LUIZ ROSA

Admitamos: nós somos a maior praga da Terra

Pouco a pouco, o ser humano tem devastado tudo, consumido muito e desperdiçado demais. Nossos atos têm impactado o meio ambiente, próximo e distante, sem que muitas vezes a gente se dê conta. Precisamos pensar, agir e mudar antes que seja tarde demais...


Imagine que você encontrou uma porta com cupim dentro de sua casa ou apartamento. Caso coloque aquele pedaço de madeira apodrecido no quintas, em um ambiente em que os cupins não tenham acesso a outra fonte de alimento nem nada externo os mate, é possível que em algum tempo só lhe reste o pó da porta que um dia existiu. A impressão que passa, pelo menos a um leigo em cupins como eu, é que eles são capazes de devorar a porta até o último fiapo sem se preocupar com a ideia de que, uma vez encerrada a refeição, nada mais lhes restará...

O ser humano tem se comportado assim também. Exemplos variados se somam, como o recente desprendimento, na Antártica, de um bloco de gelo de 1 trilhão de toneladas, que é maior que a área de três cidades de São Paulo. Sim, área três vezes maior que a maior cidade do hemisfério sul do planeta, ou seja, 5800 quilômetros quadrados. Para se ter uma ideia melhor de como isso é muito, o Distrito Federal tem 5.802 quilômetros quadrados. E, evidentemente, um dos culpados pelo acelerado derretimento das geleiras é o homem.

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Poderíamos citar outros casos, como dos elefantes que estão sendo dizimados, a exemplo dos rinocerontes, pelo preço do marfim; da Amazônia que teve um crescimento no desmatamento dos últimos anos; dos Estados Unidos - segundo maior poluidor do planeta - que resolveu denunciar o Acordo de Paris, por ordem do Presidente Donald Trump; ou dos corais que estão sendo mortos por asfixia, seja pela ação de pesticidas e agrotóxicos, seja pela ação de protetores solares, etc, etc, etc.

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Assim, podemos pensar sem medo de errar, que a exemplo do cupim, o homem consumirá tudo o que o planeta lhe oferece. Há estimativas que não haverá mais grandes peixes no mar até metade do século e se esses animais forem dizimados, as baleias, golfinhos, entre outros, também serão, e aos poucos o mar se tornará um enorme deserto sem vida, isso porque a pesca predatória não tem permitido a recomposição da fauna. E se o mar morrer, nós não demoraremos muito a enfrentar o mesmo destino, já que boa parte do ar que respiramos advém da ação dos plânctons que habitam os oceanos.

Para piorar, há a questão do consumo desenfreado. Nunca se produziu tanto e nunca se desperdiçou tanto. Produtos, eletrônicos, embalagens, luz, água, etc. Muita coisa boa vai parar no lixo porque está velho ou fora de moda.

A saída para o cenário catastrófico, no entanto, passa pelo causador de todos esses males: nós. Cabe a cada um de nós refletir muitas vezes antes de comprar, pensar muito no que vai consumir, utilizar produtos recicláveis e garantir que eles de fato sejam reciclados. Aliás, é bom buscar informação já que apenas o selo de "reciclável" na embalagem não garante que ele será de fato reciclado. Para se ter uma ideia, em uma das centrais de triagem de lixo reciclável da Prefeitura de São Paulo, por exemplo, 40% de todo material recebido é descartado, seja porque a central não possui equipamento para sua reciclagem - caso, pasmem (!) do vidro - seja porque o cidadão não sabe direito o que pode ser enviado para lá...

Devemos, então, começar já porque logo mais é tarde demais para salvar o único lugar que temos para viver, nosso pequeno e pálido ponto azul.

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Algumas das fontes deste texto são documentários disponíveis no Netflix, que eu tratei no texto "primeira parte dos documentários para ser melhor": como Ivory Game e Mission Blue. Naquele artigo, tem outras sugestões!


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