Salinê Saunders

Essa menina diz que ama, e que amando, escreve. Diz que as coisas escritas são tagarelas e que adoram sair tocando as campainhas dos corações alheios. Essa menina diz um bocado de coisa, mas o que mais repete é que aceita café, por favor.

Com licença, vamos falar de silêncio?

Quando um burro fala... o outro aprende a silenciar.


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Os anos passam e junto com eles meu bem estar decide aquietar-se cada vez mais na segurança morna do que não tem som.

Nem sempre foi assim, mas hoje, mesmo quando minha presença se faz parte em algum amontoado de pessoas queridas (ou não), eu desejo, intimamente, aproveitar inteiramente aquele espaço ideal onde as palavras dançam soltas... mas sabendo tranquila do retorno praquele logo ali silencioso, praquele útero que nossos lábios e mentes quietas podem proporcionar.

Existem, sim, os momentos onde as palavras escapam por entre os dentes mal alinhados... e viram borboletas errantes pros campos alheios, o que é bom, além do colorido expontâneo, faz da gente algo imperativo, que se põe feito uma senhora segura que afirma em voz àquilo tudo que navega no peito. A fala é linda, mas ela é também música feita de silêncios combinados com o tintilar dos fonemas. A fala é linda, quando já sabe também, silenciar.... si.fazer.lar.

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Sei que você, que sente conforto sendo apenas bons ouvidos, sabe do que estou falando... como a paz de virar a esquina depois de dizer só o necessário, de servir à todos com seus ouvidos entregues em bandejas floridas, de saber doar a atenção que o outro precisa pra chegar sozinho às próprias conclusões. Mas... quem muito ouve, precisa de tempo de digestão sonora, pra poder tagarelar.

Contar sobre esse silêncio é também provocar a serenidade de bastar as si mesmo num lugar lotado de gente e vazio de troca genuína. A tranquilidade de não sentir incomodo quando o telefone não toca ou quando o domingo realmente tem cara de véspera de segunda-feira. A paz que dá no descalçar de um dia cheio de gente... e ficar feliz demais naquele banho longo, feito de si, vela, som e incenso.

Falando a gente se encontra com o outro, mesmo que seja conversa feita de pupila, a fala acaba sendo o motor do nosso dia-a-dia... Que seja! Mas que haja, então, sempre um berço quieto, pra adormecer todo o externo depois de trocar (E encontrar a gente sozinho, ali no cantinho surdo, precisando falar).


Salinê Saunders

Essa menina diz que ama, e que amando, escreve. Diz que as coisas escritas são tagarelas e que adoram sair tocando as campainhas dos corações alheios. Essa menina diz um bocado de coisa, mas o que mais repete é que aceita café, por favor. .
Saiba como escrever na obvious.
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