A arte experimental de Hélio Oiticica

Hélio Oiticica foi um artista experimental e performático. Sua produção é considerada uma das mais originais e revolucionárias da cena artística brasileira de todos os tempos, contendo um caráter inovador e, muitas vezes, polêmico.


Nucleos 1966 Helio Oiticica

Hélio Oiticica foi um revolucionário artístico, buscou inspiração nos mais diferentes cenários históricos e cenas sociais. Os trabalhos de Hélio Oiticica mantém um caráter plural, desde elaborações teórica-artísticas até experimentos que requerem a participação ativa do público.

Oiticica superou a noção comum de se fazer arte e do tradicional conceito do que era arte, propriamente dita. Além de redefinir os conceitos artísticos de sua época, ele buscou dialogar com o público de uma maneira, até então, inovadora na cena artística brasileira. Ele buscou a participação do público em seus trabalhos, sendo assim, ele fez do observador parte integrante de sua obra, a qual adquiria uma nova dimensão com a interação ativa e direta do público. Sendo assim, Hélio Oiticica não somente redefiniu o conceito das ates plásticas da época, mas também redefiniu o próprio observador que era, para Oiticica, uma extensão da obra artística. Nesse sentido, a arte passa do estado de contemplação para o afetar os comportamentos, tendo uma dimensão ética, social e política.

Helio Oiticica Penetravel Filtro 1972

Penetravel Filtro 1972 Helio Oiticica

De acordo com o crítico de arte Celso Favareto, podemos identificar duas fases na obra de Oiticica: o visual e o sensorial.

Hélio aderiu ao concretismo em 1955, e começou a produzir trabalhos em guaches sobre cartão, que consistiam de retângulos de vários tamanhos presos a estruturas de grade, com curvas para dar leveza à obra. No ano seguinte, o artista começa a adicionar a estes trabalhos um inquietante aspecto bidimensional, que revela seu interesse em ultrapassar a reação e olhar comum para o objeto de arte. O artista cria, então, quadrados monocrômicos que produzem uma sombra que enfatiza a tridimensionalidade incipiente da peça. Nas Invenções, por influência de teorias de temporalização, ele enfatiza a importância da cor para os efeitos das peças de arte. Em 1959, Oiticica aderiu ao movimento Neoconcreto, cujproposta era um não-objeto artístico, uma obra de arte como organismo vivo, existindo no tempo e no espaço. Oiticica começa então a criar algo totalmente original. Uma de suas obras deste período é o que ele chamou de Os Bilaterais, placas de fina espessura com dobras em vários planos, e espaços vazios entre eles. Nesses trabalhos, o artista faz uso de várias tonalidades de amarelo e laranja, sugerindo o fluxo contínuo de uma cor à outra - esta transição faz da obra o que ela é, atingindo, então, o que ele chama de cor-tempo, conferindo à obra uma existência psíquica. A obra existe somente enquanto dura este processo. A arte passa do estado estático, e o observador passa a experimentar a sua movimentação.

Relevos espaciais Helio Oiticica

Nucleos Helio Oiticica

É tambem dentro deste conceito que ele cria as séries Núcleos e Bólides. Ao buscar por novas possibilidades de entendimento da cor na obra de arte, produziu estas séries que superam as proposições puramente estéticas das estruturas, pois se constroem e se efetivam através da interação com o espectador. Os Núcleos são compostos de placas de madeira quadradas ou retangulares, em tamanhos variados, que são expostas suspensas e agrupadas. A proposta desta obra é uma volta ao núcleo da cor, ser uma forma de movimentar virtualmente a cor. Para que se possa absorver o desdobramento da cor no Núcleo é preciso que o participador adentre a estrutura de placas coloridas, cercando-se delas, vendo-as por todos os ângulos. Já na série Bólides, Hélio Oiticica coloca o participador em contato com diferentes artefatos de vidro, plástico e cimento, explorando, assim, a relação espectador-objeto de forma desinteressada e desvinculada de uma ação útil, estabelecendo uma relação puramente intuitiva.

Helio Oiticica

O conceito "Suprassensorial", que Oiticica desenvolve em 1967, propõe experiências com a percepção do participador, investigando possibilidades de dilatamento de suas capacidades sensoriais - uma "suprassensação", semelhante àquela causada pelo efeito de drogas alucinógenas ou pelo êxtase do samba. Segundo Oiticica, o suprassensorial levaria o indivíduo "à descoberta do seu centro criativo interior, da sua espontaneidade expressiva adormecida, condicionada ao cotidiano".

Sua proposta é uma arte que busca uma abertura ao participador e do participador, através de experiências que promovam uma volta do sujeito a si mesmo, redescobrindo e libertando-se de seus condicionamentos éticos e estéticos, impelindo-o a um estado criativo em uma vivência suprassensível.

Penetraveis Helio Oiticica


deixe o seu comentário

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.

comments powered by Disqus
version 1/s/arte,arte experimental,arte interativa,arte no brasil,artistas brasileiros,As principais obras de Hélio Oiticica,brasil,cor,Hélio Oiticica,interação,pintores brasileiros,pinturas,teoria,Arte// //