percepções

Séries e filmes

Paola Caumo

Sou poesia: história e enredo de meus dias. Entre dores e afetos, pedras e brilhos, passo também por espaços vazios e neles ressurjo. No avesso das palavras e entrelinhas expresso minhas percepções do mundo em suas imensas nuances.

The Following - Assassinos em busca de vínculo

Será o ato da morte de outrem, a união indescritível com o prazer não logrado em vida? Ou será a união de uma legião de assassinos uma busca inerente de almas aflitas para uma ligação genuína?


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The Following é uma série de televisão dramática norte-americana, criada por Kevin Williamson. A obra parte do princípio de um agente do FBI, Ryan Hardy, que investiga um criminoso que usa a tecnologia para criar uma rede de serial killers com base nos escritos deixados pelo poeta e escritor Edgar Allan Poe.

A princípio poder-se-ia pensar que seria apenas uma série de caça a bandidos, estilo “Jack Bauer”, entretanto desde o primeiro episódio estabeleceu-se uma linha tênue entre o “bem e o mal”. Esse fio invisível não trata do caráter em si, mas sim dos mais intrínsecos sentimentos, angústias e conflitos dos personagens. Suas ações são baseadas nesse perfil psicológico elaborado muito além da dureza e crueza de filmes mafiosos por exemplo.

O que entretém o tele-espectador é o movimento calculado de Joe Carroll, o “serial killer”, um homem extremamente culto, manipulador, que cria sua própria legião de fãs e o seu perseguidor do FBI, um homem atormentado pelas perdas de sua vida. Joe não tem medo de mostrar seu gosto de matar, como se fosse uma necessidade básica primária. Mas nem por isso, ele sai pela rua matando qualquer um. Seu gosto pelo planejamento, egocentrismo exacerbado e até, quem diria, sua necessidade de ligação com outro ser humano, criam o ápice da série, que é vincular-se com seu perseguidor do FBI, Ryan Hardy.

Basicamente, o mais interessante da série e perceber o quanto o ser humano, por mais “quebrado” e violento que seja, sempre busca formas de elos com o outro, para satisfazer sim, a necessidade de dar e receber amor, por mais absurdo que essa opção possa parecer quando o caminho escolhido é a morte e a violência. Também evidencia que por mais “boa” que uma pessoa seja sempre há dentro dela um gatilho que pode acionar ira e agressividade e nem sempre esse instinto é controlado.

Uma excelente escolha para quem tem fascínio pelas suscetibilidades humanas, do lado mais perverso ao mais sublime que apenas os relacionamentos podem proporcionar.


Paola Caumo

Sou poesia: história e enredo de meus dias. Entre dores e afetos, pedras e brilhos, passo também por espaços vazios e neles ressurjo. No avesso das palavras e entrelinhas expresso minhas percepções do mundo em suas imensas nuances..
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