Amanda Moura de Carvalho

Estudante e amante da Filosofia, vivo numa utopia interna e tento esclarecer determinadas verdades todos os dias da minha vida.

A filosofia empirista de David Hume

O filósofo David Hume, causou grandes impactos na filosofia moderna ao tecer suas premissas numa perspectiva empirista, em que as leis naturais são meros frutos de crenças e hábitos, não sendo um conhecimento seguro.


Hume preconiza o método de investigação, afirmando que o conhecimento humano tem início com as percepções individuais, que podem ser impressões (percepções originárias que se apresentam à consciência com maior vivacidade, tais como as sensações: ver, ouvir, sentir dor etc.) ou ideias (percepções derivadas, cópias pálidas das impressões e, portanto, mais fracas), ou seja, o sentir distingue-se do pensar (ideia) pelo grau de intensidade.

Imagem 1.jpg Imagem: www.nagaitoshiya.com

Dessa forma, os objetos do conhecimento racional dividem-se em relações entre ideias – a priori, como álgebra, aritmética e lógica que não necessita da impressão dos sentidos e são afirmações demonstrativamente corretas – por exemplo, 2 + 2 = 4, inferindo-se que é uma ação das ideias e não tem relação com o mundo real e as questões de fato – a posteriori, afirmações que dependem da ‘realidade’, ou seja, um ato de causa-efeito.

Acrescentado que a impressão é sempre anterior e a ideia dela depende, rejeitando as ideias inatas. Porém, as ideias, podem ser complexas, quando pela imaginação se combinam entre si por meio de associações.

Assim, a imaginação é um feixe de percepções unidas por associação a partir da semelhança, da contiguidade (no espaço ou no tempo) e da relação de causa e efeito. No entanto, essas relações não podem ser observadas, pois não pertencem aos objetos. As relações são apenas modos pelos quais se passa de um objeto particular a outro, simples passagens externas que permitem associar os termos a partir dos princípios de causalidade, semelhança e contiguidade.

Imagem 2.png Imagem: cursa.ihmc.us

Por exemplo, quando uma bola de bilhar se choca com outra, que então se põe em movimento, não há nada na experiência que justifique denominar a primeira bola como a causa do movimento da segunda. Do mesmo modo, aos associarmos calor e fogo, peso e solidez. Nasce aqui, o que muitos chamam da “guilhotina de Hume”, outro exemplo que pode elucidar, seria a crença em que o sol nasceu ontem, hoje e todos esses anos, ocasionada pelo hábito. Entretanto, nada irá garantir que nascerá amanhã, significando que isso é uma crença e não um conhecimento, não se encontrando no campo na certeza. Em suma, o filósofo empirista afirma que nada garante que uma causa X dê resultado a Y.

Pois, Hume nega a validade universal do princípio de causalidade e da noção de necessidade a ele associada, pois “todo efeito é um acontecimento distinto de sua causa”. Logo, o que se observa é a sucessão de fatos ou a sequência de eventos, e não o nexo causal entre esses mesmos fatos ou eventos. É o hábito criado pela observação de casos semelhantes que faz ultrapassar o dado e afirmar mais do que a experiência pode alcançar. E, a partir desses casos, supõe-se que o fato se comportará de forma análoga, o que tornar-se um grande equívoco, visto que não há garantia alguma de que esse fato se repita.

Contudo, a causalidade é algo que não se pode experenciar, pois todas ideias advêm da experiência que são lembranças das impressões. Sendo assim, as leis naturais são frutos das crenças, por causa do hábito e no campo da experiência não se tem certezas. A filosofia empirista casou grandes indagações na época, sendo mais tarde repensada em outra perspectiva por Kant.


Amanda Moura de Carvalho

Estudante e amante da Filosofia, vivo numa utopia interna e tento esclarecer determinadas verdades todos os dias da minha vida..
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