pensarte

Pensando com (e a partir de) arte. Cinema, literatura, etc.

Guilherme Zufelato

Doutorando (bolsista CAPES) e Mestre em História Social (2015, bolsista CAPES) pelo Programa de Pós-Graduação em História, do Instituto de História, da Universidade Federal de Uberlândia (PPGH-INHIS/UFU). Integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (NEHAC/UFU). Graduando em História pela Universidade Paulista (UNIP), polo Uberlândia-MG. Especialista em História Regional do Brasil (2010) e Bacharel em Turismo (2008) pelo Centro Universitário "Barão de Mauá" de Ribeirão Preto-SP. Atualmente, dedica-se profissionalmente à área de História, preocupado com temas e questões que se desdobram e abrangem a campos de estudos como Teoria e Metodologia da História, Historiografia, História-Cinema, Biografia, Teorias de Recepção e de Crítica. Mantém como pano de fundo de suas atenções reflexões críticas sobre História e Historiografia do Cinema Brasileiro.

A estética de si como política do "eu"

O pecado maior de Lúcifer e, mais tarde, de Narciso tornou-se hoje nosso prazer cotidiano.


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Criamos uma cultura de turbação política hoje? Turbar pode significar outras coisas que "revolução", "desassossego" ou "inquietação", como também "tornar-se turvo" ou "obscuro", "sombrio", "carregado", "sem ter o que dizer". Turbar-se parece estar ligado à embriaguez dos sentidos. Um pouco como se fôssemos hoje em dia, por servidão voluntária, tornando-nos anestesiados em diversos sentidos, mas principalmente em termos políticos. Quer dizer, para as ações conjuntas no mundo. Preferimos não sentir. Não pensar. Não conviver. Deixamos a ética de lado e valorizamos a estética de si. Sentimo-nos e deixamos de nos sentir apenas.

Ao outro, que morra. É mais fácil não ouvir esse outro. É mais fácil não olhar, senão para si mesmo. O pecado maior de Lúcifer e, mais tarde, de Narciso tornou-se nosso prazer cotidiano. Daí o sintomático selfie, como se Lúcifer iluminasse hoje as faces de nós Narcisos. Uma câmera na mão e a cabeça. Dispensamos as ideias. Tornou-se não nosso pecado, mas nosso prazer capital. Nosso fim. O orgulho, a vaidade. O que parece haver nesse processo histórico de anestesia de si em que apenas o "eu" tem importância, não para o outro, mas "para mim", é a perda óbvia de sensibilidades políticas, das possibilidades de ação conjunta. Estaríamos vivendo em estado de êxtase permanente?

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Há uma crise ampla de sentidos. E de sentidos ao outro. Talvez antes, uma crise da palavra. Seria preciso repensar os próprios sentidos da palavra crise, como crítica. É necessário transformar a cultura de turbação política em uma cultura da multidão de gentes (da turba) em processos conjuntos de transformação política. Nas ruas, nas redes sociais, etc. De modo conjunto. Democraticamente. Precisamos ser companheiros, ou seja, aqueles que compartilham ao pão.

Porém se continuarmos surdos, cegos, alheios como zumbis aos afetos do outro, aos modos e meios pelos quais esse outro afeta e é afetado politicamente, querendo apenas comer seu cérebro, abocanhar o pescoço, uma mão, uma perna, de preferência, com a carteira no bolso na primeira oportunidade, estaremos sempre, simplesmente, a olhar só para o espelho. Fora do alcance, portanto, de qualquer ação política conjunta que possa transformar, a um só tempo, a si mesmo e ao mundo. Será difícil olhar com amor ao outro e deixar de enxergar, nele, a si mesmo? Afinal, nem tudo que reflete é nosso reflexo.


Guilherme Zufelato

Doutorando (bolsista CAPES) e Mestre em História Social (2015, bolsista CAPES) pelo Programa de Pós-Graduação em História, do Instituto de História, da Universidade Federal de Uberlândia (PPGH-INHIS/UFU). Integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (NEHAC/UFU). Graduando em História pela Universidade Paulista (UNIP), polo Uberlândia-MG. Especialista em História Regional do Brasil (2010) e Bacharel em Turismo (2008) pelo Centro Universitário "Barão de Mauá" de Ribeirão Preto-SP. Atualmente, dedica-se profissionalmente à área de História, preocupado com temas e questões que se desdobram e abrangem a campos de estudos como Teoria e Metodologia da História, Historiografia, História-Cinema, Biografia, Teorias de Recepção e de Crítica. Mantém como pano de fundo de suas atenções reflexões críticas sobre História e Historiografia do Cinema Brasileiro..
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