poeta de fim do mundo

um pouco de filosofia, um verso de poesia e boas histórias pra contar.

Júlio Soares

Graduando em Filosofia pela UFPR e Gestão Pública pela Univ. Braz Cubas, escrevo poesias, contos, críticas políticas e tudo que me é necessário

Carta a alguém que não pode ler mais

Para ser lido ao som de "Ben" do Rubel.


Eu podia ter perdido o juízo

Perdido a hora mais uma vez

Perdido as moedas do ônibus

Perdido minha palheta

Podia até ter perdido a noção do certo e errado

Perdido na aposta imaginária do que cede e pede desculpas primeiro

Perdido amigos, minha casa, meu emprego e meu dinheiro

Mas eu te perdi e tal dor não se compara a perda de nada disso

Te perder foi único como te amar

Te perder é tão singular que virou sentimento

Não é saudade

Não é lembrança

E nem mesmo é carência

É simplesmente perder

Que a perda que ganhei de ti sirva de fato para minha evolução

Que eu busque entender os motivos que a vida nos dá e nos tira

E por que grandes amores no fim são apenas lembrados e guardados

No canto mais quentinho da nossa memória

Pra deixa-los lá, adormecidos em paz para sempre

Que a sua perda me ensine a encontrar o lado bom de mim

Que renegue questionamentos sobre sua perfeição

A vida é sim perfeita! mesmo errônea, como você era também

Uma pilha de defeitos maiores que seus 1,55m

Eram defeitos leves, que ao ver você, pairavam no ar pra bem longe

Quero que vivas aonde quer que estejas

Viva e se sinta viva

Aproveite cada minuto pra me esquecer e esqueça

Prometa e cumpra nunca mais voltar ao nosso lar e também nunca maldize-lo

Deixe-o lá como está, era a nossa bagunça

Nunca perca um bom dia de praia

Um bom filme no cinema

Um domingo de churrasco com a família

Que ame e desame quantas vezes for necessário

Que minha imagem ao te assombrar

Repita várias vezes que: "não deve se lembrar de mim"

Assim como faço também

Daqui te prometo preservar nossa memória

Mas esquece-la, temporariamente

Até ouvir uma música, ler um texto ou repescar uma lembrança

Nesses momentos sim lembrarei de você

Mas somente nesses, um dia

Prometo que esse não será o último texto

Assim como não foi o primeiro entre os infinitos que guardei

Os que apenas eu e você sabemos

E os que o tempo levou e só ele decorou

Em cada obra minha

Em cada experiência contada

Cada poema

Você estará lá, fragmentada

Em cada letra que condizer com a do seu nome

Um pouco de você estará lá

E ao falar de amor saiba que você ainda estará lá

Mais explícita mesmo sem exposto seu nome estar

Haverá coisas que só farão sentido a você

E ao folear meu livro um dia na livraria

Vai rir e se lembrar

Dessa mesma risada virá a minha

Parte da sua partida

Da sua morte

Foi semeada e enterrada em mim

Os frutos se encontram nas mais puras e belas

Argumentações sobre o amar, esquecer e perder

Como despedida sempre lhe disse: amo-te

Nesse poema digo: perdei-te

Pra encontrar comigo entre os labirintos do tempo.nternacional-celebridades-robin-williams-20140811-15-size-598.jpg


Júlio Soares

Graduando em Filosofia pela UFPR e Gestão Pública pela Univ. Braz Cubas, escrevo poesias, contos, críticas políticas e tudo que me é necessário.
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