Amanda Moura de Carvalho

Estudante e amante da Filosofia, vivo numa utopia interna e tento esclarecer determinadas verdades todos os dias da minha vida.

A razão cartesiana: eu sou, eu existo

Em suas meditações metafísicas, o filósofo René Descartes afirmava que a própria existência seria uma verdade inabalável - “Eu sou, eu existo”. Nesse sentido, o presente texto pretende explanar um pouco esse tema.


Ren--Descartes-010.jpg Foto: Leonard de Selva/Corbis

“(...) desfazer-me de todas as opiniões a que até então dera crédito, e começar tudo novamente desde os fundamentos, se quisesse estabelecer algo de firme e constante nas ciências”. Na primeira Meditação, Descartes abre caminho para construir o próprio conhecimento, com o propósito de encontrar um método tão seguro que o conduzisse à verdade indubitável. Como se sabe, o conhecimento é inteiramente dominado pela inteligência – e não pelos sentidos – e baseado na ordem e na medida, o que permite estabelecer cadeias de razões, para deduzir uma coisa de outra.

Assim, Descartes elabora a dúvida hiperbólica que o impeliria a indagar se não restaria algo que fosse inteiramente indubitável, dividido em percepção distante, percepção próxima, gênio maligno e a própria existência. Na percepção distante, por exemplo, vejo algo se mexer atrás dos arbustos, mas quando olho foi apenas uma criança com um carrinho de brinquedo, isto é, aquilo que me enganou uma vez poderá enganar-me sempre. Em seguida, Descartes utiliza o argumento dos sonhos (percepção próxima) onde não se pode distinguir se estou acordado, ou dormindo, se tenho corpo ou olhos onde se encontrará uma limitação na composição primária do meu sono com as grandezas, o tempo, o espaço e todas as outras relações matemáticas. Por último, o argumento de um “arquiteto enganador”, um gênio maligno que poderia me ludibriar que dois mais dois são quatro, ou que me fizesse perceber um mundo inexistente.

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Desse modo, Descartes busca a verdade primeira que não pode ser posta em dúvida, destruindo os conhecimentos que tinha por verdadeiro e reconstruir outro, começa a duvidar de tudo: do testemunho dos sentidos, das afirmações do senso comum, das informações da consciência, das verdades deduzidas pelo raciocínio, da realidade do mundo exterior e da realidade de seu próprio corpo. Procura assim o axioma, ou seja, o conhecimento que se auto afirma, que não se pode duvidar, uma verdade absoluta e indubitável que seria a dúvida hiperbólica porque o impeliria a indagar se não restaria algo que fosse inteiramente indubitável.

Logo, conclui-se que a própria existência seria essa verdade inabalável, pois ao afirmar “eu sou, eu existo”, é possível perceber essa verdade pela intelectualidade e não pelos sentidos, não podendo colocar a própria existência em dúvida. Pois, o pensamento se encontra no espírito, como fundamento para apreensão de outras verdades. Assim sendo, são ideias inatas, verdadeiras, não sujeitas a erro, pois vêm da razão. Portanto, a existência é uma verdade necessária, ou seja, eu sou enquanto ser pensante e tudo aquilo que penso não é extenso o que é essencial ao mundo material.

luca-calcopietro-nc2ba-23.jpg Imagem: fabiomesquita.wordpress.com


Amanda Moura de Carvalho

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