poétiquase

um enfoque lírico nas partes das artes

Bruna Kalil Othero

Estudante de Letras, amante de literatura e artes em geral, cinéfila, feminista, faladeira. É autora do livro de poesia "POÉTIQUASE", pela Editora Letramento.
http://brunakalilothero.weebly.com/

AMIZADE A DISTÂNCIA: TEM JEITO?

Hoje é aniversário do meu melhor amigo e ele está a 8.944,11 km de distância de mim (calculei no google maps). E aí, como que faz?


Vinicius de Moraes, famoso “poetinha” e renomado compositor da nossa música popular, era admirador confesso da capacidade humana de cultivar uma amizade. Boa parte de sua poética é dedicada a esse sentimento, como no célebre Soneto do Amigo - “Enfim, depois de tanto erro passado / Tantas retaliações, tanto perigo / Eis que ressurge noutro o velho amigo / Nunca perdido, sempre reencontrado.” -, e na música “Amigos meus, está chegando a hora / Em que a tristeza aproveita pra entrar / E todos nós vamos ter que ir embora / Pra vida lá fora continuar”.

O ser humano é por excelência um ser social, dependente da convivência e das relações com outros iguais. Adoramos conversar, descobrir a vida do próximo e deixar um espaço para que ele entre na nossa também. Isso ocorre em diversos níveis, por vezes efêmeros, mas ah! por vezes intensos e duradouros. As melhores amizades são as provocadas por profundas ligações, entre pessoas similares, com gostos e impulsos parecidos, que se identificam - ou melhor, se reconhecem.

Sendo assim, para se classificar alguém como melhor amigo, é preciso um delicado re-co-nhe-ci-men-to. A maior fraternidade é como um espelho, em que podemos ser quem verdadeiramente somos e ver o “reflexo” como ele verdadeiramente é. Porém, como administrar e manter uma amizade com um oceano no meio, quando cada lado do espelho está em um continente?

Captura de tela inteira 02042015 203703.bmp.jpg Foto: Google maps

Vamos ao ponto: meu melhor amigo está, há sete meses, morando em Brighton, na Inglaterra, pela universidade. Ele está adorando a experiência e aproveitando horrores, e eu, obviamente, estou feliz por isso. Minha vida não parou, continuam acontecendo coisas legais comigo - só que ainda sobra aquele vazio constante de que algo está faltando. No início, conversávamos praticamente todos os dias, mas com o tempo, a frequência diminuiu. Foi díficil, afinal, eu iria incomodá-lo com meus dramas belorizontinos enquanto ele estava curtindo a rica, ainda que cinza, vivência europeia?

E mesmo assim, em todas as vezes que nos falávamos, estava presente aquela palavra tão genuinamente brasileira: SAUDADE. Ai, amigo, que saudade. Amiga do céu, que saudade, saudade, saudade. Falta muito pra você voltar? Falta, amiga, mas calma, eu volto. Que saudade.

SAUDADE.png

Acabou que, com o tempo, fomos nos acostumando a essa amizade virtual. Porque, afinal, tem jeito de manter essa filia, esse afeto, sim, é só se esforçar. As ferramentas modernas muito nos ajudam, e o WhatsApp é nosso melhor amigo. Skype é uma excelente maneira de comunicação a distância, mas sempre estamos tão apressados - ô, maldição da vida presente! -, e nem sempre adequados aos horários um do outro, por causa do famoso fuso horário. Então preferimos os áudios, os tão humanos áudios.

Esse apetrecho do WhatsApp salvou nossas vidas. É praticamente impossível nos comunicarmos por uma ligação, já que as taxas são absurdas. Assim, trocando áudios, deixamos nosso rastro humano e torto por meio das tecnologias. Dessa forma, ouço a voz dele e ele a minha. Rimos, embebidos de saudade, lembrando de quando gargalhávamos cara a cara. Não nos falamos todo dia, mas toda vez que nos falamos, é uma festa. Uma folia brasileira fazendo ponte áerea. Dizendo, baixinho: é temporário. Ele volta.

P.S. Feliz aniversário, migo. Amo você!

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Bruna Kalil Othero

Estudante de Letras, amante de literatura e artes em geral, cinéfila, feminista, faladeira. É autora do livro de poesia "POÉTIQUASE", pela Editora Letramento. http://brunakalilothero.weebly.com/.
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