A sociedade disciplinar, Michel Foucault

A sociedade disciplinar emerge nos séculos XVII e XVIII como forma de dominação, introjetada nas instituições sociais, se introjetando no cotidiano do homem moderno.


michel.jpg Imagem: notaterapia.com.br

Nos séculos XVII e XVIII os processos disciplinares assumiram a fórmula geral de dominação exercida em diversos espaços como nas escolas, nos hospitais, nas organizações militares, na família, entre outras instituições. Assim, o controle do espaço, do tempo e dos movimentos foi submetido ao olhar vigilante que introjetou-se no próprio indivíduo do século XIX – da sociedade moderna, industrial e capitalista.

Dessa forma, o panoptismo manifesta-se nos mais simples níveis de funcionamento da vida cotidiana, como afirma Foucault na “existência individual”. Por exemplo, nas fábricas em que a maneira de trabalhar representa dois modelos disciplinares: o religioso (silêncio) e o militar (hierarquia). Para tanto, a disciplina é mantida pelos supervisores que fazem cumprir os severos regulamentos supervisores, que avaliam a qualidade do serviço, evita brigas e fazem cumprir os severos regulamentos que preveem proibições, horários e penalidades como multas ou advertência, tornando o lugar uma “fábrica-prisão”. Verifica-se, ainda, esse modelo nas instituições educacionais tradicionais, em que o discente deve cumprir regras, horários, respeitar professores e companheiros de classe, e obedecer o sinal de recolhimento para retornar à sala. Tudo para manter a ordem, transformando o espaço numa “prisão-escolar”. Nesse contexto, percebe-se que o corpo e o comportamento dos indivíduos são moldados implicitamente e a todo momento pela sociedade disciplinar. panop1.jpg Imagem: radar.oreilly.com

Sendo assim, as instituições configuram-se como uma combinação de controle social e moral, sob um olhar vigilante, pois à medida que a burguesia se constituiu uma classe dominante precisou de mecanismos de controle mais eficazes, visando docilizar o corpo, os comportamentos e sentimento dos indivíduos, adequando-os ao novo mundo de produção. Vê-se, então, que é possível vincular os indivíduos aos aparelhos de produção, formação, reformação, correção ou punição, isto é, uma reclusão por exclusão.

Ressalta-se, ainda, que por meio do poder epistemológico se extrai dos indivíduos um saber, reforçando o controle, pois a verdade não esta separada do poder, mas é o poder que gera o saber. Primeiro, pelo processo arqueológico, é possível identificar a maneira de pensar e as regras de conduta que são formas de um “sistema de pensamento”. Segundo, pela tática genealógica, que não substitui à arqueológica, mas vai além dela e a completa, explicando as mudanças ocorridas no sistema de discurso, para saber como a verdade tem sido produzida no âmbito das relações de poder. na33fo01.jpg Imagem:ambienteeducativo.com

Para Foucault, o poder não se exerce de um ponto central como qualquer instância estatal, por exemplo, mas sim encontra-se disseminado em uma rede de instituições disciplinares, visto que são as próprias pessoas em suas relações recíprocas (pai, professor, médico, dentre outros) que a partir do seu saber constituído constroem o “poder circular”. Assim, a noção de verdade está ligada as práticas de poder disseminadas no tecido social e esse poder não é exercido pela violência aparente, nem pela força, mas pelo adestramento do corpo e do comportamento de cada pessoa.

Nessa senda, a sociedade disciplinar introjetou-se na sociedade moderna de tal maneira que o indivíduo é regulado em seu cotidiano pelo "panopticon" de forma implícita e silenciosa, como nos shoppings center's em que cada movimento é monitorado. Afinal, no romance escrito por George Orwell, 1984, "o grande irmão esta de olho em você". tirinha15112.jpg Imagem: educacao.estadao.com.br


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