Lorene Lopes

Ariana hiperativa. Pós graduada em Direito Público e Civil. Cinéfila. Escritora compulsiva desde 1994.

A teoria de tudo: As lições de vida de Stephen Hawking provam que as nossas limitações são alimentadas somente por nós.

“Independentemente do cenário desfavorável das nossas condições e ambiente, onde há pulso, há amor, e este sentimento não é isento, como muitos acreditam, em pessoas ditas racionais”


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Nunca me esquecerei da primeira vez em que vi em uma revista científica aquele rosto, com todo aquele abandono corporal estampado em página dupla. Quem nunca se questionou de qual partícula cósmica a que Stephen Hawking tanto se dedicava vinha tanta motivação e continuidade para aplicar a sua inteligência?

Ele provou para o mundo que um corpo sem mente sã padece de fato, já que não precisou tanto de seu aparato físico para impressionar o planeta com descobertas científicas pós –Einstein: bastava o cérebro, com todos os seus questionamentos e inquietudes humanas para nos conduzir à evolução de pensamento.

O filme “A teoria de tudo” retrata de forma apaixonante esse homem dotado de ironia cômica e ambição em demonstrar aquilo que muitos jovens não questionam: o tempo, de onde viemos, para onde vamos, qual o começo de tudo. Claro que a película não se trata apenas de física, mas de detalhes pessoais que evidenciam os seus maiores trunfos.

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Apesar de algumas críticas ao longa metragem a respeito da supervalorização do romance e da vida pessoal do protagonista em detrimento de sua importância para a ciência, é preciso concordar que praticamente ninguém suportaria quase três horas de um quase-documentário sobre buracos negros e a expansão do universo. Afinal, o fato de Hawking ser um ícone da física é tão notório quanto a fórmula E=mc² desenvolvida por Einstein, e o que procuramos na sétima arte é justamente aquele suspiro ou o aperto no peito no desenvolver da história. Sem falar também naquela nossa curiosidade inata em saber como um super gênio premiado, com doutorado em Cambridge, viveu e suportou suas fragilidades sentimentais – será que da mesma forma que nós, pessoas com outros interesses e com dificuldade em calcular a divisão da conta do jantar também lidamos?

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Descobri somente ao assistir ao filme, por exemplo, que ele havia se casado com uma mulher não ateísta, quando Stephen era uma das maiores referências nos discursos sobre falta de crença em um Deus – querem um exemplo maior de tolerância? Ainda mais nos dias atuais, em que as argumentações sobre um ente superior, criador das forças do universo, segregam mais do que unem.

Além disso, quantos propagam a ideia de que pessoas muito inteligentes tendem a ser individualistas e solitárias, talvez por não suportarem as limitações do outro? Quantas pessoas, em plena saúde, se tornam doentes ao deixar de acreditar no amor, nas pessoas, na próxima tentativa? Stephen não só continuou a testar suas teorias na física, mas também na afetividade: casou-se, mesmo ciente de que morreria em breve e, ao divorciar-se, casou-se novamente, desta vez com sua enfermeira (algo que não ficou claro durante o filme), mostrando mais uma vez que, independentemente do cenário desfavorável das nossas condições e ambiente, onde há pulso, há amor, e que este sentimento não está isento em pessoas ditas racionais.

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Mesmo com suas impossibilidades físicas, continuou a aceitar os convites para premiações, (e até mesmo para gravação de CD, com o Pink Floyd, e uma participação especial em Big Bang Theory), e decidiu escrever o seu mais famoso livro “Uma Breve História do Tempo” e mais outra dezena de obras, quando vários, mesmo em plenas condições, recusam-se a sair de seus casulos por medo, preguiça, comodidade, ou até mesmo arrogância. Utilizando de uma das frases célebres de Albert Einstein, outro físico apaixonado, é possível entender que não são nossos músculos que nos movem, mas o desejo (desta vez, o termo é de Freud): “Há uma força motriz mais poderosa que o vapor, a eletricidade e a energia atômica - a vontade”.

Chego, portanto, à seguinte conclusão (e que muitos céticos me apedrejem por isso): a expectativa de vida de Stephen Hawking foi superada porque não há força maior a nos manter vivos do que a paixão. Sem paixão, um homem com cérebro em plena capacidade, movimentos e inteligência, torna-se obsoleto, raso, limitado. E por mais contraditório que possa parecer, a vida de Hawking, devido a esta mesma paixão, não encontrou limites. Limites estes que muitos agregam à própria vida, mesmo com toda a potencialidade física, diminuindo suas expectativas para a próxima fração de tempo, este, que foi por ele tão contestado.


Lorene Lopes

Ariana hiperativa. Pós graduada em Direito Público e Civil. Cinéfila. Escritora compulsiva desde 1994..
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