perséfone e seus devaneios

o inconsciente a céu aberto

Priscilla Medeiros

Mulher, feminista, psicóloga, psicanalista em formação.

Das tempestades que nos perpassam...é preciso balançar para manter o equilíbrio!

Ouse o (des)percebido das pequenas coisas

"Encontre o prazer nas pequenas coisas cotidianas. Sorria com as pessoas na rua, veja um pôr-do-sol, ouça a música das ruas, faça passeios despretensiosos, deguste uma boa bebida, saboreie uma boa comida, faça uma boa ação, enxergue as cores ao redor."


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Se você é uma dessas pessoas que também acredita em “sinais” e acha que vira e mexe a vida lhe dá umas alfinetadas (nada) sutis, acompanhe...

Em um desses dias que se está na pressa do movimento das ruas, e por soluções, você chega em um estabelecimento e logo de primeira ouve ao longe uma velha canção: “se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar”. Que tapa!! Como pode o acaso me jogar uma música (verdade) dessas, assim, a queima roupa!

A questão é que Maysa tinha acabado de iniciar uma reflexão: da conta de quem são os meus problemas? A resposta parece óbvia, mas na prática, no mundo coletivo dos donos da vida alheia, aparecem outras respostas. Claro que Donne estava certo em dizer que o homem não é uma ilha. Não é no completo isolamento que vejo saída, não é a isso que me refiro. Mas, se o meu mundo é que está a cair, não posso apontar outras pessoas para que possam resolver esse empasse.

Somos sujeitos inconstantes, amor e ódio, alegria e tristeza, chorar e sorrir, viver e morrer, sim e não...são tantas questões existências. Quem é que pode resolver nossos próprios conflitos além de nós?

Uma pausa estratégica é sempre eficaz. Tire um tempo pra você. Se cuide. Recarregue as energias. Não perca tempo batendo a cabeça na parede por empasses que talvez nem tenham mais solução. Quanta coisa a gente acha que vai se resolver por si só e...nada muda. É o velho ditado: “o que não tem remédio, remediado está”. Trace uma nova rota. Veja novas possibilidades. Não se engaiole frente a situações insolúveis. Tire-as do caminho e siga reto na estrada.

“Há momentos que temos de procurar o tipo de cura e paz que só podem vir da solidão” (COMER, REZAR E AMAR - filme)

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Se conheça, aprecie a sua companhia. Ninguém sabe mais sobre você do que você mesmo(a). São seus sentimentos, seus pensamentos, suas opiniões. É a sua vida passando tempo a fora. Como bem cantava o jovem sonhador Agenor (conhecido como Cazuza): “o tempo não para”. E certamente não vai esperar você resolver todos os “xs” das questões. A vida dança conforme a música. Perceba que coisas boas e ruins sempre vão acontecer, depende de nós saber o que fazer diante dessas situações e torna-las sempre a nosso favor. Equilibre-se. Mantenha o ritmo.

Permita-se sagitariar por aí (se assim posso usar esse “verbo”). Respire coisas boas, não se contamine com o que lhe faz mal. Jogue fora, não irá lhe fazer falta. Encontre o prazer nas pequenas coisas cotidianas. Sorria com as pessoas na rua, veja um pôr-do-sol, ouça a música das ruas, faça passeios despretensiosos, deguste uma boa bebida, saboreie uma boa comida, faça uma boa ação, enxergue as cores ao redor. Observe as pessoas, veja que não somos tão diferentes assim uns dos outros. Veja que outras pessoas ao redor também se veem um tanto quanto perdidas, mas continuam a traçar novas estratégias de sobrevivência.

"Ouse, ouse... ouse tudo!! Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes. Se você quer uma vida, aprenda... a roubá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida" (Lou-Salomé)

Nessa fluente e irrefreável comédia humana (não a de Balzac), busquemos então as rotas alternativas para aguentarmos as dores. Mantras, músicas, dança, artes, viagens, livros, amigos, use todos os recursos possíveis a seu favor. Alivie-se, inspire-se, recrie-se. Faça da vida a sua arte, seu investimento de energia...Sublime-a!!

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Priscilla Medeiros

Mulher, feminista, psicóloga, psicanalista em formação. Das tempestades que nos perpassam...é preciso balançar para manter o equilíbrio!.
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