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Impressões e imaginações sobre as coisas e não-coisas da vida

Daniel Belvino

E agora, vamos discutir?

Earin: fones de ouvido sem fio que ficam na sua orelha e o que ele mostra do futuro

A revolução sem fio ainda não chegou, o bluetooth ainda tem muitos problemas, mas já podemos contar com algumas comodidades e ficar um pouco mais livres dessas amarras. Esse é um produto que vai além: o Earin ocupa menos espaço e ainda nos livra de alças, arcos e ainda tem uma versatilidade impressionante, para que possamos ter áudio sem fio como nunca.


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O nome é a junção das palavras “ear” e “in”, dentro da orelha, o que resume o apetrecho, porque é quase tudo nele. São dois fones sem fio e sem conexão direta entre eles, que você coloca em cada orelha. Eles têm o tamanho aproximado de um fone de ouvido com fios regular, sendo praticamente aquela borrachinha e mais um pedacinho de plástico, totalizando 20 milímetros de comprimento. Até aí já é bem legal, pelo tamanho, ausência de fios e arcos, mas não acabou.

Pra que essas pecinhas funcionem, elas precisam de baterias, que precisam ser recarregadas. Isso é feito em um tubo que pode ser usado como um chaveiro. O tubo é um carregador e também tem uma bateria, podendo carregar os fones em movimento, ou seja: você carrega a bateria de todo mundo em casa, escuta até acabar a bateria dos fones e ainda pode carregá-los de novo na rua. Pode até carregar a bateria de um só enquanto usa o outro e depois alternar.

Outros detalhes do Earin são um app de celular para controlar o audio e aumentar a autonomia, além de uma pequena haste que fixa mais firmemente o fone na sua orelha, para quem for se exercitar com ele. Eu fico muito impressionado e entusiasmado com a engenharia e engenhosidade desse tipo de coisa. É uma solução tão completa e elegante, que é difícil de acreditar que eu posso comprar e usar hoje. Bem, hoje não porque está fora de estoque. Eles começaram com uma muito bem sucedida campanha no Kickstarter no ano passado que já está encerrada, já venderam um primeiro lote rapidamente em seu site próprio e estão se ajustando com fornecedores para estabilizar a produção.

Ainda não é o futuro que imagino onde teremos um micro implante na beirada das orelhas para ouvir o som de qualquer dispositivo conectado, mas já é mais do que esperávamos para o ano de De Volta Para o Futuro 2. E não estamos falando de um dispositivo complexo e que ainda não pode estar amplamente difundido como o Google Glass. Esse é um produto de 199 dólares, que não é barato, mas também não é absurdo principalmente se considerarmos os preços de bons fones de ouvido bluetooth. E o Earin traz mudanças e consequências mais sutis.

Pense em motivos pelos quais as pessoas não carregam um fone de ouvido consigo o tempo todo. Quem você vê mais vezes com um fone de ouvido? Eu penso em estudantes, que têm uma mochila pra guardar qualquer tipo de fones. Os menores fones são justamente os intra- auriculares, esses mais comuns com fio que vão dentro das orelhas. Eles podem ir no bolso, mas aí entra aquela embolação do fio, ou muita paciência e tempo pra enrolar direitinho toda hora que for guardar.

Com um produto como o Earin, qualquer um pode ter um fone de ouvido no bolso, no chaveiro, numa bolsa pequena, no carro, até mesmo numa pochete ou entre os seios, para aqueles ou aquelas mais ousados/as.

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Em geral já temos um aparelho multimídia na mão o tempo todo e agora podemos ver um vídeo, ouvir uma música, uma rádio, um livro ou um podcast a qualquer momento, somente tirando uma bolinha do bolso e botando na orelha, sem incomodar ninguém. Tem uma palestra que queria ver mas está esperando num consultório lotado? Resolvido. Não precisamos mais pensar se vamos precisar de um fone durante aquele dia e lembrar de pegá-lo e ter onde transportá-lo. Em qualquer situação que pudermos e quisermos ouvir algo, agora podemos ter um aparelho de qualidade pronto para ser usado.

A tendência do conteúdo criado por usuários ou pequenos grupos que vemos crescendo sempre, principalmente no YouTube, já pode fazer uso desse tipo de avanço por sua parte de áudio. O estrondoso sucesso do controverso podcast Serial, audiobooks e apps que transformam textos em PDF e websites em áudio são indícios maiores ainda de que as pessoas podem se beneficiar muito dessa praticidade toda. E os criadores também, fechando o ciclo.

Claro que isso também traz as discussões sobre os impactos negativos da tecnologia em nossas vidas sociais. Já ficamos com os olhos colados nas nossas telas e com isso nossos ouvidos também podem ficar mais “distraídos” e fora da realidade. Isto é um fato, pode acontecer, como os outros problemas acontecem. Mas a minha opinião geral é que a tecnologia está aí para melhorar nossas vidas, para aprimorar o que temos e cada um tem que achar o melhor jeito de usar esses recursos e aprender a conviver com eles. As coisas mudam e eu não acredito num futuro Wall-E. Esse tipo de tecnologia não é pra você ficar sozinho, se isolar de alguma coisa, é pra quando você está sozinho, se envolver com alguma coisa.

Qualquer dia desses você pode pedir uma informação pra uma pessoa na rua e ela não te responder de imediato. Quando ela finalmente virar o rosto em sua direção, você pode notar que ela tem uma coisinha preta na orelha oposta, e antes de te responder ela fez alguma coisa no celular. Isso ainda pode demorar e pode não ser por causa do Earin, mas acredito que é uma das coisas que teremos que nos acostumar num futuro próximo.

PS: será que os que usam fones de ouvido pra fugir de conversas com estranhos vão usar um “antigo”, com fios, e falar que usam por que o som é melhor? Ou serão só os hipsters?


Daniel Belvino

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