A filosofia empirista de David Hume

O filósofo David Hume, causou grandes impactos na filosofia moderna ao tecer suas premissas numa perspectiva empirista, em que as leis naturais são meros frutos de crenças e hábitos, não sendo um conhecimento seguro.


Hume preconiza o método de investigação, afirmando que o conhecimento humano tem início com as percepções individuais, que podem ser impressões (percepções originárias que se apresentam à consciência com maior vivacidade, tais como as sensações: ver, ouvir, sentir dor etc.) ou ideias (percepções derivadas, cópias pálidas das impressões e, portanto, mais fracas), ou seja, o sentir distingue-se do pensar (ideia) pelo grau de intensidade.

Imagem 1.jpg Imagem: www.nagaitoshiya.com

Dessa forma, os objetos do conhecimento racional dividem-se em relações entre ideias – a priori, como álgebra, aritmética e lógica que não necessita da impressão dos sentidos e são afirmações demonstrativamente corretas, por exemplo, 2 + 2 = 4, inferindo-se que é uma ação das ideias e não tem relação com o mundo real - e as questões de fato – a posteriori, afirmações que dependem da ‘realidade’, de um ato de causa-efeito.

Acrescenta, ainda, que a impressão é sempre anterior e a ideia dela depende, rejeitando as ideias inatas. Porém, as ideias, podem ser complexas, quando pela imaginação se combinam entre si por meio de associações.

Assim, a imaginação é um feixe de percepções unidas por associação a partir da semelhança da contiguidade (no espaço ou no tempo) e da relação de causa e efeito. No entanto, essas relações não podem ser observadas, pois não pertencem aos objetos. As relações são apenas modos pelos quais se passa de um objeto particular a outro, simples passagens externas que permitem associar os termos a partir dos princípios de causalidade, semelhança e contiguidade.

Imagem 2.png Imagem: cursa.ihmc.us

Por exemplo, quando uma bola de bilhar se choca com outra, que então se põe em movimento, não há nada na experiência que justifique denominar a primeira bola como a causa do movimento da segunda. Do mesmo modo, ao associarmos calor e fogo, peso e solidez. Nasce aqui, o que muitos chamam da “guilhotina de Hume”, outro exemplo que pode elucidar, seria a crença em que o sol nasceu ontem, hoje e todos os dias desses anos, ocasionada pelo hábito. Entretanto, nada irá garantir que ele amanhã, significando que isso é uma crença e não um conhecimento, não se encontrando no campo na certeza. Em suma, o filósofo empirista afirma que nada garante que uma causa X dê resultado a Y.

Em sendo assim, Hume nega a validade universal do princípio de causalidade e da noção de necessidade a ele associada, pois “todo efeito é um acontecimento distinto de sua causa”. Logo, o que se observa é a sucessão de fatos ou a sequência de eventos e não o nexo causal entre esses mesmos fatos ou eventos. É o hábito criado pela observação de casos semelhantes que faz ultrapassar o dado e afirmar mais do que a experiência pode alcançar. E, a partir desses casos, supõe-se que o fato se comportará de forma análoga o que tornar-se um grande equívoco, visto que não há garantia alguma de que esse fato se repita.

Contudo, a causalidade é algo que não se pode experienciar, pois todas ideias advêm da experiência que são lembranças das impressões. Sendo assim, as leis naturais são frutos das crenças, por causa do hábito, já no campo da experiência não se têm certezas. Nessa senda, a filosofia empirista casou grandes indagações na época sendo mais tarde repensada em outra perspectiva por Kant.


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