poeta de fim do mundo

um pouco de filosofia, um verso de poesia e boas histórias pra contar.

Júlio Soares

Graduando em Filosofia pela UFPR e Gestão Pública pela Univ. Braz Cubas, escrevo poesias, contos, críticas políticas e tudo que me é necessário

Marque um encontro em Paris!

Nossa geração sofre com o ''desnorteamento social'', isto é, o fato de nunca sabermos o que queremos, inclusive, aonde queremos ir nos tornam de alguma forma desnorteados, perdidos em meio a tantas oportunidades e lugares inexplorados por nós. Um grande problema esse em momentos de decidir onde será o primeiro encontro ou somente mais um encontro e vai aí minha dica: marque um encontro em Paris! E verá que nem precisa sair da sua cidade para isso, tudo é questão de sentir.


Ela é como todas as viagens que fiz ao mundo:

Seus lábios são suaves e tão bem contornados como as margens do Rio Nilo;

Sua mente quando é puro caos consegue fazer do caos algo belo como os arranha-céus e buzinas de Nova Iorque;

Seus olhos lembram o Glacial Bay no Alasca as águas geladas refletem o céu de brigadeiro como teus olhos refletem as iluminações urbanas;

Sua pele macia e delicada se assemelha a Svalbard na Noruega, aquele chão fofo de neve e as auroras boreais ao anoitecer mostram que a simplicidade e a doçura são peças fundamentais para nos encantar, ou ao menos, me encantar;

E quando jantamos a luz de velas numa noite de domingo, no anseio de segurar os ponteiros para que segunda-feira demore mais alguns minutos, me sinto velejando em Veneza;

Você sempre deve se vestir formalmente de branco e em breve não será um jaleco mas sim, um vestido, do tamanho que desejar numa cerimônia dentro do Stonehenge para no fim darmos uma resposta aos céticos: esse monumento foi feito para ser nosso altar!

Quando de vestido florido me lembra a Capadócia na Turquia, essa sensação louca de estar com você e me sentir nos céus, leve como um balão amarelo atravessando o céu, bem me leve;

Quando religiosa me lembra Jerusalém sua rotina propõem que seja assim, árduosamente e com apreço, se encosta e se guarda em mim como se eu fosse o Muro das Lamentações;

Logo hoje a tarde ao irmos no cinema após eu ter feito um convite a ela, de uma ida a Paris na inocência e na saudade de viajar e também afim de mostrá-la, que ela é intercontinental e interplanetária: - Não tinha marcado um encontro em Paris? Pensei que tivéssemos ido a Lua... - Indagou ela, docilmente.

E me beijou, enfim, me senti em Paris na França, na ponta da Torre Eiffel abraçado-a em um dia de vento forte, seu cachecol flamulava como uma bandeira e seus olhos se encolhiam

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Naquele momento perdi o medo de altura e consequentemente, o de amar.


Júlio Soares

Graduando em Filosofia pela UFPR e Gestão Pública pela Univ. Braz Cubas, escrevo poesias, contos, críticas políticas e tudo que me é necessário.
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