penetra surdamente no reino das palavras...

E lá que estão os poemas, é lá que está a vida que espera ser escrita!

.MariBlue.

MariBlue Gomes é uma peixa-marciana, meio Dori, meio Clarice. Acredita verdadeiramente na poesia da vida e na vida da poesia.

Se não está bom para os dois, o melhor a fazer é por um ponto final?

“No começo, as ameaças. Depois as tentativas de reanimar e salvar a relação. Mas a desconfiança está sempre ali, pronta para virar um grande problema nos momentos mais difíceis do relacionamento”. O relacionamento entre o PT e o PMDB parece estar em meio a uma grande crise.


água_oleo.jpg Fonte da imagem: Internet

Lembro bem do dia em que vi no muro do quintal do vizinho na rua de casa lá pelos idos de 2003 duas bandeirolas de partidos políticos: uma do PMDB e outra do PT. Ao me deparar com a cena, bastante inusitada para mim, pensei, intrigada: ‘nossa, pessoal mais bipolar’!

Hoje, 13 anos depois, compreendo o estranhamento que senti na ocasião. Um calafrio que era um sobreaviso, uma espécie de alerta. Afinal de contas, ao longo da história política do Brasil quem poderia imaginar que dois partidos tão notoriamente diferentes pudessem algum dia se associar? A meu ver, era algo como querer misturar água e óleo.

Meu desconforto inicial está desenhado no atual – e conturbado – contexto político que vivemos: um colossal confronto entre os nominados ‘coxinhas’ e ‘pão com mortadela’, isto é, os defensores do PMBD (ou da ala mais direitista) e do PT, respectivamente.

A despeito da questão alimentícia, minhas preferências políticas vão muito além da escolha entre um alimento e outro (partidos), pois vai ao encontro do valor nutricional (resultados) que irei ganhar ao receber os insumos de ambas as partes (povo brasileiro, do qual faço parte).

Minha modesta análise do quadro é a seguinte: se num relacionamento conjugal um casal se configura de dois seres extremamente diferentes, divergentes e até paradoxais, poderá esse relacionamento dar certo?

A resposta a essa pergunta está aí para qualquer um enxergar, e a meu ver, da associação entre partidos tão distintos entre si, chegamos ao momento em que a união se tornou insustentável.

Daquelas negociações do dia-a-dia, das mais corriqueiras às mais complexas, naquele esquema de você me dá o que eu preciso e eu dou o que você quer, a brincadeira ficou perigosa e os custos começaram a ser maiores que os benefícios.

Todos sabemos que as relações políticas se dão basicamente por meio de alianças e conveniências. Dessa troca é que são preenchidos os cargos dos altos escalões do governo, é que são tomadas as decisões mais estratégicas e as indicações não poderiam ferir o acordado no ato da ‘coligação’.

Entretanto como ser fiel aos meus próprios princípios se eu também prometi seguir os princípios do ser que escolhi para ser meu cônjuge? Certamente haverá muitos momentos de impasses, momentos de crises agudas, momentos de teimosia e birra, revanches, brigas tempestuosas e vinganças tempestivas.

O resultado disso? Um relacionamento tumultuado, onde não haverá paz, nem solução dos problemas. Ou a ruína do relacionamento.

briga_casal.jpg Fonte da imagem: Internet

Seguindo a metáfora utilizada, o Brasil fica impedido de retomar o crescimento econômico e rumar para o seu pleno desenvolvimento, uma vez que as vontades dos cônjuges (partidos) não focam na tentativa de salvar o relacionamento (povo), mas em cada um fazer o que quiser e à sua maneira. Se as coisas prosseguirem dessa forma, dificilmente haverá saída.

O que vemos é um Brasil engessado, imobilizado, amordaçado e impossibilitado de crescer. Vemos nossos políticos se digladiando no Congresso. Vemos o povo se confrontando nas ruas. Cada qual vociferando suas verdades e defendendo o próprio ponto de vista, afinal de contas, quem não é governo, é oposição. Amordaça.jpg Fonte da imagem: Internet

Mas aqui cabe uma pergunta: qual é o verdadeiro papel da oposição? É o de cobrar do governo, fiscalizar as ações do governo e zelar pelas obras produzidas pelo governo ou o papel da oposição é apenas o de impedir o governo de fazer o que tem de ser feito?

Ouvi numa entrevista recente de um dos ‘presidenciáveis’ do momento a seguinte fala: ‘eu estou fazendo o que sempre fiz, estou fazendo oposição ao governo’. Quem dera existissem menos políticos opositores do governo e mais políticos fazedores do governo, para o verdadeiro bem do povo brasileiro...

Nota: A inspiração para o título e destaque desse texto foi a matéria divulgada no link a seguir: http://www.brasilpost.com.br/2016/03/29/pmdb-desembarque-governo_n_9560420.htm


.MariBlue.

MariBlue Gomes é uma peixa-marciana, meio Dori, meio Clarice. Acredita verdadeiramente na poesia da vida e na vida da poesia. .
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