pensarte

Pensando com (e a partir de) arte. Cinema, literatura, etc.

Guilherme Zufelato

Doutorando (bolsista CAPES) e Mestre em História Social (2015, bolsista CAPES) pelo Programa de Pós-Graduação em História, do Instituto de História, da Universidade Federal de Uberlândia (PPGH-INHIS/UFU). Integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (NEHAC/UFU). Graduando em História pela Universidade Paulista (UNIP), polo Uberlândia-MG. Especialista em História Regional do Brasil (2010) e Bacharel em Turismo (2008) pelo Centro Universitário "Barão de Mauá" de Ribeirão Preto-SP. Atualmente, dedica-se profissionalmente à área de História, preocupado com temas e questões que se desdobram e abrangem a campos de estudos como Teoria e Metodologia da História, Historiografia, História-Cinema, Biografia, Teorias de Recepção e de Crítica. Mantém como pano de fundo de suas atenções reflexões críticas sobre História e Historiografia do Cinema Brasileiro.

Literatura e corpo: relação "secreta"

Sobre a relação "secreta" existente entre o ato de reflexão e de escrita e a posição do próprio corpo nesse movimento de pensamento.


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A íntegra, até então inédita no Brasil, da entrevista concedida em 1979 por Susan Sontag a Jonatham Cott para a revista Rolling Stone foi recentemente publicada pela editora Autêntica. Nela, como sugere José Castello [aqui], Sontag em certo momento dera ênfase à maneira como primeiro pensava (deitada) e fazia anotações para só depois (já sentada numa cadeira 'de madeira') passar à escrita de seus livros.

Creio ter percebido desde algum tempo a importância dessa relação que, nas palavras de Castello, é, por assim dizer, "secreta - mas, ao mesmo tempo, explícita - entre literatura e corpo". Ou menos especificamente, eu diria, entre o ato da reflexão e da escrita e a posição do próprio corpo nesse movimento de pensamento. "A verdade é que, para um escritor", diz Castello, "seu corpo é tão indecifrável, é um mistério tão fugidio quanto sua ficção". Porém todas as pessoas com as quais conversei até hoje sobre o assunto, disseram-me, rindo, que isso não passava de uma bobagem.

Seria possível lembrar de alguns escritores que ficaram famosos não apenas por suas obras, mas também pela peculiaridade da posição (do corpo) na qual escreviam (por exemplo, de pé), como Vladimir Nabokov - mencionado por Sontag à entrevista - e Ernest Hemingway. Aliás, no filme Hemingway & Gellhorn (2012), do diretor Philip Kaufman, podemos ver a representação do escritor (interpretado por Clive Owen), em algumas cenas, exercendo seu ofício, de pé, com a máquina de escrever apoiada em algum lugar. Realmente, é no mínimo curioso.

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Daria para lembrar ainda do retrato cinematográfico Hannah Arendt (2013) construído por Margarethe von Trotta. Na obra, Arendt (Barbara Sukowa), à semelhança de Sontag, aparece, muitas vezes, deitada só a pensar; ou então, caminhando ou olhando através de uma janela. Só depois, sentada em sua mesa de trabalho, é que passava à escrita, e então reelaborava e aprofundava algumas de suas ideias.

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O que chama a atenção em todos os casos parece ser justamente a relação intrínseca entre a reflexão e a posição do corpo em dado momento, antes ou durante a escrita propriamente dita. Essa relação, em parte pela posição do corpo (quase nunca de caso pensado; por isso chamada por Castello de "secreta"), melhor encaminharia o processo de escrita. É uma hipótese.


Guilherme Zufelato

Doutorando (bolsista CAPES) e Mestre em História Social (2015, bolsista CAPES) pelo Programa de Pós-Graduação em História, do Instituto de História, da Universidade Federal de Uberlândia (PPGH-INHIS/UFU). Integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (NEHAC/UFU). Graduando em História pela Universidade Paulista (UNIP), polo Uberlândia-MG. Especialista em História Regional do Brasil (2010) e Bacharel em Turismo (2008) pelo Centro Universitário "Barão de Mauá" de Ribeirão Preto-SP. Atualmente, dedica-se profissionalmente à área de História, preocupado com temas e questões que se desdobram e abrangem a campos de estudos como Teoria e Metodologia da História, Historiografia, História-Cinema, Biografia, Teorias de Recepção e de Crítica. Mantém como pano de fundo de suas atenções reflexões críticas sobre História e Historiografia do Cinema Brasileiro..
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