ponderação reflexão e introversão...

Elucubrando a beleza de todas as coisas em todos os lugares!

Gilmara Barros

Futura psicóloga por opção e artista por paixão.

Medo, apenas medo!

Atenção: o conteúdo a seguir pode causar desconforto ou ansiedade. Mesmo assim, recomendo que prossiga.


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Seu corpo se torna paradoxalmente fraco e forte. Fraco perante a iminente sensação de perigo - forte por ser este mesmo corpo, sua morada, sustentação, o que te maltrata. Está sufocante dentro dessa casca. Casca fraca demais diante da morte que parece se aproximar sorrateiramente. Forte demais que te prende e não permite qualquer movimento. Imóvel, na posição que estava em que foi atingida (o) bruscamente por essa onda de pânico, você sente o sofrimento que irrompe todos os seus limites e paulatinamente toma conta de cada fragmento de todo e qualquer pensamento. E a dor intensifica na mesma medida das batidas do seu coração, que dispara, causando-lhe a sensação de que não irá aguentar, que essa será sua última experiência neste mundo e que tende a ser a mais dolorosa de todas. Então, você tenta, sua mente tenta sair dali, mas é inútil! A cada tentativa fracassada é um sintoma a mais que aparece. Agora você sua, está tremendo descontroladamente. O medo intensifica a cada segundo. Você parece sentir tudo, parece que sente até a rotação da Terra, e este rodar imperceptível te causa tonturas, ao mesmo tempo que não sente nada. Nesse momento você nem consegue, sequer pensar que existe algo que não seja o medo. Todas as suas referências desapareceram, não existe outro ser capaz de te tirar disso, você está só. Tudo que um dia viu, sentiu, ouviu... sumiu completamente. Cadê aquele colo, cadê o útero que um dia te acolheu e protegeu de tudo por um longo período, onde está a pessoa dona daquele abraço que te protege?

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Todos que poderiam te socorrer, nem mesmo lhes vem à cabeça, qualquer situação que poderia ser reconfortante, você esqueceu, e não consegue evocar nenhuma lembrança boa, a fim de ter esperanças de que vai se sair bem. Essa situação angustiante nem de longe consegue transmitir o extremo pavor que se sente numa crise de pânico.

Não julgue, não rotule, não diga que é “frescura”.

A Síndrome do Pânico é um transtorno sério, que causa grande sofrimento psíquico. Os sintomas são de dois tipos: os fisiológicos, característicos da ansiedade (palpitações ou ritmo cardíaco acelerado, sudorese, tremores, sensações de falta de ar ou sufocamento, sensação de asfixia, dor ou desconforto torácico, náuseas ou desconforto abdominal, sensação de tonturas, instabilidade, vertigem ou desmaios, parestesias - sensações de formigamento, calafrios ou ondas de calor), e os cognitivos (medo de morrer, medo de perder o controle ou enlouquecer, desrealização - sensações de irrealidade, ou despersonalização - sensação de estar distanciado de si mesmo). O diagnóstico se dá com base na presença de ataques de pânicos inesperados e recorrentes, bem como ansiedade significativa relativa à possibilidade de vir a apresentar outros ataques ou uma alteração de comportamento. De acordo com o DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana - quarta edição), para ser caracterizado como transtorno do pânico é necessária a presença de quatro ou mais sintomas descritos anteriormente e que se desenvolvem abruptamente alcançando um pico em aproximadamente dez minutos. É importante ressaltar que o esse transtorno tem tratamento que pode ser por meio de intervenção farmacológica e psicoterápica, ou as duas formas juntas para remissão dos sintomas e reestruturação do sujeito. Os resultados dos tratamentos são satisfatórios, melhorando a qualidade de vida e devolvendo o bem-estar.

Espero ter conseguido sensibilizar ao menos alguns dos que se propuseram a ler, este texto, que assim puderam mergulhar numa descrição um tanto quanto perturbadora e que isso tenha possibilitado uma reflexão, bem como clarificação da síndrome, sintomas, tratamento e resultados e principalmente dor e sofrimento que acomete tantas pessoas no mundo.


Gilmara Barros

Futura psicóloga por opção e artista por paixão. .
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