A ética Kantiana, moralidade vs. felicidade

Pretende-se fazer uma breve explanação sobre a relação entre os conceitos de vontade e dever moral desenvolvidos na Fundamentação da Metafísica dos Costumes, de Kant, e sua oposição as éticas teleológicas tradicionais, em especial a ética da felicidade.


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“O homem, com efeito, afetado por tantas inclinações, é na verdade capaz de conceber a ideia de uma razão pura prática, mas não é tão facilmente dotado da força necessária para tornar eficaz in concreto no seu comportamento”. Na fundamentação da metafísica dos costumes o filósofo Kant propõe um princípio que pode definir a ação humana em moral ou não.

Assim, o filósofo tece suas premissas afirmando que há três modalidades de ação: contrária ao dever (imoral), conforme o dever (hipotético - meio termo, “mais moral”) e por dever (categórico - puramente moral). Logo, o homem tem a autonomia, onde o mesmo reconhece que a lei é importante – maioridade da razão - e a heteronomia - menoridade da razão - , onde o homem necessitaria de ser guiado por alguém que reconhecesse o dever por ele.

Nesse contexto, o agir por dever seria nas palavras de Kant, “age de tal forma que tu possas também querer, que a máxima que determina a tua ação possa ser universalizada ou transformar-se numa lei universal”. Por isso, o que promove a destruição da comunidade não pode ser universalizada.

Assim sendo, uma boa vontade é uma possibilidade de ser racional, de agir de acordo com a razão, desse modo se não há boa vontade não há moralidade, pois, o critério da boa ação é a intenção. Logo, o que confere valor é a intenção do agir, determinando-o se é moral ou não, pois uma ação realizada por dever é desinteressada. Por isso, não se pode saber se a ação foi realizada de boa vontade, pois ela deve ser determinada pela razão e não pelas inclinações do indivíduo.

filosofo-mais-famosos-Immanuel-Kant.jpg Fonte:emanuelkantg5.blogspot.com.br

Aquele que agisse apenas pela razão, para Kant seria um santo, pois, seria capaz de impedir que suas inclinações e patologias determinem suas ações. Portanto, o dever é a necessidade de razão por pura lei, assim o respeito seria um sentimento puramente racional que se autoproduz e a lei moral poderia causar um afeto por ela que seria o respeito a moral ao dever.

Haverá liberdade prática onde o indivíduo agir por dever anulando a influência da inclinação e a cosmológica (transcendental), ou seja, a capacidade de iniciar uma série de eventos sem causa anterior. Nota-se, então, que quando o indivíduo saísse da menoridade, em direção a maioridade da razão, ele chegaria por fim ao esclarecimento onde reconheceria a razão como um dever universal, capaz de guiar-se pelo bem, isto é, a moralidade.

frase-a-moral-propriamente-dita-nao-e-a-doutrina-que-nos-ensina-como-sermos-felizes-mas-como-devemos-immanuel-kant-148937.jpg Fonte: www.gambaroke.com

Pode-se, então fazer uma breve discussão sobre como a investigação moral kantiana se coloca em direção radicalmente contrária as éticas teleológicas tradicionais, pois, Ser moral significa, para Kant, ser infeliz, uma vez que o homem deixaria de lado suas inclinações e patologias, em prol de uma vida moral. Tendo em vista que para o homem o conceito de felicidade é satisfazer as inclinações e ao submeter suas ações à razão, impediria esse tipo de felicidade que não é moral. Assim, Kant se opõe as éticas teleológicas, em especial a da felicidade uma vez que afirma que o bem supremo na sociedade é a moralidade e não a Eudaimonia – bom daimon - como afirmava Aristóteles, por exemplo.

Portanto, o indivíduo deve ser moral e não feliz, pois se todos os homens e mulheres tendem a serem felizes haveria um indicativo de que a humanidade não está caminhando para moralidade e para ética, mas sim para imoralidade. Nesse sentido, a ética kantiana acredita na moralização da humanidade, isto é, o homem reconheceria a razão como um dever universal, capaz de guiar-se pelo bem, pela moralidade.


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