penetra surdamente no reino das palavras...

E lá que estão os poemas, é lá que está a vida que espera ser escrita!

.MariBlue.

MariBlue Gomes é uma peixa-marciana, meio Dori, meio Clarice. Acredita verdadeiramente na poesia da vida e na vida da poesia.

De jardins, de vida e de palavras

Incrível como uma leitura pode nos devolver à vida.
Sim, palavras nos acordam. Palavras nos despertam.
Elas nos ressuscitam.


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Alguns segundos de indecisão antes de iniciar esse texto. Talvez pelo tamanho da responsabilidade que vislumbro diante do que almejo expressar.

Tamanha também a gratidão e alegria que tive ao concluir, entre lágrimas, a leitura desse fecundo jardim de palavras que é o buquê em forma de livro escrito pelo Pe. Fábio de Melo: o livro ‘Tempo de esperas - O itinerário de um florescer humano’ (Ed. Planeta, 168 p., 1ª ed., 2011).

Ambos os sentimentos afloraram desde que tomei o livro nas mãos e iniciei a viagem ao longo de suas páginas, que foram sábia, poética e filosoficamente preenchidas por palavras edificantes, maduras, profundas e profícuas.

Os dados catalográficos do livro o classificam como ‘romance epistolar’. Usando de licença poética e, por minha conta e risco, eu o classificaria como ‘cartas em flor’.

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Quem não desejaria ter suas maiores dúvidas, angústias e questionamentos amplamente expressos e carinhosamente acolhidos? Quem não desejaria ter a oportunidade de, por meio da palavra, ter a alma tocada e a vida transformada por outra alma? Quem não desejaria, em meio a um descaminho ou percalço, ter o caminho refeito em decorrência de uma interferência amorosa e significativa?

Quem não se alegra ao contemplar um jardim? Quem não se encanta com a graça, com as cores, com a delicadeza, com o perfume de uma rosa, de um buquê ou de um campo de girassóis, tulipas ou violetas?

O romance epistolar em tela é um apanhado de cartas entre um jovem estudante cheio de questionamentos e um professor aposentado cuja única atividade era cultivar flores.

Como poderia um velho cuidador de jardim mergulhar nos recônditos da alma de um jovem tão prenhe de certezas e vontades? Como poderia estabelecer-se nesse árido terreno o tão ansiado encontro de almas?

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Nada mais fértil que a semente da sabedoria!

Em meio ao terreno árido e seco, em meio à necessidade de preparar o solo, diante do desconhecimento da ciência por trás de um jardim, diante das dores sulcadas, entranhadas no corpo, na mente ou no coração, quer sejam dores físicas e emocionais, em meio aos desencontros, desalentos, tristezas e lágrimas, eis que elas surgem belas, alegres, vistosas, e cheias de vida: tantas flores nascidas da experiência de ser humano, de desejar se tornar um ser que transborde amor e de finalmente saber compreender que na perda pode haver ganhos, que na morte pode existir vida e que tudo depende de como olhamos para isso.

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Esse talvez seja o maior aprendizado extraído desse ramalhete perfumado em que as palavras saltam das páginas e perfumam o nosso coração.

Um final, surpreendente e inusitado, uma atitude de amor esperançosa e vidas que são salvas por meio da palavra. Pois é bem verdade que as palavras nos acordam. Palavras nos despertam. É fato que elas nos ressuscitam.

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Definitivamente, palavras nos salvam.


.MariBlue.

MariBlue Gomes é uma peixa-marciana, meio Dori, meio Clarice. Acredita verdadeiramente na poesia da vida e na vida da poesia. .
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