pensando nessa gente da vida...

Reflexões de um educador que escreve para que não lhe falte o ar...

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar"

SOMOS GRÃOS DE AREIA...

“Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” (Álvaro de Campos)


estamos-sozinhos-no-universo-aliens.jpgNão nos sobra quase nada sem nossos sonhos, sem esperança, sem aquela fé na vida. Somos movidos pelos desejos, pelas ambições, pela vontade de ser e de conquistar mais e mais. Abrir mão de ter esperança significa não menos do que a morte em vida, e ninguém merece morrer enquanto ainda respira. Porém, há que se manter o pé em terra firme, mesmo quando a mente viaja ao infinito, ou estaremos fadados a parar no tempo e no espaço enquanto a vida passa fora do alcance de nossas ilusões, ou mesmo a perder o que já tínhamos conquistado até então.

A ambição é necessária para que obtenhamos conquistas e cresçamos como pessoas, mas somente se pontuarmos nossas buscas pela honestidade e pela integridade física e moral; do contrário, estaremos destinados a fracassar em nossa humanidade e em nossa porção gregária, que necessita do compartilhamento sincero de vidas. Sem dignidade, compromete-se a felicidade como um todo e, sem felicidade, de nada vale qualquer sonho que se conquiste nessa vida.

Precisaremos conservar a memória e o coração limpos nessa jornada rumo à realização de nossos desejos, para que mantenhamos conosco as pessoas que acreditam no que temos, no que somos, a ponto de não desistir de nós, haja o que houver. Ninguém é uma ilha isolada que basta a si mesma, ou seja, inútil pensarmos que não precisaremos da ajuda de ninguém ao longo de nosso caminhar. Ou cultivamos amor por onde passarmos, ou a solidão nos será um obstáculo intransponível, mais cedo ou mais tarde.

Não nos percamos da lucidez que deve pautar nossas esperanças, nossas ambições e as ações diárias a que nos lançamos. Não nos esqueçamos de que somos pontinhos minúsculos frente à amplitude infinita das multidões, do universo, do cosmos. Jamais deixemos de perceber que juntos somos mais fortes e mais felizes do que sozinhos e solitários. Como grãos de areia, que fazem toda a diferença na natureza e no mundo, mas enquanto corpo coletivo. Da mesma forma, crescemos quando somos muito mais do que somente uma unidade por si só.

Necessitamos de sonhos, da projeção de um horizonte sempre melhor do que o aqui e agora, se não quisermos estacionar nossa vida para sempre na mediocridade tediosa da conformidade passiva. Contudo, é preciso que partamos em busca do que queremos munidos de amor e de humanidade, com a consciência de que não valerão a pena atitudes inescrupulosas e egoístas para a obtenção do que queremos. Caso contrário, quando conseguirmos o que gostaríamos, estaremos tão sozinhos e distantes de nossa essência, que nada daquilo tudo fará sentido algum. Como tão bem versificaram as escrituras sagradas: sem amor, ninguém nada será.


Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".
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