penetra surdamente no reino das palavras...

E lá que estão os poemas, é lá que está a vida que espera ser escrita!

.MariBlue.

MariBlue Gomes é uma peixa-marciana, meio Dori, meio Clarice. Acredita verdadeiramente na poesia da vida e na vida da poesia.

Hoje é 19 de abril de 2018, quinta-feira, Dia do Índio

“Todo dia adiam o dia do índio” (Tiago Gasta).


cocka.fw.png Extraído de:http://www.funai.gov.br/index.php/quem-somos.

Começo escrevendo sobre esse dia que, conforme consta do calendário oficial, é o dia do índio. E afinal de contas, quem é o índio? Quem é esse povo sobre o qual apenas ouvimos falar dos penachos, das danças da chuva e da fama de preguiça e esperteza? Quem é esse povo afinal, que habitou as terras brasileiras desde antes da colonização, que cuidou e honrou das riquezas naturais, que zelou pelo senso de coletividade e ancestralidade até que o homem dito civilizado surgisse e começasse a extrair das entranhas da terra a sua essência, sem dó nem piedade? O que dizer desse povo estigmatizado, marginalizado, dizimado, domesticado? Representando hoje apenas mais uma fatia do extrato social? Poderíamos ter aprendido de vocês e com vocês a cuidar melhor dos nossos recursos, e a ensinar as nossas crianças o valor dos antepassados, a viver na Terra sem destruir a Terra, enfim a desfrutar sem ferir. Mas preferimos nos ater à soberba visão de que tudo sabíamos e que a nossa verdade e vontade deveria prevalecer. O resultado é esse que visualizamos hoje: tribos dizimadas, brigas pela posse das terras, descaso, injustiças. Mazelas mil e uma Nação confusa, sem referências, perdida em corrupção e desonestidade. País tão rico, mas tão pobre! Quando iremos olhar para os nossos índios e reconhecer que vieram antes de nós, que zelaram da terra para nós, que prospectaram um futuro para nós? Quando iremos dedicar a eles ao menos um olhar de reverência e respeitosa gratidão? honrando os indios hellinger.jpg Extraída de:http://aconstelacaofamiliar.blogspot.com.br/2016/08/.

Demorei uma vida para perceber a real importância dos indígenas na formação do Povo Brasileiro. No meu caso foi necessário que um estrangeiro, um sujeito alemão, me fizesse reconhecer nesse Povo o seu real significado e a sua grande importância. Foi em 19 de abril de 2016. Ele estava no Brasil juntamente com sua esposa Sophie. Era a abertura de um seminário no Museu da República em Brasília-DF.

Para além de minhas expectativas, a solenidade de abertura do evento contou com indígenas das etnias Kariri xocó, Fulni-ô, Guajajara e Pataxó, que entoavam cantos e danças indígenas clamando a paz, e abriram a palestra "Como as Constelações Familiares estão transformando a saúde, a educação e a justiça no Brasil e no mundo". O estrangeiro alemão que me abriu o coração para honrar os primeiros habitantes do Brasil era nada mais, nada menos, que Bert Hellinger, que com sua esposa Sophie, proporcionou um riquíssimo momento para os participantes do seminário.

indios.jpg Bert Hellinger é psicoterapeuta alemão, criador das Constelações Familiares.

Algumas palavras de Hellinger, na ocasião foram extremamente significativas: “É preciso que a nação brasileira respeite os antepassados e a quem essa terra pertencia antes. A constelação familiar tem como um dos princípios a hierarquia das relações. Do mesmo modo, acontece com as famílias. É necessária a reconexão entre as crianças com os pais e os antepassados para que tudo esteja em ordem”.

Naquela feliz oportunidade aprendi muito com esse casal de estrangeiros. E hoje agradeço aos dois por despertarem em mim uma nova consciência. De uma forma bastante pungente, sinto-me conectada aos meus ancestrais entre os quais, muitos e importantes são indígenas.

A vocês, indígenas do Brasil, minha gratidão, meu reconhecimento, minha reverência. Todo dia, como diz a letra da canção, deveria ser Dia do Índio.


.MariBlue.

MariBlue Gomes é uma peixa-marciana, meio Dori, meio Clarice. Acredita verdadeiramente na poesia da vida e na vida da poesia. .
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