penetra surdamente no reino das palavras...

E lá que estão os poemas, é lá que está a vida que espera ser escrita!

.MariBlue.

MariBlue Gomes é uma peixa-marciana, meio Dori, meio Clarice. Acredita verdadeiramente na poesia da vida e na vida da poesia.

De culinária, reality shows, questões de gênero e lições de humildade

Mais do que a valorização da arte da gastronomia e da profissão de cozinheiro ou chef de cozinha, a edição do reality MasterChef Brasil Profissionais trouxe à tona um assunto bastante polêmico: a questão de gênero e o machismo na sociedade brasileira.


prato-dayse.jpg Fonte da imagem: http://entretenimento.band.uol.com.br/masterchef/profissionais/2016/

Para os que não acompanharam a exibição do reality show na Rede Bandeirantes de Televisão, trata-se de uma competição entre cozinheiros profissionais que participaram de diversas etapas de seleção e classificação para ingressar no programa e concorrer entre 14 selecionados ao título de melhor cozinheiro profissional do país.

Além dos saborosos, inventivos e modernos pratos elaborados e executados por diferentes profissionais, um dos itens do cardápio tornou-se, ao longo da exibição dos episódios, um tanto indigesto: o discurso e a postura de cunho machista por parte de alguns competidores.

Algumas cenas e frases emblemáticas ilustraram o cenário destacando o posicionamento machista de alguns competidores, seja pela postura ou por palavras. Confira o histórico:

“Finalista do "MasterChef Profissionais", Dayse Paparoto virou queridinha do público na internet pela habilidade na cozinha e por ter enfrentado concorrentes que a subestimaram durante toda a competição. Nas redes sociais, a chef tornou-se símbolo da luta contra o machismo no reality show, que termina nesta terça (13). Esta edição do "MasterChef" acirrou a disputa entre homens e mulheres por direitos iguais na cozinha. Dayse foi considerada "menos temida" por Marcelo, que queria enfrentar um homem na final e terá que derrotar a rival para ser o campeão do reality”. (Nota: Marcelo, Fádia, Izadora, Priscylla e Ivo são outros competidores e participantes do reality show). Veja mais aqui.

“Ivo, que já trabalhou com Dayse, disse que ela não era competidora à altura dele, porém foi eliminado a duas semanas do fim. Além dela, Fádia, Izadora e Priscylla sofreram com a irritação e o desprezo dos homens durante as provas do "MasterChef". Rival de Dayse na final do "MasterChef", Marcelo quis eliminá-la antes, na prova que misturava carnes e frutos do mar. O competidor escolheu a fraldinha para a concorrente com a intenção de prejudicá-la, porém ela deu a volta por cima e foi eleita vencedora daquela etapa. Marcelo ainda provou o prato a pedido do júri e elogiou a contragosto”.

“Durante uma prova em trio, Ivo e Dário não deram ouvidos às sugestões de Dayse, que ficou subutilizada na cozinha. Revoltada, ela reclamou que não estava fazendo nada, e Ivo disparou: "Então pegue a vassoura e varre o chão". Na sequência, Ivo disse em depoimento que trabalhar com mulheres é mais delicado porque elas "são mais frágeis". Eliminada após errar o preparo de suflê, Fádia desabafou para Ana Paula Padrão contra o machismo no "MasterChef" e nas cozinhas em geral: "Tem os machistas da vida na cozinha, não aceitam nossa presença dentro uma cozinha mais corrida, mais puxada. Por quê? Sou mulher, mas tenho competência suficiente para ficar no lugar de qualquer um, sendo homem ou mulher".

“Priscylla foi duramente repreendida por Ivo porque discordou da finalização de um prato com sal. Em depoimento no programa, ela desabafou sobre o machismo na cozinha: "Nós, mulheres, somos ainda menosprezadas na cozinha de alguma maneira, como fracas ou emocionalmente mais sensíveis, mas isso não é verdade. Tive a honra de trabalhar com grandes chefs e em qualquer cozinha que eu esteja sempre vou me impor e mostrar meu trabalho, sempre respeitando a hierarquia". Também em uma prova em grupo, Izadora se descontrolou ao receber ordens de Ivo, que não era o capitão da equipe, e começou a chorar. "Eu me sinto completamente desrespeitada. Isso me deixa com muita raiva. “Cantar de galo nessa hora para cima dos outros eu acho a pior postura da vida", desabafou a competidora, que recebeu a ajuda de Paola Carosella.” (Extraído na íntegra da página UOL).

Por fim, explorados os quesitos culinária, reality shows, e questões de gênero inicialmente propostos por esse artigo, finalizamos com o elemento surpresa: a lição de humildade de Dayse Paparoto, finalista e vencedora do reality.

A vencedora, em momento algum, rotulou a atitude de seus colegas de profissão e de programa de Tv, como algo machista ou assumiu a posição de vítima. Pelo contrário: superando as expectativas, seu rendimento e performance ao longo dos episódios a mantiveram a salvo das provas de eliminação e distante das estressantes berlindas contidas nas provas, por vezes mirabolantes, do programa de televisão. Em sua fala, após vencer o adversário na competição, Dayse disse não ligar para a torcida contra. “Não estou nem aí, ganhei mesmo, tanto faz, já era,” afirmou aos risos. “Espero continuar amiga do Marcelo se ele não ficou bravo. Se alguém quiser ser meu amigo tudo bem, se não quiser tudo bem também”, continuou.

Durante toda a sua trajetória, o público saiu em defesa de Dayse por considerar que ela foi alvo de machismo de outros competidores. “Não esperava isso, tanto que as pessoas ficaram mais bravas que eu mesma, mas isso acontece, o que é importante é a forma que você trata isso. Se você não ligar, tudo bem, as pessoas compraram uma briga que nem era minha. A comida e o profissionalismo é o mais importante”, analisou. Ela, que chegou de mansinho, manteve a postura, o bom humor, ignorou as críticas dos concorrentes e mostrou muito talento na cozinha. Resultado: conquistou o primeiro troféu da edição brasileira do MasterChef Profissionais. (Extraído do Portal da Band).

Mais do que isso, Dayse Paparoto deixou uma importante lição: se a gente não ligar para a cara feia e para as críticas dos que se declaram nossos adversários, certamente alcançaremos mais rapidamente nossos objetivos.

Mestre e o discipulo taismo, budismo.jpg Imagem livremente extraída da internet.

Esse episódio da ficção que transbordou na vida real nos remete a um extrato da sabedoria oriental que diz o seguinte:

“Havia um grande samurai idoso que agora se dedicava a ensinar o que sabia aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário. Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para reparar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante. O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta. Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrotá-lo e aumentar sua fama. Todos os estudantes se manifestaram contra a ideia, mas o velho aceitou o desafio. Foram todos para a praça da cidade e o jovem começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive seus ancestrais. Durante horas, fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se. Desapontados pelo fato de o mestre aceitar tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram: - Como o senhor pode suportar tantos insultos? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós? - Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente? - A quem tentou entregá-lo – respondeu um dos discípulos. - O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos – disse o mestre. Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo. A sua paz interior, depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma, só se você permitir.”


.MariBlue.

MariBlue Gomes é uma peixa-marciana, meio Dori, meio Clarice. Acredita verdadeiramente na poesia da vida e na vida da poesia. .
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