Chandra Santos

Jornalista

Escolher é seguir em frente. Ninguém recomeça voltando atrás

Escolher é um processo de constante dúvida. O fantasma do "E se eu tivesse feito" te persegue a todo momento. Pois para cada escolha, existe uma não-escolha. E para cada consequência de escolha, existe uma esperança positiva com relação a não-escolha. Escolher na maioria das vezes é um processo polarizado. Você escolhe, por exemplo, sofrer ou ser feliz. Escolhe ficar ou partir. Até quando você fica "em cima do muro" você escolheu deixar-se levar, omitir-se. Viver pressupõe escolher da hora do nascimento até a hora da morte. Nesse hiato você pode escolher absolutamente tudo: da roupa que vai usar, a profissão que vai desempenhar, e até mesmo por quem vai se apaixonar.


Quantas vezes você já se viu em uma encruzilhada obrigado a optar por um único trajeto, cujo destino final deveria ser positivo, sem nem ao menos ter uma ideia se aquela opção estava realmente correta? E quantas vezes lhe ocorreu de repente: "e se eu tivesse feito outras escolhas? onde eu estaria?" Escolhas. Como são difíceis. Como influenciam em nossas vidas.

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Escolher é um processo injusto para quem escolhe. A começar que a maioria delas são baseadas em emoções e no "calor do momento". Outras vezes, nem tanto. Elas são reflexos do conformismo, do "ah, não tem outro jeito mesmo" e do "adianta fazer diferente?". Dessa forma, você recebe o ônus da escolha que se estivesse pensado racionalmente não teria feito. E o pior: dificilmente consegue raciocinar uma forma de corrigir, pois você não lembra mais como aquilo começou. É um efeito dominó. Uma escolha sobrepõe a outra e o único atropelado no final é você.

Se arrependeu do que escolheu? O jeito é tentar sair do labirinto. Mas, o processo de escolha não permite voltar no tempo e muito menos possuir novamente as mesmas opções. Escolher é seguir em frente sempre. E nem adianta tentar voltar, tentar viver as mesmas situações para corrigi-las, pois o tempo, as pessoas e as oportunidades estão em eterno processo de mutação. Quem lembra do filme "Efeito Borboleta"? Nele o personagem de Ashton Kutcher descobre que possui a capacidade de viajar no tempo para habitar sua antiga personalidade e mudar seus comportamentos passados​​. No entanto, cada vez que ele alterava uma situação, alterava o próprio futuro e o de todos que o cercavam.

É como disse Chico Xavier: "Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo. Mas qualquer um pode recomeçar e fazer um novo fim.” O processo de escolher acaba tendo uma relação profunda com o oculto. Muitas vezes fala-se em destino para atribuir consequências das escolhas realizadas. De um lado o time do "Maktub - estava escrito" defende que não interessa o caminho escolhido, você vai sempre chegar onde estava pré-determinado. Você pode até lutar contra, mas vai acontecer porque tem que acontecer. Do outro lado estão os céticos que acreditam que você está colhendo aquilo que plantou. O problema é que às vezes você planta rosas e colhe violetas... Recomeçar, nesse caso, parece ridículo. Você vai trilhar novamente o mesmo caminho para obter um resultado que já foi provado que não deu certo. É como "dar murro em ponta de faca". Mas, já refletimos sobre isso, recomeçar é seguir em frente. Ou seja, é continuar escolhendo. Escolhemos o tempo todo. É impossível saber ao certo qual foi a escolha que alterou o resultado perseguido, pois obviamente quando você dá um passo para frente, inevitavelmente alguma coisa fica para trás.

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Mas, o que temos de ter sempre em mente é que as consequências das escolhas individuais afetam o coletivo. Tomás de Aquino (1224-1274) e Jean-Paul Sartre(1905-1980) - um teólogo cristão versus um filósofo ateu - afirmam que a escolha de cada indivíduo repercute na sociedade, tornando o homem responsável por suas ações. De acordo com eles as escolhas dependem do conhecimento adquirido pelo homem, assim como, manifestam suas características no momento de seu agir na sociedade.

De acordo com BOVETO, Lais e OLIVEIRA, Terezinha em "A IDEIA DE ESCOLHA NA FORMAÇÃO HUMANA: APROXIMAÇÕES HISTÓRICAS ENTRE TOMÁS DE AQUINO E JEAN-PAUL SARTRE", "escolher é uma ação individual, porém, universal do ser humano. Todos nós elegemos uma forma de agir em relação às circunstâncias da vida e, em qualquer tempo histórico, os homens escolhem entre as possibilidades que se lhes apresentam. Se, por um lado, nem sempre esta ação é racionalizada e ponderada, por outro, nela estão presentes, mesmo que de modo imperceptível à primeira vista, os atributos intelectuais de cada ser humano. Por mais que uma escolha possa ser realizada de modo intempestivo, não nos livramos de nossa bagagem de conhecimentos para, então, escolher. Entende-se, dessa maneira, que se os homens podem eleger uma forma de agir, responsabilizam-se – ou deveriam responsabilizar-se – pelas consequências sociais de suas escolhas."

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Por isso escolher é um processo de constante dúvida. O fantasma do "E se eu tivesse feito" te persegue a todo momento. Pois para cada escolha, existe uma não-escolha. E para cada consequência de escolha, existe uma esperança positiva com relação a não-escolha. Escolher na maioria das vezes é um processo polarizado. Você escolhe, por exemplo, sofrer ou ser feliz. Escolhe ficar ou partir. Até quando você fica "em cima do muro" você escolheu deixar-se levar, omitir-se. Viver pressupõe escolher da hora do nascimento até a hora da morte. Nesse hiato você pode escolher absolutamente tudo: da roupa que vai usar, a profissão que vai desempenhar, e até mesmo por quem vai se apaixonar.


Chandra Santos

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