policromática

pinceladas disso e daquilo.

Mônica Franco

Brasileira e balzaquiana, paulista de nascença e paulistana de coração. Formada em Artes e apaixonada por todas as suas linguagens. Ama cinema e fotografia, café e papo bom. Prefere acreditar nas pessoas e na coletividade. Dá trabalho, mas costuma valer a pena

Instituto Inhotim: os reflexos de um lugar visionário

O maior centro de arte contemporânea que conjuga arte e natureza num espaço único fica no Brasil e foi idealizado por Bernardo Paz. Descubra porque ele é um lugar ímpar no mundo e como ele pode mudar o seu modo de pensar arte. Para melhor.


15895256_704488579711582_4058609090090593505_n.jpg O universo da arte, em todas as suas concepções, dos primórdios da arte rupestre até os dias atuais, é feito de gente que devaneia e quase sempre acredita em algo muito particular. Especial. Nossos ancestrais não pintavam nas cavernas por estarem entediados. Eles pintavam pois contavam que ao representar o objeto da caça, ele iria se materializar na vida real. Tudo começa quando se crê em algo.

E por essa ideia inicial passam os artesões, os artistas, os críticos, os curadores, e todos os demais personagens que fazem parte das conexões e interrelações do mundo artístico. Por essa premissa passou Bernardo Paz. Ele teve um sonho.

A utopia de Paz não era algo especificamente inédito. Arte exposta a céu aberto, aliado à natureza e provocando novas considerações sobre o objeto artístico era algo que já havia sido feito antes. Mas pode acreditar, não há nenhum outro espaço no mundo que se iguale ao que se tornou o instituto idealizado por ele. E a resposta vem fácil: é impossível ficar imune a Inhotim.

Os números do complexo podem ser localizados em busca simples na Internet, e o próprio site do instituto oferece boas funcionalidades e irá te explicar direitinho sobre o que fazer para para chegar lá. Mas não há número ou imagem na tela de LED que irá refletir o que é Inhotim, e principalmente o que ele será PARA VOCÊ. Parabéns, a experiência é toda sua. Ao navegar pelas páginas e depoimentos de quem já foi, ao ler textos como esse aqui, ganha-se algumas pistas que poderão ser importantes para desvendar o mapa do tesouro. Pois haja território. Serão 110 hectares de desafio, onde natureza virgem, paisagismo e arte contemporânea mundial se entrelaçam e se amaranham de tal modo, que uma pergunta salta, a todo momento, clichê ou não: quando começa a arte e quando termina a natureza?

Inhotim é único no mundo não pelo seus números imponentes e que pedem atenção para o turista ávido a conhecer novos lugares e sair de lá com mais um lugar ticado no mapa e fotos incríveis, mas principalmente pelo que propõe. Ele inteirinho é feito para sonhar. Visualizar. Refletir. Claro que o prazer de ticar ele no mapa será enorme e as fotos serão extraordinárias sim senhor, mas ao sair de lá apenas com isso é possível que alguma coisa tenha dado errado no meio do percurso. Porque não se deve ficar imune a Inhotim. O segredo?

Ver.

Abrir olhos bem abertos e ver.

Sem véu, sem reservas.

O espaço vai te ajudar muito nessa missão, pois são incontáveis as obras em que se dá de cara com espelhos, reflexos, visões. Tanto e tantas vezes que poderá surgir a dúvida sobre ser ou não intencional. Sua imagem será refletida várias vezes, de muitas maneiras. Desde o susto que é o de De Lama a Lâmina, de Mattew Barney, à delicadeza de Valeska Soares , passando pela obsessão de Yakusuma, sua imagem será espelhada. Ao arriscar um olhar pela Viewing Machine, de Olafur Eliassom tudo será multiplicado. Inhotim é overdose.

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Espera-se que ao voltar da viagem, as reflexões sobre Arte Contemporânea serão dadas de outra maneira, assim como o uso do espaço, seja ele qual for. Espera-se que você, visitante, volte. E saiba que Inhotim voltará junto com você.

E pra dizer que não teve nenhuma dica prática, voilá:

- Um tempo razoável para visitação é de dois dias. Se três melhor ainda. Se não tiver como, não deixe de ir só porque vai ter um único dia apenas. Apenas capriche nas anotações e faça escolhas. Elas serão necessárias.

- O carrinho (tipo de golfe) que leva os visitantes para as obras mais distantes e que possui rotas pré-determinadas e pontilhadas no mapa é totalmente indispensável. Ponto.

- Obras imperdíveis- quais são? Para quem acredita em unanimidades, Beam Drop Inhotim de Chris Burden e Sonic Pavilion de Doug Aitken são nomes fáceis. Dos artistas brasileiros, as galerias de Adriana Varejão e as Cosmococas de Hélio Oiticica soam essenciais. A que escreve não acredita em unanimidades, partindo desse princípio decepções podem ocorrer. Também como incríveis deslumbres com aquela obra que aparentemente ninguém comentou, ninguém viu. SÓ VOCÊ.


Mônica Franco

Brasileira e balzaquiana, paulista de nascença e paulistana de coração. Formada em Artes e apaixonada por todas as suas linguagens. Ama cinema e fotografia, café e papo bom. Prefere acreditar nas pessoas e na coletividade. Dá trabalho, mas costuma valer a pena.
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