pensarte

Pensando com (e a partir de) arte. Cinema, literatura, etc.

Guilherme Zufelato

Doutorando (bolsista CAPES) e Mestre em História Social (2015, bolsista CAPES) pelo Programa de Pós-Graduação em História, do Instituto de História, da Universidade Federal de Uberlândia (PPGH-INHIS/UFU). Integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (NEHAC/UFU). Graduando em História pela Universidade Paulista (UNIP), polo Uberlândia-MG. Especialista em História Regional do Brasil (2010) e Bacharel em Turismo (2008) pelo Centro Universitário "Barão de Mauá" de Ribeirão Preto-SP. Atualmente, dedica-se profissionalmente à área de História, preocupado com temas e questões que se desdobram e abrangem a campos de estudos como Teoria e Metodologia da História, Historiografia, História-Cinema, Biografia, Teorias de Recepção e de Crítica. Mantém como pano de fundo de suas atenções reflexões críticas sobre História e Historiografia do Cinema Brasileiro.

Academia: tempo de pensar (em si) próprio

Uma pequena reflexão sobre a potência - ou virtualidade - da escrita de resenhas críticas em espaços acadêmicos.


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Escrever uma resenha para uma revista acadêmica é um bom desafio. Deveria ser praticado com frequência e levado mais a sério. Uma resenha não é apenas um resumo: deve conter uma crítica. Resumo crítico? Não convence.

Ao mesmo tempo, essa crítica deve emergir de uma reflexão própria a quem escreve sobre a leitura da obra resenhada. Uma resenha não é, afinal, um artigo científico (que contenha o estado atual da arte sobre o assunto trabalhado, diálogo entre autores/as, diversas citações etc., ainda que muitas pessoas façam uso desses recursos como fuga descarada do cuidado de pensar por si).

Assim definida uma concepção de resenha, qual é a dificuldade? Implica a vida acadêmica. Acostumados a pensar "segundo fulano/a de tal", passamos a ter dificuldades de pensar com os próprios botões. O Tico e o Teco parecem que vão ficando, por uma de-formação de carreira (graduação, especialização, mestrado), enferrujados com o passar do tempo; e talvez seja por isso que, no momento de escrever uma tese de doutorado, com alguma proposição inventiva, nos encontremos tão perdidos {estranho final de frase}.

Mas não é para menos. Depois de tanto tempo haja óleo a essa máquina crítica. Talvez seja por causa dessa dificuldade de uma reflexão própria, exatamente, que há uma preocupação tão ínfima, inclusive de doutores/as, com a produção de resenhas críticas. Uma resenha - se não é justamente - pode ser um espaço de experimento ao exercício intelectual dos mais criativos.

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É claro: pensar sem apoios, citações, "vozes de autoridade", e ousar, arriscar reflexões, enfim, experimentar ao pensamento e na escrita parece, tradicionalmente, pelo que nos foi convidado a introjetar, uma dor. Aceitamos o convite.

Dói mais ainda pensar que uma resenha escrita desse modo, mais criativa, mais ousada, que teste os próprios limites das formas e condições de existência intelectual acadêmica, dificilmente será aprovada na maioria das revistas ditas científicas. Considera-se então perda de tempo o pensar (em si) próprio.

Cria-se com isso um ciclo vicioso em que há lugar apenas à masturbação e reprodução de autores/as e de fórmulas prontas. Os não-ditos da academia, seus interditos, são extremamente arbitrários e podem ser sondados. Dizem muito sobre a universidade e suas revistas como espaços por excelência da produção de certos des-conhecimentos.


Guilherme Zufelato

Doutorando (bolsista CAPES) e Mestre em História Social (2015, bolsista CAPES) pelo Programa de Pós-Graduação em História, do Instituto de História, da Universidade Federal de Uberlândia (PPGH-INHIS/UFU). Integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (NEHAC/UFU). Graduando em História pela Universidade Paulista (UNIP), polo Uberlândia-MG. Especialista em História Regional do Brasil (2010) e Bacharel em Turismo (2008) pelo Centro Universitário "Barão de Mauá" de Ribeirão Preto-SP. Atualmente, dedica-se profissionalmente à área de História, preocupado com temas e questões que se desdobram e abrangem a campos de estudos como Teoria e Metodologia da História, Historiografia, História-Cinema, Biografia, Teorias de Recepção e de Crítica. Mantém como pano de fundo de suas atenções reflexões críticas sobre História e Historiografia do Cinema Brasileiro..
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