Fabrício França

Graduado em Letras. Casado com as letras e amante das palavras. Faz de ambas o gozo da vida.

Carnaval sem condenação

Se sua religião não gosta de um determinado ambiente, então não faça questão de aparecer querendo divulgar a igreja, ou de propagar-se num lugar que não lhe convém.


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O carnaval chegou! Com isso quero me divertir, sabendo que estou em um lugar onde o que vale são as brincadeiras e as amizades. É a hora em que podemos virar fofões, ouvir aquelas velhas marchinhas carnavalescas do tempo de nossos avós, reencontrar parentes. É a hora em que os homens podem se vestir de mulheres e as mulheres se vestir de homens sem nenhum problema. É a hora em que se misturam velhos e crianças; brancos e negros; pobres e ricos. É a hora de tomar aquela velha e boa cerveja ao lado de pessoas com a cara suja de maisena, com seus abadás coloridos dos mais variados blocos carnavalescos, e de defendê-lo, como se fosse o time do coração.

Por isso, se vou ao carnaval é porque quero, e sei que é a maior festa brincante do ano e uma das mais esperadas pela maioria dos brasileiros, pois é uma de nossas manifestações culturais representadas também mundo a fora.

Algumas religiões, por exemplo, a católica, entram na brincadeira, por vezes, criando seus blocos e festejando a sua maneira. Há pessoas que estranham tal ato ao ponto de acharem errado. Mas, não entendem que uma das teorias do surgimento do carnaval está associada justamente à festa cristã surgida em torno de 590 d.C, acontecendo sempre no período anterior à quaresma, sendo que as pessoas pudessem se preparar para os quarenta dias seguintes. E que esta quarentena é um período de reflexão espiritual e de privação de alguns alimentos como a carne.

E, neste tempo carnavalesco, também tem outras religiões que aproveitam para se retirarem para algum lugar isolado, com o fim de fazerem proveito com suas orações.

Entretanto, percebo que há algum problema quando a religião quer interferir no carnaval de modo a querer barrar a felicidade de quem está num momento “Carpe Diem”. Pois, como disse no início, se vou à festa é porque estou ali com um propósito, mas se vem alguém com uma plaquinha na mão escrita que “o fim está próximo” e com aquela conversa de que eu não deveria estar ali, por que não agrada a Deus, então vejo nisso uma intromissão de vida. Assim, imaginem se uma pessoa que fora barrada na festa chegasse à igreja da outra, convidando-a para sair daquele ambiente, e dizendo que ela vai para o inferno por está naquele lugar, será que este ser não se sentiria incomodado? Pois é! Isso é o que vem acontecendo nos últimos anos carnavalescos e se você ainda não caiu nessa “blitz” é porque ainda está com sorte, posto que eles farão questão de te fazerem sair dali, se não fisicamente ao menos psicologicamente.

Portanto, acho que o certo é cada macaco ficar em seu galho, pois se não gosta de um determinado ambiente, não faça questão de aparecer querendo divulgar sua igreja e se propagar num lugar que não lhe convém.


Fabrício França

Graduado em Letras. Casado com as letras e amante das palavras. Faz de ambas o gozo da vida..
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