paula lario

Era pra ser um texto simples, mas virou a minha forma de enxergar a vida.

Paula Lario

Paulista, paulistana, formada em jornalismo e pós graduada em comunicação corporativa e RP. Achou que tinha tudo a ver com publicidade, mas viu que o seu negócio era mesmo escrever. Viciada em sorvetes, procura levar a vida de uma forma leve, saborosa e, refrescante. Amante de vinho e de um bom café, não abre mão de brindar os bons momentos da vida mas, principalmente, a reciprocidade!

o mundo dá voltas e eu aplaudo cada uma delas

Dizem que a vida dá voltas e isso explica o tanto de gente tonta que existe por aí. Verdade ou não, fato é que a vida dar voltas nos faz enxergar tudo de uma forma tão diferente, que chega até ser gostoso pertencer a este grupo. A liberdade de enxergar cada curva de maneira bruta e mágica me faz concluir que eu posso tirar da cartola muito mais do que um simples coelho, mas a minha liberdade.


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José Saramago foi muito sábio quando disse a seguinte frase “Das habilidades que o mundo sabe, essa ainda é a que faz melhor: dar voltas”. Eu custei um pouco a acreditar nisso, mas se tem uma coisa que hoje eu sou fã de carteirinha é das voltas que o mundo dá.

É simples. Sou fã porque é lindo de se ver que entre uma curva e outra sempre tem algo que se perde ou se acha, fazendo nossos olhos brilharem como nunca visto antes. Sou fã porque nessa trajetória maluca da vida também tem aquela linha reta sem fim definido e, de repente, aparece aquele alguém que vem direto ao teu encontro, te reencontra, te reinventa, te reencanta (ou desencanta), te fazendo ver que a vida não precisa ser do jeitinho que você tinha traçado lá no início.

Sou fã das voltas que o mundo dá porque foi em uma delas que eu aprendi que o conformismo é uma droga e que tem muita gente viciada nela. E também percebi que das muitas artes dessa vida, a arte do limite é o que estagna muita gente. O looping fez o seu ciclo e teve quem ficasse ali, paradinho em todos os momentos. Uma pena.

Mas se tem uma coisa que eu sou incrivelmente fã é das voltas que fecham ciclos. Só quem já percorreu um longo caminho e teve a sensação de dever cumprido durante todo ele sabe do que eu estou falando. O troféu é entregue na hora que, despretensiosamente, a gente olha para trás, se depara com aquela sensação boa que é rir daquilo que nos fez chorar, percebendo o quão bom foi o tempo e o amadurecimento, fieis escudeiros para a evolução de qualquer ser humano.

Também existem aquelas voltas que deixam os ciclos abertos. Essas eu assumo que não brilham tanto os meus olhos, mas sei o quanto aquieta o coração enxergar que nunca é tarde para recomeçar ou para ver de uma forma diferente aquilo que um dia nos fez bem. Porque muitas vezes as coisas voltam, voltam mais bonitas, mais leves, mais sorridentes e explicam o porquê de ter ficado aquela “coisinha” em aberto por tanto tempo. Ciclos abertos têm seu lado positivo. Eles deixam uma frestinha aberta e nos mostram aquelas situações que ficaram lá atrás, exatamente no lugarzinho onde elas deveriam estar hoje. E, entre uma volta ou outra, dá um baita orgulho ver que fomos capazes de deixar aquilo para trás, sem doer mais. Eu chamo isso de superação.

A vida nos surpreende tanto e eu tenho gostado é disso, de observar cada detalhe e notar que naquela curvinha direita das voltas mirabolantes deste mundo existem surpresas do acaso que acontecem quando menos esperamos. E de perceber também que o destino está sempre pronto para surpreender, mesmo quando nós não estamos preparados para sermos surpreendidos.

Sou fã mesmo das voltas que o mundo dá, porque foi em uma delas que eu vi que não dá pra disfarçar, a vida pede urgência. E é uma delícia ver o quanto ela consegue nos surpreender com a forma linda que as coisas tendem a se encaixar. O mundo ainda tem muita volta para dar e ainda haverá muita coisa para se aplaudir.

É só uma questão de tempo.


Paula Lario

Paulista, paulistana, formada em jornalismo e pós graduada em comunicação corporativa e RP. Achou que tinha tudo a ver com publicidade, mas viu que o seu negócio era mesmo escrever. Viciada em sorvetes, procura levar a vida de uma forma leve, saborosa e, refrescante. Amante de vinho e de um bom café, não abre mão de brindar os bons momentos da vida mas, principalmente, a reciprocidade! .
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