pasárgada

Meu amigo, o rei, tem livros

Ana Paula De Cassia Oliveira

Estudante de medicina. Escritora de "Lembranças Perdidas". Dona de uma gata chamada Sophie.

Amor nos tempos de Jane Austen

Trazendo o tema principal de “Orgulho e Preconceito” para os dias atuais com a independência feminina não há sentido algum em esperar este nobre cavalheiro possuidor de boa fortuna que transformará a pobre mocinha em uma “Lady”. Mesmo a adorável Duquesa Kate Middleton, casada com o príncipe herdeiro do Reino Unido, era uma milionária, ainda que plebeia, o que descaracteriza o “Conto de Fadas” tão almejado pelas jovens...


Orgulho-e-Preconceito-2.jpg

“É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro, em posse de grande fortuna, deve estar procurando uma esposa.” Está é a frase de abertura do livro “Orgulho e Preconceito”, obra notável da clássica escritora britânica Jane Austen.

O livro se tornou amplamente divulgado após a sua adaptação para o cinema em 2005, tendo como protagonistas a talentosa Keira Knightley e o veterano Matthew Macfadyen. A produção cinematográfica, bem como a obra original, atingiram sempre diversos públicos, mas é certo que, a autora, Jane Austen, veio a cair definitivamente nas graças do grupo infanto-juvenil após ter um trecho de sua obra citado pela personagem Bella Swan, a protagonista da saga “Crepúsculo”, um dos fenômenos da literatura atual.

Desde então, uma nova geração de fãs tem surgido e aumentado à procura desenfreada por conteúdos relacionados à autora, cujo bicentenário de morte comemoramos no próximo ano. Devido a essa grande busca feita todos os anos, várias edições novas de seus livros são lançadas, além de obras relacionadas à sua vida e até algumas readaptações peculiares de “Orgulho e Preconceito” que incluem inusitados personagens como zumbis. A indústria não para, tudo é feito para fisgar as leitoras avidas por aquele amor perfeito entre Elizabeth e o magistral Mr Darcy.

A obra retrata uma mãe com cinco filhas, cuja missão é casá-las o mais depressa possível e com o melhor partido encontrado, pois quando seu marido morrer ela e suas meninas ficarão na pobreza. A salvação da mãe aflita está na segunda filha mais velha, a independente Elizabeth Bennet, que recebe uma ótima proposta de casamento que, para o desespero da mãe, é recusada terminantemente pela jovem que deseja se casar por amor. Em contrapartida, um certo herdeiro muito orgulhoso chama sua atenção. Trata-se de Mr Darcy que a principio descreve Elizabeth apenas como razoavelmente bonita.

A partir de então uma série de eventos dramáticos desfecham a trama secular. Thumbnail image for tumblr_lmbxbsme6e1qdnpk0o1_500_larged.jpg

A grande questão é que Jane Austen escreveu um romance lindo a primeira vista, porém utópico como ela deixa implícito nas entrelinhas, pois, obviamente um homem de boa fortuna, jamais se casaria com uma moça sem dote em uma época em que os matrimônios aconteciam por negócios. Austen escreveu a história sobre uma exceção, talvez, ouso dizer que fez um livro sobre o que ela gostaria de ter vivido, pois foi uma mulher que preferiu ficar solteira recusando uma boa proposta de casamento já que não pode ficar com seu Mr Darcy. Um grande ato de coragem, em uma época em que o casamento era um ato imposto e necessário para sobrevivência da grande maioria das mulheres.

Hoje há suspiros pelo tal cavalheiro de época criado por ela. Dizem que nada se compara ao Mr Darcy e que deveríamos ter nascido naquela época. Porém, eu contesto essa teoria, antigamente os casamentos eram arranjados, a cortesia um mero costume. Digo mais, lendo “Orgulho e Preconceito” com mais atenção percebemos que não se trata de um romance “água com açúcar”, porém uma grande crítica a sociedade inglesa de sua época.

Trazendo o tema principal de “Orgulho e Preconceito” para os dias atuais com a independência feminina não há sentido algum em esperar este nobre cavalheiro possuidor de boa fortuna que transformará a pobre mocinha em uma “Lady”. Mesmo a adorável Duquesa Kate Middleton, casada com o príncipe herdeiro do Reino Unido, era uma milionária, ainda que plebeia, o que descaracteriza o “Conto de Fadas” tão almejado pelas jovens.

Portanto, quando Jane Austen anuncia em seu livro que um homem de grande fortuna deve precisar de uma esposa, sarcasticamente expõe as expectativas das jovens de sua época, isto é, um homem que as leve da situação de miséria a riqueza. Levando a frase ao pé da letra, quem precisa de um Mr Darcy em pleno século 21? Há dois séculos na era Vitoriana de Jane Austen, a mulher de fato precisava de um marido que a sustentasse ou ficaria na maioria das vezes dependente da caridade alheia. Contudo hoje não, mas aceito perfeitamente uma cópia do lindo Matthew Macfadyen, e digo mais, dispenso o perfeito cavalheiro. Porque ele só existe na imaginação da minha querida autora Jane Austen, que apesar da morte precoce aos 41 anos, deixou um legado imortal.


Ana Paula De Cassia Oliveira

Estudante de medicina. Escritora de "Lembranças Perdidas". Dona de uma gata chamada Sophie. .
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/literatura// @obvious, @obvioushp //Ana Paula De Cassia Oliveira