poeta de fim do mundo

um pouco de filosofia, um verso de poesia e boas histórias pra contar.

Júlio Soares

Graduando em Filosofia pela UFPR e Gestão Pública pela Univ. Braz Cubas, escrevo poesias, contos, críticas políticas e tudo que me é necessário

nunca confie no barbudinho, universitário, coque samurai e diz ser de esquerda

Uma breve análise a respeito da espécie Hominis de Isquerdis, uma nova descoberta das ciências humanas. Parece ter surgido por volta dos anos 60, no conceito Hippie mas sofreu mutações ao adentrar o Século XXI, se tornando hoje parte da elite e não mais dos suburbanos exilados.


A era da internet trouxe consigo algumas pérolas - ou pragas virtuais - dos memes as vergonhas alheias. Um projeto promissor e revolucionário, que foi sempre o equilíbrio entre o útil e o inútil. Claro que não interessa aqui julgar a polaridade da internet. O que afirmo, é que o mundo digital cria tendências que permanecem por algum tempo, tornando-se inclusive culturais. Uma cultura de valor limitado, que se dissolve em si mesma e desaparece na imensidão criptografada. Foi assim nos primórdios das convocações em flash mobs por e-mail e fóruns diversos, as comunidades de Orkut e atualmente na criação de eventos que possibilitou a propaganda de manifestações históricas, como as jornadas de julho/2013.

A tendência que abordo hoje é sobre o protótipo de “homem de esquerda”. Uma espécie de “Ken ideológico”. Sempre de coque, violão, com frases de efeito como “fora temer” e “me pega que sou de esquerda”, barba malfeita, integrante de algum subgrupo militante dos cursos de humanas. Fruto de uma romantização-fetichização da política. Crê que seu estilo não influencia politicamente apenas, mas socialmente, num desespero típico de filmes americanos dos anos 2000: o jovem na puberdade adere a moda para conseguir status e atenção das garotas da escola.

Até deu certo.

Colou por algum tempo.

Mas, como mentira tem perna curta... A farsa de homem-perfeito cai por terra, aos poucos.

O típico homem politizado, bom de papo, que fala sobre combate à desigualdade e golpismo de direita, nada mais é que um homem qualquer, salvo exceções, que esconde sua verdadeira face perante a sociedade. O típico homem de esquerda, novamente salvo exceções, que diz que o feminismo é importante e afana espaço de fala, para exaltar suas qualidades sociopolíticas excepcionais, das quais somente ele possui. Mas em seu círculo social, composto obviamente, por mais homens de esquerda excepcionais, difama e ridiculariza mulheres, ofende-as com as frases machistas que tanto causam repulsa próximo de mulheres que defendem bandeiras feministas. Objetifica mulheres, já a começar pelo fato de aderir a um movimento pelo propósito obscuro e vigarista da relação/status social no público feminino.

1424550518707.jpg E isso existe aos montes, na casa da maioria de ditos homens defensores de pautas à esquerda. Que viram na política um momento de viralização midiática, do bom moço dos corredores cativos das academias tanto públicas e mais ainda particulares. Que viram em frases e livros revolucionários, palavras que chamam a atenção. Afinal, a desigualdade é uma problemática mundial e urgente, defende-la é estar incluso num debate secular. E os holofotes sempre se voltam àqueles que dizem, o que os ouvidos querem ouvir e propõem soluções, que por mais genéricas que possam ser, ainda geram comoção. Como fica bonito o símbolo da foice e do martelo, do trabalhismo, da resistência e de figuras que defenderam e criaram tais conceitos, estampadas nas camisetas como ostentação de seguimento de ideais. Pois se não é para aparecer e dizer ser o que é evidência, não vale. A revolução subversiva não se aplica a tais seres. Não rende like no Facebook e no Instagram.

Mas é claro que existem diversas pessoas, que sabem pelo que lutam e como lutar por pautas sociais, políticas, econômicas e culturais. Porém, na minoria esmagada pela maioria desnorteada, não precisam ostentar selfies em manifestações, nem tampouco fotografar seus atos políticos, reuniões ou o que seja. Não precisam dar uma carteirada “sou de esquerda” para inicios de conversas, como se isso fosse um full pass.

Por isso, não confie. Quem faz política não precisa de um kit modal, cartilha ou manual. Quem faz política, vive-a demais para se ocupar com a vaidade do ser, quem é, está.


Júlio Soares

Graduando em Filosofia pela UFPR e Gestão Pública pela Univ. Braz Cubas, escrevo poesias, contos, críticas políticas e tudo que me é necessário.
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