poeta de fim do mundo

um pouco de filosofia, um verso de poesia e boas histórias pra contar.

Júlio Soares

Graduando em Filosofia pela UFPR e Gestão Pública pela Univ. Braz Cubas, escrevo poesias, contos, críticas políticas e tudo que me é necessário

Vaporwave: a subjetividade que merece atenção

Quando as palavras se tornam pífias e não tem o alcance desejado, muitos artistas procuram outras formas de expressão, formas estas que suprem confortavelmente a falta das palavras sejam elas: visuais, sonoras ou físicas. O conceito "Vaporwave" trás a subversividade das idéias no design gráfico, sua trilha sonora não diz tanto quanto seu vídeo clipe diria, mas os dois são cúmplices, se completam e agem em uma harmonia notável.


Podemos definir essa subcultura do cyberpunk como uma vertente do mesmo facilmente. Mas se analisarmos a fundo veremos que se trata bem mais do que uma tentativa de previsão futurística feita nos anos 80.

Vaporwave é um misto de gênero musical e arte gráfica, inventada em 2010, trazendo renovações ao já conhecido Seapunk e música eletrônica; A mais notável artista desse conceito cultural se chama Ramona Xavier sob diversas alcunhas entre elas: Vektroid, Macintosh Plus dentre outras, definiu que esse estilo "remete a comunicação internacional e também a hiper contextualização asiática nos anos 90" que persiste até os dias atuais, sendo grande a adesão e veneração a cultura oriental nos últimos anos.

Tal gênero só ganhou popularidade em 2011 em fóruns online de música e passando o tempo migrou para plataformas como Soundcloud, Bandcamp, Last.fm e etc. Chuck Person's Eccojams Vol. 1 do Chuck Person e Far Side Virtual da James Ferraro são considerados os "pioneiros" do estilo.

Sua música e seu vídeo clipe aliam-se perfeitamente porém seguem pretensões diferentes: enquanto a trilha sonora tenta resgatar um olhar nostálgico com um Smooth Jazz canalizado em uma batida de música de elevador totalmente sampleado, seu vídeo clipe totalmente estilizado com uma diversidade de videotapes e glich art's trás a temática marinha do Seapunk, movimentos corporais e cenas gravadas de forma que nos mostre fisicamente nossas dores internas, sensações e sentimentos. Esculturas renascentistas também são comumente usadas.

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A manifestação sociopolítica na arte não é nova e está longe de acabar, em tudo que fazemos buscamos identificação, não somente aquela que nos faça sentir ali, naquela ocasião ou pretexto mas sim que nos traga a sensação de estarmos falando aquilo que pensamos, estarmos expressando aquilo que nosso corpo, nossa mente quer expressar. o Hip-hop e seus elementos como o rap, grafite e o break fizeram as classes suburbanas se identificarem sem nem mesmo tocar em seu pessoal, mas o fato da arte, da cultura se encontrar, fugir dos padrões sociais do lazer fez com que milhares de jovens se introduzissem no estilo. Porém, foi-se passando as décadas, e era tudo "mais do mesmo" até que chegou um momento onde se viu que todos estavam tentando voltar ao passado vestindo-se como os adolescentes dos anos 50, optando por objetos, imagens e olhares mais antigos, obsoletos; A necessidade que a sociedade procura em se identificar e pela metamorfose rápida que está dentro dela, tudo tem a validade curta, até as melhores coisas nesse momento amanhã simplesmente podem desaparecer para dar lugar a outras, renovação sempre é bom com a vontade de se mudar, trazem-se atualizações em nossas vidas de grande valor que pode reverter tudo de pior e complicado, pro melhor e mais simples.

O Vaporwave trás tudo isso, a nostalgia da infância dos jogos de 8-bit, de lugares mais antigos que hoje é difícil de se achar, de tudo aquilo que você sente mais falta dá pra encontrar em cada segundo da música, vivemos num momento onde queremos voltar aos bons momentos e nada melhor que uma máquina do tempo como essa pra trazer essa sensação tão boa que é relembrar, como dizem: "relembrar é viver", não é mesmo?

Por fim, tudo tem uma definição, um ponto de vista e uma conclusão e são poucas as artes que nos deixam determinar o fim daquilo, de ficarmos pensando sobre o significado daquilo logo após vermos ou escutarmos, esse estilo nos dá essa liberdade: a liberdade da interpretação. São diversas formas de se dizer o quão esse conceito pode ser revolucionário, embora sua criação tenha sido em 2010, ele já teve seu momento, hoje sua disseminação pela web é fraca mas ainda resiste, para continuar viva ela precisa se reinventar e esse é o desafio de outros milhares de conceitos, a reinvenção é necessária talvez até a mudança, para se adequar as mentes tão indecisas que nós temos. Ouça e escute, não apenas ouça, determine outros padrões para a análise de tudo, inclusive de qualquer música desse gênero, veja de um ponto crítico e verá que além da viagem ao passado, do toque relaxante e nostálgico que as batidas sampleadas trazem, verá um ótimo lugar para moldar sua forma de viver e sua forma de criticar, é um exercício ideológico para formação de opinião.


Júlio Soares

Graduando em Filosofia pela UFPR e Gestão Pública pela Univ. Braz Cubas, escrevo poesias, contos, críticas políticas e tudo que me é necessário.
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