Karoline Duregger

O que pensamos errado sobre o amor

O amor é muito simples, porém as pessoas são complexas. Essa complexidade pode gerar desequilíbrio ou grandiosidade.


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Lendo um artigo norte-americano, sobre como o amor é visto pelos homens, sem que esses nem mesmo percebam que o enxergam deste modo, revivi momentos e repensei certas atitudes, refleti sobre como reagimos a realidade do outro, suas características mais marcantes e que são em certa medida, inevitáveis. Pensei em quantas vezes nos encontramos em uma relação sem solução, em que nos faltam palavras para formular a pergunta certa, ou sobram para preencher a fala do outro, que nada sabe dizer.

Essa pesquisa a qual li, descreve que o homem vê a pessoa amada como alguém que irá auxiliar em seus objetivos, pois, o homem na maioria das vezes está centrado em seus objetivos, orientando sua vida – trabalho, relações sociais e atividades – baseando-se na premissa de que estes irão levá-lo onde ele deseja estar. Porém, o amor não nos leva a algum lugar específico, o amor é a jornada, é cada dia, é a rotina que se estende ao longo dos anos, é o crescimento de cada um, as mudanças e as particularidades da vida a dois.

Por isso, algumas vezes, recebemos respostas vazias ou atitudes incoerentes que demonstram a redução de um sentimento, para uma coisa, coisa que irá servir para algo. Quando um dos dois mudam, aquele sentimento terá que mudar também, será que ele ainda continua útil?

Porém, deve-se levar em conta que nem sempre essa posição de alguns homens é percebida por eles como algo prejudicial para as mulheres. Pois, é algo intrínseco e profundamente enraizado, que foi semeado e continua sendo regado ao longo do tempo.

Esse artigo revela que é improvável e irreal buscar que o parceiro seja como de um filme ou conto de fadas, e de certa forma é injusto para com os homens, o que é compreensível, visto a profundidade e complexidade dessas atitudes. Não é somente um querer ser assim, antes é um simplesmente Ser Assim.

Por outro lado, quando nos encontramos junto de alguém que nos vê dessa forma, é bastante dolorido, pois, para muitas mulheres o que importa é a trajetória ao lado da pessoa que se ama. Ao observamos que giramos em sentidos diferentes, tentamos achar qual é o problema, nós sabemos que algo está faltando, mas nunca conseguimos visualizar esse insight na outra pessoa.

Aí vemos duas essências que geralmente irão se encontrar, e terão que funcionar juntas, cada um à sua maneira, para evitar um fim dramático e às vezes desnecessário. É um tanto possível visualizar as razões por essa dinâmica em cada um dos gêneros, historicamente e socialmente falando, por isso também, é um tanto provável saber quais atitudes podem ser tomadas.

Quem sabe o papel de cada pessoa, não seja cobrar do outro algo que ele não tem, como se fosse surgir magicamente, mas auxiliar sempre que possível e que for aceito, a aprender. Também, é preciso compreender que sempre que há desprezo, desrespeito e se existe alguém sofrendo, algo está realmente errado. Ninguém deve se sentir obrigado a nada, mas sim, disposto.

Hoje, os posts resumem direcionamentos para as relações de uma forma extremamente breve e muitas vezes vazia da verdade, todas as pessoas querem se livrar e evitar qualquer sentimento negativo, como se o sofrimento fosse indigno e repudiável, porém este é extremamente necessário para o amadurecimento e certamente dignifica o valor da vida. Dessa forma, estamos deixando que o sofrimento inevitável fique de lado, como se fosse curar-se sozinho ao longo do tempo, porém ele está crescendo e nós, perdendo a capacidade de lidar com ele.

Por fim, lendo esse artigo percebi que o amor é muito simples, porém as pessoas são complexas, essa complexidade pode gerar desequilíbrio ou grandiosidade, a impaciência e egoísmo levam ao desequilíbrio, porém a tolerância e a compreensão certamente irão desencadear a grandeza que existe em Ser humano.

Artigo lido: KOMMERS, Cody. The Biggest Thing Men Get Wrong About Love, Psychology Today, 2020.


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