poétiquase

um enfoque lírico nas partes das artes

Bruna Kalil Othero

Estudante de Letras, amante de literatura e artes em geral, cinéfila, feminista, faladeira. É autora do livro de poesia "POÉTIQUASE", pela Editora Letramento.
http://brunakalilothero.weebly.com/

É PROIBIDO PROIBIR A EDUCAÇÃO

Hoje é Dia do Trabalho. Na quarta-feira, dia 29 de abril, os professores do Paraná foram massacrados. A resposta à luta por canetões, lápis e livros foi intolerância, bombas, agressões e tiros de balas de borracha. Escrevi esse texto no domingo, antes disso tudo, e a conclusão é: a educação deve estar mesmo proibida.


primeiro.bmp.jpg Cena do documentário. Foto: reprodução

Para se formar cidadãos, é preciso, como base de tudo, uma educação. O modelo utilizado nos dias de hoje é herança do padrão militar prussiano, criado no século XVIII, cujo objetivo era gerar adultos obedientes, competitivos e preparados para a guerra. Esse tipo de escola, com regras semelhantes às de prisões e fábricas (uniformes, sirenes anunciando a hora de terminar determinada tarefa, etc), deu resultado a uma educação mecânica, similar a linhas de produção industriais - porém, em vez de mercadorias, se moldam crianças.

É sobre esse tema que discorre o documentário argentino “A Educação Proibida”, apontando os defeitos do sistema educacional vigente hoje, e propondo alternativas não convencionais. Dentre essas falhas, são apontadas a exclusão elitista, consequência direta da meritocracia (se existem melhores, também existem os piores); a falta de individualização dos estudantes, tratando-os somente como números; a questão da obrigatoriedade, que inibe o prazer pelo aprender; e a estrutura vertical, que classifica o aluno como algo “vazio” que precisa ser preenchido pelo professor, dado como superior a ele. Já ao tratar de novas sugestões, são abordadas inúmeras escolas pela América Latina usuárias de modelos originais, que dão espaço para as emoções, o amor, a aceitação, e as vontades dos discentes. E essas ideias alternativas, por se distanciarem da maneira canônica, são vistas como “proibidas”.

Reprodução / Youtube: canal Conhecimento | Photo Amaral

O filme se inicia ao comparar o nosso paradigma didático com o mito da caverna de Platão, fazendo um paralelo entre os alunos e os prisioneiros, que veem o mundo de fora apenas por meio de sombras. Quando um desses cativos se atreve a subverter a ordem e sair para o exterior, é tomado pelo medo, se deparando com várias dificuldades pelo caminho.

Resumindo brevemente a ideia geral que perpassa o documentário, ficam duas palavras maiores: medo e liberdade. A primeira manifesta a base na qual é feito o padrão de instrução atual (que se estagnou, sendo o mesmo desde o século XVIII), e a segunda é o ideal que, dizem alguns ‘em um mundo utópico’, será o pilar para um renovado paradigma educacional. Compreende-se essa liberdade como a promoção de espaços para que os alunos se expressem verdadeiramente, contando com amor e acolhimento, vindos tanto da escola quanto da família.

feliz educacao.jpg Cena do documentário. Foto: reprodução

Trazendo esse contexto para o Brasil, é muito fácil perceber as similaridades entre os modelos defectivos e os aqui adotados. Nas escolas, privadas e particulares, criamos nossos brasileirinhos com a cultura do “não”. Não pode conversar durante a aula, não pode escrever na parede, não pode rabiscar na folha, não pode ir ao banheiro, não pode isso, não pode aquilo, não e não. Ao enraizar diariamente essa negação em suas cabeças, inibimos toda e qualquer manifestação criativa vinda deles. Isso explica porque, em dados do documentário, apenas 10% das crianças conseguem manter uma “genialidade” inventiva aos 20 anos, sendo que, com 5 anos, 98% delas a possuíam.

amor educacao.jpg Cena do documentário. Foto: reprodução

Como educadores, nossa função é menos concordar ou discordar de tudo que esse ou outro documentário coloquem em pauta; e mais discutir sempre a própria educação. A sociedade muda continuamente, as ciências, filosofias, matemáticas, também; então por que a educação se estaciona? O que está a impedindo de evoluir? Não há um modelo ideal e perfeito, esperar que ele seja criado é sim uma utopia. Porém, existem diversas alternativas espalhadas pelo mundo, todas com um sonho em comum: ensinar e aprender, num trânsito contínuo, através da meta maior - a liberdade.

P.S. Todo o apoio e solidariedade aos professores do Paraná. Eu serei vocês. Seguiremos sempre juntos, numa busca incansável pela educação e pela liberdade.

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Reprodução / Youtube: canal Svanelicorne


Bruna Kalil Othero

Estudante de Letras, amante de literatura e artes em geral, cinéfila, feminista, faladeira. É autora do livro de poesia "POÉTIQUASE", pela Editora Letramento. http://brunakalilothero.weebly.com/.
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