pensando nessa gente da vida...

Reflexões de um educador que escreve para que não lhe falte o ar...

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar"

ACREDITE: EM TODO FINAL, EXISTE UM RECOMEÇO!

Venho aprendendo que tudo o que sai de nossas vidas abre espaço para que algo novo e até melhor chegue. Costumamos não nos dar conta disso, ocupados que estamos em lamentar o que se foi, quem partiu, o que perdemos.


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Venho aprendendo que tudo o que sai de nossas vidas abre espaço para que algo novo e até melhor chegue. Costumamos não nos dar conta disso, ocupados que estamos em lamentar o que se foi, quem partiu, o que perdemos, porém, quanto mais o tempo passa, mais tenho a certeza de que sobreviver requer dar-se a oportunidade de recomeçar, após cada dor, cada tombo, cada término de ciclo, de relacionamento, de momentos.

Perdi meus pais e viver sem eles não é fácil. Tive que reaprender a caminhar sem tê-los na retaguarda, sem ter alguém em quem pudesse confiar e me abrir sem medo, pois os pais nos aceitam incondicionalmente. Com isso, fortaleci-me e aprendo a escolher com mais coerência as pessoas com quem posso compartilhar minhas verdades. O fim da vida de meus pais me forçou a viver faltando um pedaço, seguindo a cada novo dia, mesmo com a alma aos pedaços.

A gente acha que não vai sobreviver sem algumas pessoas, tamanha é a falta de ar que a ausência delas nos provoca, mas a gente sobrevive. O rompimento de uma amizade, de um amor, por mais que nos entristeça e seja desesperador, acaba nos colocando de frente com novos rumos que se abrem bem à nossa frente. Porque sempre existirão novas pessoas nos esperando para ofertar sentimentos verdadeiros; basta pararmos de olhar para trás e manter o olhar ali em frente.

O mesmo ocorre em relação a vários aspectos de nossas vidas, em que seguramos junto até mesmo o que nos faz mal, por medo do recomeçar. É o caso, por exemplo, de empregos que nos diminuem e não acrescentam nada, embora neles estacionemos, sem nem ao menos tentar enviar currículos, ou procurar por novos cursos, novas ideias, novas oportunidades. Porque a gente também se acomoda ao que é incômodo, convivendo com a dor do medo, que paralisa e cega.

Infelizmente, não conseguiremos manter conosco tudo o que quisermos, sejam pessoas, sejam coisas, sejam momentos, sejam sentimentos. Tudo tem um ciclo, é a lei da vida e da morte. Porém, se conseguirmos enxergar um novo início após cada término que pontuar nossa jornada, estaremos sempre prontos para recomeçar, para seguir em frente, para que não desistamos dessa nossa mania linda de ser feliz. Sempre e apesar de tudo.


Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".
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