paula lario

Era pra ser um texto simples, mas virou a minha forma de enxergar a vida.

Paula Lario

Paulista, paulistana, formada em jornalismo e pós graduada em comunicação corporativa e RP. Achou que tinha tudo a ver com publicidade, mas viu que o seu negócio era mesmo escrever. Viciada em sorvetes, procura levar a vida de uma forma leve, saborosa e, refrescante. Amante de vinho e de um bom café, não abre mão de brindar os bons momentos da vida mas, principalmente, a reciprocidade!

o mundo é mitômano e nós somos Pinóquios da vida real

Nossas falas e nossos relacionamentos andam tão superficiais, que já não expressam o que realmente se passa dentro de nós. Eles exteriorizam desejos que não aconteceram e que tentamos representa-los nas possíveis mentiras. Pode parecer triste, e é!


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Se na época de Cássia Eller o mundo estava ao contrário e ninguém tinha reparado, tenho uma informação triste para te dar: as coisas pioraram e, além de estar ao contrário, ele também está mitômano. O detalhe é que ninguém reparou também!

Para quem não sabe (eu mesma descobri essa informação há pouquíssimo tempo), existe uma doença cada vez mais frequente chamada mitomania, que consiste em uma tendência patológica pela mentira. Mas calma que não é só isso! Além de mentir ou fantasiar desenfreadamente, a pessoa que tem essa doença ainda se convence da sua mentira e defende piamente a sua veracidade.

Segundo pesquisas, sem perceber, a gente conta em média 3 mentiras a cada 10 minutos. O filósofo David Smith explica que esse ato de desonestidade (sim, é assim que ele se remete a mentira) é resultado do instinto de sobrevivência, não só de humanos. Ele exemplifica que animais como o polvo indonésio é capaz de se disfarçar de peixe venenoso para afugentar predadores. Mas é claro que nós temos um diferencial, um talento único de mentir para nós mesmos.

O filme VIPs, que tem como personagem principal o ator Wagner Moura, retrata muito bem esse caso. Baseado em fatos reais, o longa-metragem fala de um mentiroso, que se faz passar por um grande empresário. Na história, a mentira se tornou tão verdadeira que enganou a muitos, inclusive, o próprio mentiroso.

Não parece muito doido? Pra mim é!

Porém, entretanto, contudo e todavia, pior do que descobrir a existência da mitomania e me deparar com esse monte de informação, é perceber que nós nascemos e morremos cercados de fingimento e, infelizmente, as pessoas – incluindo eu e você – mentem sim, e com a maior naturalidade que existe.

Ok, você vai tentar me convencer de que não faz parte deste grupo. Certo? Pois eu sinto lhe dizer que você não é tão santo como parece. Seja em um “diga que eu não estou na mesa” ou em um “não vi o celular tocando” as mentiras estão presentes no nosso diálogo e o mais incrível: NÓS JÁ ACHAMOS ISSO NORMAL!

Nossas falas e nossos relacionamentos andam tão superficiais, que já não expressam o que realmente se passa dentro de nós. Eles exteriorizam desejos que não aconteceram e que tentamos representa-los nas possíveis mentiras. Em um mundo politicamente correto, chega a ser estranho dizer isso, eu concordo.

Fato é que se o Pinóquio era um boneco de madeira, que sonhava em ser um menino de verdade e ficou conhecido por seu nariz crescer cada vez que dizia uma mentira, só me resta concluir então que o mundo pode até ser mitômano, até nos desenhos animados, mas e nós?

Nós somos os Pinóquios da vida real!


Paula Lario

Paulista, paulistana, formada em jornalismo e pós graduada em comunicação corporativa e RP. Achou que tinha tudo a ver com publicidade, mas viu que o seu negócio era mesmo escrever. Viciada em sorvetes, procura levar a vida de uma forma leve, saborosa e, refrescante. Amante de vinho e de um bom café, não abre mão de brindar os bons momentos da vida mas, principalmente, a reciprocidade! .
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