgílio, 'se percam a terra e as cidades", os vícios te seguem e te perseguem aonde quer que vás"

"Viajar para a Disney vai me aproximar das crianças", você pode pensar. Mas, nem o brinquedo mais radical pode te fazer um pai legal, se falta afeto durante o ano todo. "A índia vai despertar meu eu interior", você pode dizer a si mesmo. Mas nem mesmo o Buda poderia mostrar o caminho se você não estiver em paz ao partir.

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Tome o seguinte exemplo: quem tem medo de fantasmas, vai ter medo de fantasmas, seja em um hotel de Copacabana ou em um castelo medieval na Escócia. Aquilo a que estamos condicionados aqui, não vai mudar simplesmente porque mudamos de lugar. O filósofo indiano, Osho, nos lembra em O Livro do Ego que toda a nossa história nos acompanha em qualquer lugar que estejamos. Se não houver harmonia interna, de nada adianta rodar o mundo:

"A verdade está na pessoa, e tem que ser encontrada nela. A pessoa não tem que ir a lugar algum. E, aonde quer que vá, permanecerá a mesma. Então, qual o sentido? Pode ir para o Himalaia que não vai mudar nada. Ela vai carregar consigo mesma tudo o que tem, tudo o que ela se tornou, tudo que tem feito. Ela vai carregar toda a sua artificialidade. E suas faces sintéticas, seu conhecimento emprestado"

Particularmente, adoro viajar. Quase não gasto dinheiro com "balada" para poder rodar o máximo que posso, mas não tenho ilusão: o lugar não muda o meu estado de espírito, pelo contrário, meu estado interior é que torna a estadia, onde quer que eu esteja, mais aprazível.


Lucas Rocha

Professor, leitor e cinéfilo. Mineiridade à flor da pele..
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