Karoline Duregger

Gosto de elogios assim como preciso das críticas, espaço total para quem desejar nos comentários.
Agradecendo sua visita!

A Diferença é o que temos em (in)comum

Em Homenagem ao dia da Luta Antimanicomial, 18 de maio, que é impossível passar despercebido, trago um pensamento que reside no que há de mais humano em mim: O que há de mais bonito no outro é o que ainda não há em mim.


eaquizofreniar8.jpg http://marcianosmx.com/obras-de-arte-hechas-por-enfermos-de-esquizofrenia/

Uma coisa da qual eu preciso discordar, de preferência em silêncio... já que para tornar-se verdade, fora um caminho longo e que por muitos nem fora percorrido, é melhor não contar que na verdade, isso é mentira. Todo mundo é igual, todos devem ser tratados da mesma forma pois são seres humanos como nós, uma tentativa de ignorar as diferenças para que não haja preconceito, mas deste modo não há a diferença. Os indivíduos tem uma estranha mania de se ver como um ser ideal e digno de modelo aos demais, afinal, acabar com as diferenças ou com o preconceito?

Meu segredo é que, ninguém é igual a ninguém. Não existem um par de olhos idênticos a algum noutro canto do mundo, e muito menos olhares iguais. E se eu dissesse que conviver com as diferenças é crescer, é ser humano, ao invés de que afirmá-las que são iguais a “mim” afim de assim, aceitá-las?

Um dia, mais especificamente 18 de Maio, no qual me questionei o por que das frases enfatizando a igualdade, cheguei a uma hipótese. Por séculos, seres humanos não foram nada humanos a um determinado grupo de indivíduos, os tais loucos, sobrenaturais, incapazes, anormais, e etc., pois não para por aqui. Chamaríamos isso de, maldade? “Hitlers”? Animais? Ou de ignorantes, é, ignorantes. Pois, quando não conhecemos algo tendemos a querer classificá-los e justo como ruins, já que não fazem parte do que somos, então, por que querer acabar com as diferenças se é a necessidade de igualar que se inicia o preconceito?

Tem dias que a gente não se sente muito bem, parece que foi atropelado por um trem...

Trecho de uma música escrita por um esquizofrênico. Mas compartilhada por pessoas sem esquizofrenia ou qualquer outro transtorno. Quer dizer que são iguais, então....

Que não passa por aqui, que não passa de ilusão, quem sabe uma alucinação

...entendeu? Eles podem compartilhar do mesmo sentimento que você, ter a estrutura cerebral igual a sua, chorar e sorrir assim como você mas, as razões e contextos que isso acontecerá, é particularmente só deles. 34.jpg Pintura de um paciente esquizofrênico. Fonte:http://www.galenoalvarenga.com.br/galeria

Já que entendemos que de fato há a diferença, agora vejamos, devemos trata-los como diferentes ou isso seria desrespeito? Compare como você trata uma criança de 5 anos com uma de 15. O que acontece? Elas são tratadas como o nosso conhecimento diz sobre a sua capacidade, diferentes. Elas são seres humanos como nós pertencentes a um grupo que compartilha características próprias, crianças de 5 anos e adolescentes de 15.

Nós sabemos como lidar com as diferenças, mas como vamos tornar um valor nosso algo que foi desvalorizado por séculos? Como vamos deixar de chamar de loucos para chamar de portador disso ou daquilo, como desmistificar o estigma de pessoas acorrentadas, gritando, se batendo, babando, agressivas, para seres humanos como nós pertencentes a um grupo que compartilha características próprias e que cabe a nós, saber tratá-los a partir de suas especificidades?

Medicamentos são uma boa saída, parte essencial no tratamento, para acalmar a agressividade, aumentar os ânimos, diminuir comportamentos estranhos, mantê-los quietos, mas em contrapartida, se este for o único método, calará também a essência, aquele pequeno detalhe que faz toda a diferença.

Seria maravilhoso, se olhássemos para eles tais como são, acolhê-los, conversássemos até conhecê-los de verdade, olhar lá no fundo mesmo até descobrir que lá reside outra obra-prima, assim como nós, com outra moldura, outras tintas e um pincel desejando pintar a vida.


Karoline Duregger

Gosto de elogios assim como preciso das críticas, espaço total para quem desejar nos comentários. Agradecendo sua visita!.
Saiba como escrever na obvious.
version 3/s/sociedade// @obvious, @obvioushp //Karoline Duregger