patrícia dantas

Crônicas das nossas realidades e ficções

Patrícia Dantas

Sou aquela que acredita que as palavras podem salvar o mundo de todo o tédio que existir nessa vida.
Convido a visitarem meu blog em total liberdade: http://emtotalliberdade.blogspot.com.br/

A liquidez de quem escreve

Temos o hábito de gritar ou nos calar por completo diante das grandes descobertas. Tudo isso é como enredos, tramas, personagens soltos, ambientações, traços físicos e psicológicos, longas caminhadas dentro de cada ser e personagem, intercalados com nossos momentos de criação e vivência de todos os atos.


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Pessoas reais e personagens: eles aparecem e ganham vida de forma natural e incomum. Já estão todos aqui. Vêm de uma só vez, mas não se apresentam ao mesmo tempo, ganham vida, histórias e memórias. Acontecem, e são como gente de verdade, muito reais dentro de capas quase intocáveis; são jogados ao mundo como estranhos atirados dentro da gente, para que as pessoas os experimentem. Todos.

Papel e caneta na mão. Ou o movimento do teclado para quem já se acostumou com a sonoridade insistente, ritmada, segura e veloz como o pensamento que vai tateando formas de vida e se lançando ao desconhecido universo paralelo desses outros. E eles logo vêm, como sombras e espectros; representações nuas e crueis a respeito de quem se criou ali naquele momento.

É estranho montar, construir elencos diversos em que eles ficam tão desorganizados como uma família-problema, passam por momentos complexos e vão se encaixando nas situações da vida. Não há artifícios para se organizar todos eles dentro de um universo ainda imaginário, porque eles são ambíguos em suas essências, viajantes na pretensão ousada de existir e ganhar o domínio do espaço e tempo que correm.

E eles, quando nos pegam, quase sempre desprevenidos dentro da gente, é melhor corrermos para buscar o entendimento de como se organizam com tamanho tato dentro de outro ser. Eles podem nos escapar. E se não voltarem? Muitas vezes precisamos desesperadamente deles para falarmos sobre as nossas verdades encobertas. Porque é insuportável e muito difícil conviver a gente dentro da gente. Olha o trocadilho!

E como eles sabem fazer tudo isso, criar algo com tanta sede de vida? Não sabemos. É um truque inato. Estamos caminhando ao lado deles, olhando bem dentro dos seus olhos indecifráveis. É o ato de nos vermos como realmente somos: esse nosso segundo elemento que possui sua própria companhia à disposição.

Temos o hábito de gritar ou nos calar por completo diante das grandes descobertas. Tudo isso é como enredos, tramas, personagens soltos, ambientações, traços físicos e psicológicos, longas caminhadas dentro de cada ser e personagem, intercalados com nossos momentos de criação e vivência de todos os atos.

A liquidez estranha ali persiste e segue o movimento leve das mãos misturadas aos passos apressados e pesados diante do olhar captando toda a atmosfera ao redor. Tudo está impregnado do mundo que se percebe.

Imagem via Pixabay


Patrícia Dantas

Sou aquela que acredita que as palavras podem salvar o mundo de todo o tédio que existir nessa vida. Convido a visitarem meu blog em total liberdade: http://emtotalliberdade.blogspot.com.br/ .
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