parresía

A solidão nunca me deixa só

Lucas Fernando

Vivenciando a Estética da Existência... aquela que faz da Vida uma Obra de Arte!

Felicidade: Paraíso que Boicotamos

O auto-boicote, de cada um, faz por tornar distante a própria realização dos sonhos. Aquele amor sempre esperado, sabe o que fazemos ao ser conquistado? Simplesmente afastamos. O medo é a violência insegura para com a nossa felicidade.


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É surpreendente a lista de filmes, livros e teorias que discursam sobre o Amor. Melhor dizendo, sobre os relacionamentos afetivos que exigem certo grau, privilegiado, de comprometimento.

No Brasil temos o famoso psiquiatra Flávio Gikovate, que renova sua página no facebook, diariamente, com novas abordagens e exemplos a respeito da dramaticidade da vida humana em lidar com um vínculo bem estabelecido. Em sua longa carreira de terapeuta de casais, que já ultrapassa 3 décadas, percebeu ele que, na verdade, temos é medo de sermos felizes.

Loucura não? Como assim medo da felicidade? Não seria essa a nossa única razão de vivermos? Aristóteles escreveu diversos tratados sobre a eudaimonia, termo grego que designa a qualidade de alguém sabiamente alegre, ou seja, feliz. Mas, a Civilização Ocidental ainda não aprendeu?

Pois bem, o que o psicoterapeuta brasileiro percebeu é o fato de que nossa constituição subjetiva é formada desde a época em que estávamos na barriga da mamãe. A fase da gestação representa ao bebê o paraíso, tendo em vista que há uma forte ligação corpórea, emocional e afetivo com a mãe, da qual faz com que a criança se sinta totalmente protegida e segura.

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Mas, ao nascer ocorre aquilo que Freud já havia percebido, um certo trauma. Fomos obrigados a entrar num mundo novo e estranho, já para além da química relação mãe-bebê. Mas agora: numa relação de ser-no-mundo (expressão de Heidegger). O choro da criança ao se ver expulso do paraíso uterino, faz tornar aquele momento o primeiro canal de encontro do bebê com o mundo da linguagem (cultura), este por sua vez é confuso.

Ao longo da história pessoal de si, vamos dando conta que nem sempre conseguimos traduzir aquilo que está externo em nós para si mesmo e muito menos dizer o que ocorre conosco para ao nosso redor. Seja pela difícil leitura dos fatos, ou devido à má interpretação dos nossos sentimentos perante experiências vividas. Aí está o embate do nosso conflito como ser.

Relacionar com alguém em nível de amor, é buscar aquele paraíso perdido do ventre materno. Ao encontrar a pessoa amada, um novo útero nos é apresentado.

O trauma do nascimento, por sua vez, é algo já fortificado na sensação de que iremos ser abandonados a qualquer momento. Por isso, temos receio da felicidade. Medo da ruptura abrupta.

Nada consciente, obviamente. Até porque, nosso inconsciente é atemporal e por isso temos em vários momentos da vida a sensação de Déjà vu. Ter medo de se comprometer verdadeiramente com alguém (que de fato amamos), é na “verdade” medo de que um dia aquele amor que tanto nos faz bem - poder, de repente, se romper e nos fazer sofrer muito.

Por isso, Gikovate acredita que é comum casais que muito se amam, acabarem estabelecendo, entre si, os mecanismos psicológicos de auto-boicote. Sem perceberem, o casal que tanto se ama, começa a inventar conflitos desnecessários e quando por fim está tudo terminado, bate a dor de se darem conta que não era o término que desejavam e sim a eterna convivência.

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Para afastar o medo de perder o(a) conjugue, tomamos atitudes de fazer perder o medo que carregamos e que nos angustia. É o famoso esquema psicológico de auto-boicote, que podemos nominar como: mecanismo de defesa.

Porém, ao não se ver mais com medo – porque já não está com a pessoa amada, fica a triste sensação de Luto, pois a perca do importante Amor é “um ensaio da Morte” na nossa Vida!


Lucas Fernando

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